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[entrevista] vote em protesto, vote rafael padial

Nesta edição do jornal, o Território Livre entrevistou Vera Lúcia, do PSTU, nossa candidata à presidência e Rafael Padial, da Transição Socialista (organização da qual somos juventude), nosso candidato a deputado federal. Contra a farsa eleitoral, eles utilizam o espaço das eleições para denunciar as estruturas apodrecidas do sistema e dizer o que a gente já sabe na pele há tempos: as mudanças não virão das eleições, mas da luta!

Território Livre: O desemprego entre a juventude atinge níveis ainda maiores do que com os adultos, não só no Brasil, onde está na faixa dos 30%, mas no mundo todo. Por que esses níveis tão altos? Como os patrões se beneficiam dessa situação?

Rafael Padial: Esses índices são tão altos porque o capitalismo necessita de um exército industrial de reserva, que são as milhões de pessoas que necessitam e gostariam de trabalhar mas não encontram emprego. O exército industrial de reserva serve para pressionar quem está empregado. Se você trabalha e sabe que do lado de fora há uma fila quilométrica de gente querendo emprego, você se submeterá à condições muito piores. Porque você sabe que se não o fizer, outra pessoa o fará. O desemprego é um mecanismo do sistema, usado para manter o lucro dos capitalistas por meio do aumento da exploração de quem está empregado. A juventude, como parte nova, que sempre entra ao exército de desempregados, também atua nessa pressão. Basta ver agora, em várias empresas, jovens aprendizes contratados para fazer o mesmo serviço de um operário adulto experiente, mas ganhando um salário abaixo da metade.

Lutar para que os jovens ganhem salário igual aos trabalhadores que cumprem mesma função é uma importante forma de manter o nível dos salários de todos os trabalhadores. Pois os baixos salários dos jovens pressionam as empresas a diminuir o salário dos mais velhos. A luta por salário igual garante que o jovem, quando efetivado, não ganhe metade do que seus colegas adultos ganham hoje.

TL: Qual é a saída para o problema do desemprego? Como a juventude, com tantos desempregados, pode lutar para garantir seu emprego e salário?

RP: É fundamental criar um forte movimento de desempregados, reivindicando emprego digno. Isso fortalece a luta de quem está empregado. A luta contra o desemprego deve ser a bandeira número um de uma organização revolucionária de juventude. Deve-se exigir dos governos a realização de obras públicas: construção de hospitais, escolas, centros culturais, universidades, tudo o que é necessário à população. Na construção dessas obras a mão de obra será absorvida e o exército de desempregados diminuirá, diminuindo a pressão sobre os trabalhadores. Para isso, é necessário um forte movimento reivindicando emprego.

As organizações de juventude têm de saber se unir a outros movimentos, como ocupações de moradia, bem como a importantes sindicatos operários, para criar uma forte campanha reivindicando emprego em toda a sociedade, pois sozinhos não conseguirão resolver esse problema. Os trabalhadores devem lutar para diminuir sua jornada de trabalho e abrir mais postos de trabalho, a juventude deve apoiá-los e lutar para abertura ainda mais empregos por frentes públicas de empregos. Apenas essa união (empregados e desempregados) pode criar a força para conseguir empregos para toda população.

TL: Se a revolução é a única forma de resolver os problemas dos trabalhadores, e não as eleições, qual é o caminho para construir a revolução?

RP: O caminho para que a classe trabalhadora faça a revolução, ou seja, derrube o poder da burguesia, passa pela criação dos organismos de poder dos próprios trabalhadores em oposição aos capitalistas. Toda a riqueza é produzida pela classe operária e o lucro dos burgueses está justamente na relação de exploração do trabalho desta classe. Quando os trabalhadores se organizam nos seus locais de trabalho, fazendo greves e ocupações, estão criando um movimento que põe em xeque os interesses da burguesia, em prol dos seus próprios direitos básicos de sobrevivência. Assim, quando essa organização se amplia e toma o controle da produção, a classe trabalhadora já detém o verdadeiro poder em suas mãos. Só é possível derrubar o governo burguês com a criação desse poder que vem dos locais de trabalho.

Hoje, isso parece algo impossível de acontecer. Mas a classe operária sente sua vida piorar dia a dia, com seus salários diminuindo, o ritmo de trabalho aumentando e o risco do desemprego. Os revolucionários precisam lutar em defesa dos salários e dos empregos, mas isso não leva necessariamente para o caminho da revolução. A luta só se tornará revolucionária se tivermos uma defesa intransigente das atuais condições de vida dos trabalhadores, ou seja, que se reivindique: 1) o reajuste salarial mês a mês de acordo com o índice da inflação (para que não se perca o poder de compra); e 2) a redução da jornada de trabalho de acordo com o número dos trabalhadores, sem diminuição dos salários (para que não haja demissões). Só assim a vida da classe trabalhadora não irá piorar com o passar dos anos. E não só isso: o próprio capitalismo não conseguirá atender essa demanda básica de sobrevivência! Assim, é possível criar uma luta que ultrapasse o próprio capitalismo, sem render o movimento por migalhas.