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secundas lutam por todo o país

A luta dos secundaristas está fervendo de novo. Até o fechamento desta edição, eram 72 escolas ocupadas em todo o país contra a Reforma da Educação proposta por Temer. O fogo que começou no Paraná se alastrou pelo país. Em São Paulo, Goiás, Mato Grosso, Rio Grande do Sul e do Norte, Brasília, e Minas Gerais os estudantes apontam o caminho da resistência contra os ataques do governo.

Desde 2015 os estudantes se levantam em fortes movimentos de ocupação de norte a sul do país. Em todo canto a luta é a mesma, o pouco que temos o governo quer tirar. Para que a luta de agora seja vitoriosa é importante aprendermos com a experiência. O Território Livre conversou com lutadores que ocuparam suas escolas em 2015 e 2016. A palavra é dos estudantes:

ORGANIZAÇÃO DOS ESTUDANTES

“Nós mostramos a nossa cara, que era o que não acontecia. Qualquer coisa que a gente queria fazer éramos barrados pela direção. Com a ocupação mostramos que os alunos podem dirigir a escola.’’ R, 17, Niterói

“Era organizado: todo mundo participava das assembleias, tinha democracia, quando alguém queria algo, botava em pauta e era votado. Se concordássemos, seria feito.’’ R, 17, Niterói

“Foram 5 escolas ocupadas. No começo os estudantes das outras escolas, antes de serem ocupadas, estavam aqui para aprender e pra fazer na deles também.’’ L, 16, Niterói

“Nós necessitamos criar um grupo, nós criamos o Secundaristas em Luta. Aí toda semana nós marcávamos assembleias para definir o rumo que iam tomar as ocupações.’’ R, 17, Niterói

O ESTADO E A REPRESSÃO

“Quando a gente barrou o edital no começo do ano, elas (as OSs) deixaram de arrecadar R$ 46 milhões. Deixaram de roubar muito dinheiro. Eu acho que é disso que o Estado tem mais medo, por causa do dinheiro que está por trás.’’ G, 17, Goiania

“Quando começaram os pedidos de reintegração de posse, cada reintegração que saía a gente via que era um medo do estado perante os estudantes: então a gente está fazendo certo! E aí a gente continuou nisso.’’ G, 17, Goiania

“As organizações tinham feito um acordo para marcar o dia que seria feita as desocupações. Nós não estávamos de acordo com isso. Eles não representavam todas as escolas. E a gente ocupou. Aí que aconteceu o racha do movimento secundarista. Os policiais tiraram todo mundo à força, com spray de pimenta, pegando pelos pés, pelas mãos, arrastando no chão, xingando.’’ J, 17, POA

“Agora que teve a desocupação a gente continua sendo bombardeado, então não dá pra separar. Que nem no ato, tem que reagrupar. A gente tá tentando.’’ L, 16, Niterói

O QUE QUEREMOS

“O político não vê o que tá precisando, ele vai fazer algo só pra reparo. Aqui, a gente não quer coisa pequena, a gente quer coisa grande!’’ E, 16, Niterói

”Acho que com tudo isso que aconteceu, toda a galera dos outros estados. Isso é para ver como os secundas estão pensando no futuro! Acabou sendo uma junção: SP, RJ, GO, RS, BA, é tudo o mesmo secunda é tudo uma coisa só.” L, 16, Niterói