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grêmios: ocupação permanente!

Após o processo de desocupações das escolas estaduais e técnicas em São Paulo, ficou a questão: como manter vivo o espírito das ocupações, nas quais os estudantes perceberam que têm poder? Como manter a escola permanentemente mobilizada? Boa parte das escolas viu nos grêmios estudantis uma ferramenta para isso; da mesma maneira, as diretorias e o governo buscaram formas de controle, impondo regras e limitando a sua livre atuação. Alguns usaram formatos mais próximos da cartilha do governo, outros não. Mas para todas há problemas comuns: o desafio de mobilizar os colegas e a necessidade de superar os entraves da burocracia da escola.

Nossa mobilização foi por meio de fanzine. A gente distribuiu pra todo mundo. Mas não foi fácil, porque os professores e a diretoria ficavam fazendo a cabeça dos estudantes pra não votar na nossa chapa, porque a gente tinha ocupado a escola. Mesmo assim, conseguimos mais de 50% da escola inteira. Queriam nos boicotar porque a gente não faz o que a direção pede, faz o que acha certo. Se fizer o que a direção pede, a gente não faz nada.

A ocupação trazia a comunhão entre nós. Aqui, a direção deslegitimava o estatuto que estabelecia o “Grêmio livre”. A direção, quando visualiza os estudantes tornando a escola um ambiente de luta, começa a agir arbitrariamente. Temos vários projetos, debate aberto, reunião… mas eles ficam pondo um monte de burocracia pra não deixar. A Diretoria de Ensino veio até aqui e o assunto mais abordado foi a assembleia geral. Que isso era errado e que isso impede o direito dos estudantes de estudar! A gente sofre uma pressão muito grande, tentamos fazer alguma atividade e eles não deixam. Como garantir? Só resistindo!

Eles só querem punir e acabam punindo quem está no grêmio. A gente pede a primeira vez, eles não deixam, a gente pede a segunda, pede a terceira… queremos fazer, por que não pode? Então a gente vai lá e faz, sem eles deixarem! Se a gente não consegue fazer, a gente é cobrado pelos estudantes. E quando faz, é cobrado pela direção. Prefiro fazer a vontade dos estudantes do que a da direção!

Descobrimos o poder que temos, que a escola é nossa e que sempre foi, o grêmio está aí pra mostrar que a escola não precisa estar ocupada para que nós sejamos os donos dela. Estudante organizado é perigo pro Estado, o que torna a escola mais mobilizada com grêmio é a facilidade de articular. Nós precisamos de liberdade, liberdade para opinar sem que ninguém nos oprima. Provamos que temos voz e somos capazes de coisas incríveis. Precisamos bater de frente. O grêmio incentiva a luta. Mas muitas vezes os estudantes estão enxergando a gente enquanto autoridade, como se a gente quisesse moldar eles. A gente não é melhor que eles. Não podemos fortalecer este individualismo pregado na escola. O sistema público de educação já é carcerário e doutrinador, não necessitamos agir desta maneira. O único jeito é mobilizando. É difícil, é demorado. Só que se a gente começar agora, não vai demorar. Está todo mundo revoltado pelos mesmos motivos.

O pessoal não está acostumado com coisas novas. Essa formação de grêmio não acontecia há 10 anos. O pessoal ainda não acostumou com essa ideia de mobilização. Vai demorar um pouco pro grêmio daqui e das outras escolas ganharem a confiança dos estudantes, que é o mais importante. Hoje tem muita escola que perdeu a essência de luta, que não tem mais a perspectiva da resistência secundarista. Tem muito grêmio que só fica marcando passeio. É visível nos atos secundaristas de hoje, seja por merenda, contra a reorganização, que o número de estudantes caiu. Isso machuca pros secundaristas que estão tentando se manter em luta. Se a gente não começar a se mobilizar de novo, se erguer de novo, é luta perdida. Os caras que estão cortando a educação não brincam. Eles querem cortar mesmo e foda-se. Se a gente não chegar fervendo de verdade, já era. Pode esquecer!