! saber secreto: o que é greve geral? - Território Livre

saber secreto: o que é greve geral?

Em momentos críticos, quando sente as suas condições de vida serem atacadas com muita força, a juventude e os Trabalhadores retomam a palavra de ordem de “Greve Geral”, como forma de dizer “é hora de parar tudo!”. Essa vontade é legítima; mostra que os trabalhadores têm consciência de que tocam a economia do país.

Porém, “Greve geral” historicamente não é só o que os sindicatos fazem hoje em dia. Tanto no Brasil quanto na Europa, ela é entendida, hoje, como um dia em que tudo para: o transporte para, as fábricas param, o comércio para, etc. Na verdade, “Greve geral” não é só isso; essa é uma concepção simplista. Greve geral, historicamente, na luta da classe trabalhadora, é outra coisa muito mais importante.

A greve geral, no conceito revolucionário, é o momento que antecede a tomada do poder pela classe trabalhadora. Ou seja: é o coroamento de um processo de luta consistente, que cria a condição da revolução. A greve geral prepara e, em certo sentido, quase coincide com a quebra do poder burguês; ela é o golpe de força certeiro que estraçalha a ordem do capital e dá a condição real para a insurreição.

Para que seja possível uma greve geral são necessários os organismos de poder da classe trabalhadora. Quais são eles? Antes de tudo, os comitês autônomos nos próprios locais de trabalho, os Comitês de Fábrica. Os sindicatos, hoje, por mais importantes que possam ser, não organizam efetivamente a classe trabalhadora, como antigamente. O organismo mínimo e mais importante da classe trabalhadora é (ou deveria ser) o “Comitê de Fábrica”, a organização dentro da própria fábrica, em cada local de trabalho, eleita por todos os trabalhadores da fábrica.Todavia, esses comitês foram destruídos pelo capital em nome dos amplos sindicatos, que englobam várias empresas e são subordinados à tutela do Estado.

Os organismos mínimos de poder da classe – os Comitês de Fábrica – são o início da construção do poder dos trabalhadores, que se contrapõe aos poucos, e cada vez mais, de forma crescente e ampla, ao Estado (ou seja, ao poder da burguesia). Esses organismos criam uma gestão compartilhada primeiramente dentro da fábrica, ou seja, abrem a questão: quem manda dentro da fábrica, os operários ou o patrão? Quem decide como, o que e quanto será produzido?

O comitê para a fábrica sempre que preciso, para impor a vontade da maioria. Da generalização e articulação de diferentes Comitês, o poder dos trabalhadores se amplia. Não apenas comitês de fábricas semelhantes se articulam, mas de fábricas de um mesmo ramo de indústria, depois de fábricas de ramos diferentes, depois de trustes, depois de trabalhadores também do comércio e do sistema bancário, etc.

É na própria articulação dos vários comitês, propiciada pela luta, que se amplia o Poder Popular. Assim os trabalhadores começam a entender como funciona a economia e se preparam para dirigi-la quando chegar a hora decisiva. O sinal de que chegou a hora decisiva é dado pela greve geral.

Assim, a greve geral não é a ação grevista de um ou poucos dias; não é a farsa organizada por sindicatos, que envolvem superficialmente a classe para diluir sua revolta — a greve geral é algo muito mais profundo, que surge das entranhas do movimento de contestação dos trabalhadores, e precisa resultar num processo sistemático e sustentado de luta para decidir o futuro da sociedade. Toda greve geral de verdade deve trazer, de forma generalizada a questão: quem manda na sociedade e na economia; quem decide o futuro e o destino do país: a maioria ou a minoria?

Foto: greve dos trabalhadores da Renault, em 1936 – França