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a resistência do povo na frança

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A França está em chamas. A aprovação na Assembleia Nacional de uma reforma trabalhista por meio de um decreto do primeiro-ministro desencadeou protestos da juventude e dos trabalhadores. Entre alguns dos ataques previstos pela lei estão o fim da jornada de trabalho de 35 horas, maior facilidade para demissões, menor pagamento de horas extras e um longo etc. É só isso que os patrões e os políticos reservam a nós: precarização das condições de trabalho e, consequentemente, das condições de vida.

Segundo o “Mouvement Anti-Loi Travail” (Movimento contra a Lei de Trabalho), que acompanha os protestos da juventude e dos trabalhadores por toda a França, trata-se de um ataque semelhante a outros ocorridos no restante da Europa: “é uma tentativa de oscilar em direção a um modelo ‘alemão’ que domina na Europa: uma baixa considerável de salários e nenhuma segurança para o trabalhador”.

Em resposta a tudo isso, os trabalhadores pararam trens há poucos dias da realização da Eurocopa; pararam usinas nucleares, que são a principal fonte de energia no país; pararam inúmeras refinarias de petróleo, dificultando o fornecimento de gasolina; e a cada dia que passa a adesão às greves, paralisações e protestos de ruas só aumenta. Por meio da paralisação da produção e da tomada do controle nos locais de trabalho, os trabalhadores franceses colocam de forma aguda a pergunta: quem é que manda na França? Aqueles que trabalham nela – que garantem, todos os dias, o funcionamento dos transportes, o abastecimento de energia e que produzem tudo o mais – ou a minoria de patrões que quer lhes condenar a trabalhar até morrer, sem garantia de nada?

Ao mesmo tempo em que os trabalhadores resistem, a juventude a eles se alia e enfrenta nas ruas a repressão. De acordo com o “Mouvement Anti-Loi Travail”,“nossas forças estiveram juntas quando cidades como Le Havre e Saint Nazare foram paralisadas por greves em setores estratégicos (estivadores, petroleiros), nas manifestações de rua, onde a juventude mostra sua cólera, como em Nantes, Rennes e Paris ou nas ações coletivas de bloqueio que aconteceram por toda a França.”

Essa luta da juventude é contra a miséria do seu presente: a taxa de desemprego entre os jovens franceses já chegou a 25%! Ainda segundo o “Mouvement”, “os jovens se veem hoje numa situação particular: eles são muito mais atingidos pela pobreza epela precariedade social em comparação com outras gerações e faixas etárias, eles são mais atingidos pelo desemprego e são contratados em empregos mais precários”. Na França e no Brasil, a luta contra a destruição das nossas condições de vida é uma só: é preciso resistir!