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a guerra que o terror esconde

Os atentados terroristas na Europa chamaram a atenção no noticiário, sobretudo no mês de julho, em que o ataque em Nice, cidade da França, matou 84 pessoas. Muito se fala sobre a ameaça do terrorismo, mas pouco se pergunta: quem, no fim das contas, acaba se beneficiando dele?

Logo após o atentado em Nice, o governo francês garantiu a manutenção do “estado de emergência”, que permite, entre outras medidas, que a polícia invada casas sem mandato judicial e proíba reuniões que possam “provocar ou manter a desordem”. E isso em meio a grandes levantes dos trabalhadores e da juventude, que lutavam contra a reforma trabalhista levada a cabo pelo governo de François Hollande. Com o ataque em Nice, a população francesa foi levada a confiar, como única “garantia” de combate ao terrorismo, nesse mesmo Estado que ataca suas condições de vida!

O “combate ao terrorismo” é usado para aumentar a legislação repressiva, necessária para o capital num momento em que a revolta dos trabalhadores só cresce. Não é à toa que a Lei Antiterrorismo, aprovada por Dilma, passou a ser preparada pela burguesia após os protestos de junho de 2013.

Mas não é só por meio da legislação repressiva que a burguesia se beneficia do terror. A indústria bélica movimenta muito dinheiro e, em alguns países, chega a ser um dos setores mais importantes da economia, como nos Estados Unidos. Após o atentado às Torres Gêmeas, os gastos militares dos americanos têm voltado aos níveis da Guerra Fria: em 2003, início da Guerra do Iraque, foram previstos 400 bilhões de dólares para o orçamento militar americano.

Além do “combate ao terrorismo”, o fornecimento de armas e demais equipamentos ao aparelho repressivo do Estado também movimenta muito dinheiro. No auge dos protestos de junho de 2013, a PM do RJ teve que fazer uma licitação relâmpago de bombas de gás lacrimogênio. Levando em conta os valores de 2013, o gasto da cada bomba era cerca de R$ 800, maior do que o valor de um salário mínimo à época (R$ 678). No ato da tarifa do dia 12 de janeiro de 2016, em seis minutos, a PM jogou 49 bombas de gás lacrimogênio, o que dá cercade uma bomba a cada 6 segundos: nesse curto espaço de tempo foram gastos R$39.200 com repressão!

As Olimpíadas foram igualmente um ótimo pretexto para a aquisição de armas e bombas pelo Estado brasileiro: segundo levantamento da Agência Pública, só bombas de gás lacrimogênio foram 4500, R$ 3,6 milhões – e isso num momento em que o Rio não tem dinheiro sequer para pagar seus servidores em dia. Mas para o Estado burguês não poderia ser de outro jeito: a sua prioridade não é oferecer “serviços” à população, e sim se armar para reprimir sua revolta.

Na Grécia, em crise econômica profunda desde 2008, o gasto com o pessoal militar em relação ao PIB é o maior entre os países europeus da OTAN, organização que contém potências como Inglaterra, França e Alemanha. Entre todos os setores afetados por cortes, os gastos militares foram relativamente preservados: em um momento de crise econômica aguda, a burguesia sabe que para se defender da revolta popular é preciso se manter armada na guerra permanente contra nós.