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escola de luta

O projeto de lei “Escola sem Partido” tem sido pauta entre alguns professores e estudantes. O projeto visa legislar sobre qual discurso é permitido dentro das salas de aula. Os que defendem o projeto querem uma cartilha para impedir que se faça “propaganda política” na escola; chegam ao delírio: “é preciso acabar com a doutrinação comunista nas escolas!”

Aqueles que são contrários denunciam o que seria o fim da liberdade nas escolas, fazem coro com a politicagem petista sob pretexto de reunir a “esquerda” em uma campanha contra Temer e o PSDB. Escondem que todos eles, juntos, são responsáveis pela decadência da escola!

O projeto de lei, que é absurdo, já foi declarado inconstitucional pelo Ministério Público. Como entender essa disputa tão artificial em torno de um projeto que não tem chances de seguir em frente? Ainda mais importante: a escola, tal como é hoje, é capaz de estimular a “reflexão crítica”, tão proclamada pelos que são contrários ao “Escola sem Partido”?

Aqueles que defendem e aqueles que são contra o projeto têm muito em comum. Os dois lados dessa falsa batalha acreditam que a escola que existe hoje, com sua forma decadente, pode de fato ensinar algo aos estudantes: nada mais falso!

Se o conhecimento passado dentro das salas de aula fosse de fato transformador, desde que esse currículo existe, gerações e gerações de lutadores sairiam dos bancos escolares. Mas não é o conteúdo ensinado pela escola que a torna local de transformação política! Ao contrário, a escola tem hoje um papel fundamental na reprodução desta sociedade morta. Ela é, quando muito, local de formação de mão de obra barata para o mercado. Os conteúdos são para disciplinar trabalhadores, a vigilância e repressão para nos tornar obedientes e suas ideologias para desviar o foco da luta real.

Se as ocupações secundaristas nos ensinaram algo, foi que no momento que paralisamos a rotina de obediência e interrompemos as aulas com seus conteúdos usuais, e transformamos a escola num centro de organização, somos capazes de produzir um saber vivo. Os estudantes que ocuparam as escolas fundaram uma nova lógica de poder em contraposição às diretorias e ao governo. Foi na escola ocupada que, pela primeira vez, era possível aprender algo de relevante! É neste processo, de criação do poder dos estudantes, que é possível criar as bases de uma escola sem repressão; sem atividades medíocres e sem sentido.

A decadência da escola não é um fenômeno isolado, é a expressão particular da decadência da sociedade burguesa. Em vez de concentrar nossas energias em salvar essa escola, podemos tirar aprendizado das ocupações, e passar a nos organizar paralelamente à rotina escolar, construir um outro saber, baseado na organização independente dos estudantes.

Lutar por esta escola que existe e acreditar que é possível desenvolver nela “reflexão crítica”, mesmo que esporadicamente ou apenas através do mero discurso dissociado da prática, é negar a própria experiência que milhares de estudantes passaram no último período. Não devemos legitimar essa escola medíocre e em ruínas, mas afirmar o verdadeiro processo que ensina e forma: o processo de luta!

01.09.2016


Categorias: Edição 43

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