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luta estudantil no paraná

Em 2016 mais de mil escolas foram ocupadas contra a reforma do ensino e a PEC do teto de gastos. O TL entrevistou J., ocupante do Colégio Estadual do Paraná (CEP).

Como foi o processo para ocupar a escola?

No CEP, fizemos manifestações por três dias. A gente sentava, fazia um jogral e começava a falar sobre a MP. A gente levou pessoas pra falar sobre a MP na escola no intervalo, e segurou o horário pra que quem quisesse ouvir não precisasse voltar pra aula. No dia 5 a gente fez um ato com os estudantes que queriam ocupar. Aí ocupou.

No processo de ocupação se formou uma geração de luta no CEP, que toca um trampo mais no dia a dia, pra chamar mais gente.

Sim, por isso a gente fez o CAOS, o Coletivo Autônomo de Organização Secundarista. A gente quer fazer trabalho de base melhor e passar a experiência que a gente teve. Eu vou sair esse ano, então a gente tem que passar esse trabalho pras pessoas que estão chegando. Não pode deixar o movimento morrer.

Como era a organização dos estudantes durante a ocupação?

No CEP a gente criou cinco comissões: segurança, alimentação, limpeza, comunicação e saúde, pra deixar tudo organizadinho. Todo mundo fazia sua parte e ajudava o outro. A gente também fez atividades culturais. Todo dia tinha alguma coisa pra fazer, pra chamar as pessoas, explicar pra galera o que estava acontecendo. Eu nunca aprendi tanto! Eu aprendi na ocupação o que eu não aprendi nos três anos em que eu fiquei sentada em fila na escola!

Como você avalia as mudanças que a reforma do ensino propõe?

Uma das coisas que a MP coloca é o ensino integral. Pega os alunos de todos os turnos e coloca num turno só! Não vai ter sala suficiente! Os estudantes que trabalham teriam que escolher entre estudar e trabalhar, e as pessoas que precisam vão escolher o trabalho. Com a PEC ainda, se hoje muitas escolas estão desgastadas, imagina parar por 20 anos! A MP já é ruim o suficiente, se combinada com a PEC como é que você vai estruturar as escolas? É completamente ridículo! Pega o salário de um trabalhador, e congela por 20 anos. Como você vai viver todo esse tempo com seu salário de agora? Não tem como!

Como você acha que a resistência da juventude auxilia a luta dos trabalhadores?

Os trabalhadores e a juventude têm que se unir pra derrubar essa PEC, pra não deixar ela passar, porque isso é um ataque à classe trabalhadora. Tem gente que já trabalha, e que ainda não trabalha mas vai trabalhar Tudo isso vai afetar mais pra frente. Todo mundo vai ser afetado. A gente tem que lutar, ir pra rua, fazer todo o possível para que isso não passe. E fazer trabalho de base, panfletar, ir em terminais, conversar com as pessoas.

O método de ocupação: o que ele coloca de novo em relação a métodos anteriores?

A gente ia pra rua, e sempre tinha muita gente, mas não aparecia, ficava tudo por isso mesmo. Aí começaram a ocupar, e foram 850 escolas ocupadas. Tiveram que mudar lei, adiar o Enem em algumas escolas. A gente conseguiu ganhar voz. Com as ocupações o movimento cresceu. A gente mostrou que a gente consegue fazer o que a gente quer.

01.12.2016


Categorias: Edição 45, Entrevista

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