! Quem somos - Território Livre

O Território Livre (TL) é a organização de juventude da organização Transição Socialista (TS). Reunimos jovens que querem lutar contra o capitalismo e a exploração cotidiana que assola a classe trabalhadora. Somos contra o desemprego e o custo de vida e acreditamos que a única forma de mudar nossas vidas é a revolução. Não acreditamos que haja formas de se reformar o capitalismo. A juventude deve se colocar em apoio à classe operária e trabalhadora em geral e erguer uma luta comum pelo fim da exploração capitalista!

Contra o desemprego e carestia de vida!

O índice de desemprego no Brasil atingiu números assombrosos. Na juventude, esse índice é ain-da maior: hoje quase 30% dos jovens estão desempregados. Em algumas capitais brasileiras, es-se índice é até maior. Quanto mais esse índice aumenta, maior a concorrência entre trabalhado-res e mais os trabalhadores e jovens trabalhadores se sujeitam à piores condições de trabalho. É disso que o capitalismo gosta.

Não tem jeito: pra se ter um emprego agora ninguém liga se terá carteira assinada, segurança de trabalho ou um salário de miséria. Com seus pais e parentes desempregados, cresce a pressão pra trabalhar cedo e abandonar a chance de ter uma formação prolongada. E pra completar, os patrões demitem hoje em massa só pra recontratar amanhã jovens com salários ainda mais bai-xos!

Ao mesmo tempo, os preços das mercadorias básicas (aluguel, feijão, arroz, mistura, contas de água, luz, telefone…) crescem sem parar. Há pouco tempo atrás, dava pra comprar muito mais do se pode hoje, com o salário que se recebe. Enquanto o preço dos produtos sobe, o salário desce, o regime de trabalho aumenta e, assim, as condições de vida da classe trabalhadora brasileira só pioram.

No mundo todo a situação é a mesma. Enquanto os capitalistas lucram, cresce a miséria e a fo-me. O capitalismo, nas suas crises periódicas, deixa mais clara sua contradição: para que o capi-talismo consiga sobreviver, eles precisam explorar ainda mais os trabalhadores. O capital (o lucro do patrão, o que mantém o sistema capitalista vivo) nasce exatamente da exploração do trabalha-dor no processo de trabalho.

Os jovens e os trabalhadores já mostraram que não aguentam mais e que têm disposição de lutar. Mas o que falta para isso? Organização, uma direção, uma perspectiva clara do que fazer para lutar. A perspectiva não é reformar o capitalismo, votar nesse ou naquele político (que é apenas mais um representante da burguesia), mas se organizar para lutar contra a burguesia e fazer uma revolução que supere de fato o capitalismo.

Reforma ou revolução?

Afinal, pode-se pensar que podemos reformar o capitalismo, que podemos conseguir diminuir um pouquinho a miséria, que podemos conseguir melhorar a educação pública ou outro serviço, que podemos votar naquele político que parece mais honesto e atento aos trabalhadores, etc. Mas na verdade, nenhuma dessas medidas vai de fato resolver a crescente exploração sobre nós.

É preciso lembrar: o capitalismo tal como o conhecemos existe há três séculos. Não era sempre assim que os homens viviam, mas hoje o capitalismo dita a vida de toda a humanidade, explora 99% das pessoas enquanto 1% usufrui dos luxos e riquezas produzidas. Quanto mais passa o tempo, mais ele lança mais gente para a miséria, para a fome, para a destruição da própria huma-nidade e do planeta, mesmo que tenha tecnologia para alimentar todos os homens. É só ver: o Brasil tem safras recordes de grãos e de carnes, mas a comida tá cada vez mais cara e cada vez mais gente passa fome; um operário pode construir centenas de celulares por dia, mas vai ter que trabalhar meses ou anos para comprar um. No mundo, já temos tecnologia o suficiente para robôs fazerem quase todo o nosso trabalho, mas isso não nos dá mais tempo de descanso, isso só au-menta a miséria e o desemprego.

Mesmo que o capitalismo consiga dar alguma coisa para os trabalhadores ou para a juventude (fazer alguma concessão), isso será temporário ou muito localizado, nunca vai se generalizar. É só ver o exemplo da luta de Junho de 2013: milhares foram as ruas, conseguiram barrar o aumen-to das passagens, mas…poucos anos depois, tudo subiu de novo! O que o capitalismo dá com uma mão hoje (pressionado por alguma luta), ele tira em dobro amanhã. Como um todo, enquanto não há uma revolução, a classe trabalhadora (o proletariado), num processo histórico, só vai fi-cando mais e mais pobre. É o que tem acontecido no Brasil nas últimas décadas.

Muita gente acredita que o PT se construiu com essa promessa de melhoria lenta mas, na verda-de, desde a sua criação esse partido não se pretendia a mudar de verdade a condição de vida dos trabalhadores, muito menos a fazer a revolução – o PT sempre foi “amigo” dos empresários capi-talistas. Na luta de classes, ele escolheu o seu lado desde cedo. Seu papel é justamente fazer o contrário do que os trabalhadores precisam: ao invés de lutar pela classe, controlá-la! O PT, atra-vés do seu aparato sindical, impede qualquer luta independente dos trabalhadores. É por isso que os empresários adoram o Lula e é por isso que os operários querem que ele apodreça na prisão!

O que define o PT é ser o grande partido traidor dos trabalhadores e não podemos depositar ne-nhuma ilusão nesse partido – antes, devemos combatê-lo com todas as nossas forças, pois seus militantes ainda enganam parte dos jovens e da população e impedem que eles se organizem de forma independente.

Lutar pelo mínimo é lutar pelo máximo!

A única coisa que os capitalistas nos oferecem é a oportunidade de sermos explorados: a possibi-lidade de termos um emprego com um salário que, supostamente, nos alimenta. O único direito sério numa sociedade baseada sobre a exploração dos trabalhadores é o direito ao trabalho. Ter a tranquilidade de ter um trabalho, com salários suficientes para nos manter e à nossa família, isso deveria ser o mínimo numa sociedade baseada sobre o trabalho. Entretanto, nem isso o capita-lismo nos garante – ele demite e rebaixa salários todos os dias.

Portanto, aqui há uma questão central: se nem o mínimo o capitalismo pode nos dar (um emprego estável com salário estável), defender esse mínimo significa necessariamente erguer uma luta contra o capitalismo!

Defender a manutenção dos salários e dos empregos pode, portanto, se tornar uma luta revoluci-onária. Ou seja, defender que as nossas condições de vida não diminuam com o tempo pode dar as bases para fazer a transição ao socialismo. O socialismo não é uma ideia bonita, uma utopia distante… Ele começa no presente: lutar para sobreviver com estabilidade hoje já é construir o fu-turo, onde todos terão condições de vida estáveis.

A única forma de manter de fato o poder de compra dos salários – para ter a mesma quantidade de comida na geladeira todo mês, para garantir seu aluguel, etc. – é, assegurando um valor míni-mo, reajustá-los mês a mês de acordo com o índice da inflação dos produtos básicos. Isso é rei-vindicar a escala móvel de salários.

A única forma de manter os empregos diante de uma “baixa” na produção (crise) é reajustar a jor-nada de trabalho mês a mês de acordo com a necessidade de produção e com o máximo de ho-ras assegurado, dividindo o tempo de trabalho entre todos os trabalhadores – ou seja, não aceitar qualquer demissão. Isso é reivindicar escala móvel das horas de trabalho.

Essas coisas – manter o poder de compra e manter os salários – são o mínimo e trazem a instabi-lidade ao capitalismo. Ao mesmo tempo, são a estabilidade de outra sociedade: a estabilidade da sociedade socialista, onde todos terão trabalho e terão um crescente padrão de vida. Lutar por esse mínimo é lutar pelo futuro. Essa luta abre no presente a porta do futuro – por isso ela não é nem apenas “mínima” nem apenas “máxima”, mas transitória!

Centralidade da classe operária

Nós queremos fazer a revolução e não “melhorar” o capitalismo. Mas como fazê-la? A maioria das pessoas ainda acha que falar de revolução é uma loucura, ou pior, que significa defender países como Cuba, Venezuela, Coreia do Norte. Para nós a revolução não será feita por guerrilheiros, nem por um golpe repentino de Estado, muito menos por um líder “salvador da pátria” que coman-da o Estado burguês.

Entretanto, há outras experiências na história que se provaram totalmente corretas: as experiên-cias das organizações de poder dos trabalhadores nos seus locais de trabalho e moradia. O so-cialismo não vem de cima para baixo, mas de baixo para cima: da organização mais básica dos trabalhadores: seu local de trabalho. Queremos substituir a economia capitalista, irracional e feita para poucos, por uma economia socialista, racional, governada pelos trabalhadores.

Se a base do capitalismo é a produção de mercadorias a partir da exploração dos trabalhadores, as únicas pessoas que podem realmente paralisar e, assim, destruir esse sistema são os que produzem essas mercadorias: os operários. É por isso que nós, organização de juventude, dedi-camos grande parte das nossas energias à luta da classe operária: ajudamos a distribuir materiais operários nas fábricas, nos solidarizamos a todo processo de luta.

A revolução não é impossível. No fim dos anos 70, os operários paulistas se organizaram em gre-ves enormes e paralisaram boa parte da produção de mercadorias do país. O capitalismo ficou paralisado. O sistema quase entrou em crise, os patrões morreram de medo e os militares perce-beram que o regime ditatorial estava totalmente insustentável. O problema é que, em vez de levar a luta até o fim, sindicalistas pelegos do grupo de Lula preferiram criar um partido para disputar eleições, e não para fazer a revolução: O PT – ou seja, traíram a luta da classe trabalhadora! Após anos e anos de mentiras do PT, os trabalhadores passaram a não acreditar mais nas suas pró-prias forças.

É por isso que nós do TL e do MNN queremos fazer a classe operária relembrar o seu poder e o seu passado de lutas. Desde 2013, há cada vez mais greves no Brasil. Aos poucos, os trabalha-dores de todo o país estão voltando a se organizar. Devemos estar do lado deles para garantir que a luta irá até o fim tocada pela própria classe!

O papel da juventude revolucionária!

O que fazer com tanta revolta? Qual o papel da juventude na revolução?

Primeiro, nós podemos apoiar as mobilizações dos trabalhadores, distribuindo panfletos e jornais em fábricas. Defender o emprego digno de quem hoje trabalha é defender a dignidade de nossos futuros empregos. É para viabilizar esse apoio que nós do TL nos submetemos politicamente ao Movimento Negação Negação, uma organização que apoia e dá voz aos operários em luta contra seus patrões e seus sindicatos pelegos.

Segundo, nós devemos aproveitar nosso tempo livre para estudarmos. Mas obviamente não que-remos fazer o mesmo tipo de estudo que nos dão na escola, que mais parece uma prisão. Deve-mos aprender a pensar por nós mesmos, estudar a história que não nos contam na escola. Aqui, temos toda a liberdade de discussão que não nos dão nas escolas e nas universidades, pa-ra aprendermos a distinguir a verdade dentre as mentiras que nos contam diariamente. Combina-mos isso com nossa unidade de ação para espalhar cada vez mais a nossa revolta em todos os locais de concentração da juventude proletária, os filhos da classe trabalhadora.

Se hoje falta aos trabalhadores a consciência de sua força revolucionária e a capacidade de se organizar, no futuro seremos nós os trabalhadores do Brasil. E estaremos conscientes de nosso papel!

Viva a aliança entre a juventude e a classe operária!
Abaixo a exploração capitalista!