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saber secreto: cronologia da revolução de fevereiro

23 de fevereiro

Dia Internacional das Mulheres. Nenhuma das organizações previu greves para esse dia. O partido bolchevique é muito fraco e o contato entre operários e soldados é quase inexistente.

Pela manhã, operárias têxteis de diversas fábricas abandonam o trabalho e enviam delegadas aos metalúrgicos, solicitando que apoiem a greve. Protestam contra as longas filas de espera pelo pão. Muitas são esposas de soldados.

Como um rastilho de pólvora, o movimento se alastra e se torna uma greve de massas. São cerca de 90.000 pessoas nas ruas. O comitê bolchevique de Vyborg, que antes havia desaconselhado greves nesse dia, percebe que o partido tem que ir às ruas.

24 de fevereiro

O movimento dobra de tamanho, e cerca de metade dos operários de Petrogrado declara greve. Os operários se encontram nas fábricas, não para trabalhar, mas para organizar reuniões e marchas ao centro da cidade.

Os cossacos não cumprem algumas ordens dos oficiais: se recusam a reprimir os manifestantes. Estão posicionados de forma a impedir o acesso ao centro da cidade, mas permitem que os operários passem debaixo da barriga dos cavalos.

25 de fevereiro

São agora 250.000 operários em greve. Há confrontos entre a multidão e a polícia. Os soldados vacilam entre a postura passiva e a hostil aos policiais. Nas imediações da estátua de Alexandre III, cossacos disparam contra a polícia, que havia disparado contra a multidão.

A greve se converte em greve geral. As massas revolucionárias entram em contato com as tropas do exército. Operários, especialmente as mulheres, procuram convencer as tropas a não atirar na multidão, apelando diretamente aos soldados. Cem militares são detidos. O Comitê de Petrogrado é detido, e a direção do partido bolchevique passa ao comitê de Vyborg.

Alguns bairros da cidade estão sob controle dos rebeldes.

26 de fevereiro

Mais bairros passam para o controle dos rebeldes.

Cidade fortemente patrulhada pelas tropas do exército, que recebem ordem rigorosa de atirar. São 40 mortos, e mais um grande número de feridos.

A 4ª Companhia do Regimento Preobrajensky subleva-se em reação aos disparos do exército contra a multidão. Eles se dirigem ao quartel para sublevar todo o regimento. No caminho, confronto com a polícia.

Alguns membros do comitê bolchevique de Vyborg se perguntam se não devem chamar um fim à greve para que mais pessoas não sejam feridas. A direção vacila mais que a base.

27 de fevereiro

Os operários se reúnem nas portas das fábricas e decidem pela continuidade da greve.

A única forma possível de continuidade da situação é a passagem da greve à insurreição.

Tentativas de organizar reuniões em frente às casernas do exército são reprimidas a tiros de metralhadoras pelos oficiais. Há a impressão de que ainda é preciso conquistar os soldados. Porém, rapidamente, um após o outro, os batalhões de reserva da Guarda se amotinam, seguindo o exemplo da 4ª companhia.

O povo se arma.

O comitê de Vyborg e os soldados traçam um plano de ação de tomada da cidade e libertação dos presos políticos.

O povo toma o palácio da Táuride. Início da formação do Governo Provisório e renascimento do Soviete de Petrogrado.

28 de fevereiro

Os ferroviários impedem a entrada do trem do czar em Petrogrado.

2 de março

O czar Nicolau II abdica oficialmente do trono.

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