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FIES: DESEMPREGADO E ENDIVIDADO COM UM DIPLOMA NA MÃO

O Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) foi criado no fim dos anos 90, como uma forma de financiar alunos no ensino superior privado. O dinheiro é emprestado pelo governo na forma de crédito aos estudantes e a dívida só é cobrada após o fim da graduação, quando teoricamente eles estariam empregados e poderiam “retornar o investimento”.

A FARSA DO FIES

A propaganda do governo petista sempre mostrou o programa como uma oportunidade de formação de jovens para a inserção no mercado de trabalho, dando uma perspectiva de futuro para muitos deles. Mas isso não passava de uma farsa criada para abastecer os bolsos dos empresários e endividar os estudantes.

O Fies foi ampliado de maneira exorbitante pelo PT, às vésperas do estouro da crise no Brasil. Algumas mudanças facilitaram o acesso ao programa, que teve um crescimento expressivo: de 76 mil contratos ao final do governo Lula em 2010, passou a 733 mil em 2014, ano da reeleição de Dilma.
No ano seguinte, vimos o aumento da inflação e do desemprego, que acertou em cheio principalmente a juventude. Desempregados e surpreendidos por uma conta que só chega um ano e meio depois da conclusão do curso, os formados pelo Fies estão atolados em dívidas.

A expansão desenfreada do Fies superou o quanto o governo tinha para gastar com esse programa. Hoje o orçamento dedicado ao Fies é maior do que o do Bolsa Família, o principal orgulho dos petistas. A liberação desse crédito sem fundo foi uma forma picareta de dar dinheiro do Estado para enriquecer empresários e transferir a conta para os jovens estudantes que só queriam melhores condições de emprego.

DESEMPREGADO E ENDIVIDADO COM UM DIPLOMA NA MÃO

Mais da metade dos estudantes que deveriam estar pagando as parcelas hoje não está conseguindo pagar. Além disso, a plataforma online do programa funciona muito mal (o próprio governo já teve que admitir isso!), fazendo com que muitos estudantes não consigam nem saber o quanto estão devendo.

É o caso do Leonardo, estudante de arquitetura na Universidade São Judas Tadeu. Ele nos explicou que entrou na faculdade em 2013 e não conseguiu fazer um dos aditamentos (atualização cadastral) que o fundo exige, pois o banco estava sem sistema, “desde então eu tento resolver o problema sem sucesso e, no meio de toda essa burocracia, dois aditamentos estão atrasados e o valor que o Fies paga hoje ainda é o de 2016”. Pelo sistema do governo ele não consegue saber o tamanho da sua dívida, mas acredita que além do valor emprestado, terá de pagar juros à faculdade pelos atrasos. Para Leonardo, “o programa não é sustentável e não há preocupação com o estudante”.

Essa é mais uma armadilha pra jogar o trabalhador no buraco! Em vez da garantia de emprego prometida, os formados pelo Fies engrossam o caldo dos desempregados com diploma. A estudante Renata, que faz faculdade de Direito na PUC-SP, conta que escolheu o financiamento por não ter
condição de pagar as mensalidades, “A principal vantagem foram os juros mais baixos e o prazo que me ofereceram para parcelar, o maior que tinham, de 15 anos”.

Ela é uma das muitas estudantes que teme não conseguir pagar as dívidas com o Fies: “tenho bastante receio, pois como terei que arcar com os custos, me preocupo se estarei empregada ao final da faculdade, com condições de me manter e pagar a dívida”. Essa é a realidade, não apenas de Renata, mas de boa parte dos jovens, que se deparam com um cenário de desemprego somado aos recentes ataques do governo aos direitos trabalhistas.

Com toda essa manobra dos governos petistas, muitas faculdades privadas surgiram e cresceram nos últimos 10 anos. Grande parte delas formaram conglomerados empresariais. A Kroton, maior empresa de educação do mundo, é uma brasileira com receita líquida de R$ 5,2 bilhões anuais. Na
prática, o papel do governo foi de garantir um fluxo constante e crescente de “clientes” para as faculdades privadas, incentivando com a oferta de  crédito fácil um crescimento assombroso desse setor. Mais uma vez, o Estado foi um verdadeiro balcão de negócios, vendendo nossa vontade legítima de trabalhar com dignidade.