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ocupações: a escola nunca mais será a mesma

Após as ocupações, estudantes não abaixam a cabeça pra qualquer coisa. Os problemas persistem, mas a organização estudantil é a pedra no sapato das diretorias

Agora tem grêmio, as coisas estão mais sérias, os estudantes falam mais dos problemas da escola e a diretoria busca saber mais da opinião do pessoal. Esses dias, teve um debate. Os estudantes botaram a reorganização em pauta. Não foi sugestão do pessoal da ocupação: é só dar espaço. Esse pessoal não tem espaço pra falar! A gente tá arrumando o grêmio agora e estamos conversando bastante com o todo mundo.

Na minha escola tinha grêmio, mas não servia pra bosta nenhuma. A gente quis entrar no grêmio, a chapa era todo mundo da ocupação. A direção montou uma chapa contra a nossa. Não queriam que a gente ganhasse de jeito nenhum. Trocavam as regras, o dia da eleição, queriam que a gente não visse a apuração de votos.

A comissão eleitoral, que devia ser neutra, era metade contra a gente, metade pelego. Entrávamos na sala pra divulgar a chapa, eles falavam que íamos destruir a escola, entregavam panfleto das outras chapas. Teve 3 chapas pro grêmio: a da ocupação, a da diretora, e a da UMES. A da UMES não tinha proposta, só falava da UMES. O pior foi quando falaram que a UMES que deu o passe livre pros estudantes, não os protestos!

No debate, perguntaram qual era a opinião das chapas sobre a reorganização. A menina da chapa da direção falou que não era a favor nem contra. Explicamos pra ela: “amiga, a reorganização é ruim, eles querem fechar escola, demitir professor.” Ela percebeu: “falei bosta!”

No final, ganhamos com mais da metade dos votos. A gente já ocupou a escola, então somos muito organizados. A direção nem negou as nossas propostas porque sabia que a gente ia correr atrás. Foi aceitando tudo, por enquanto. No final, sentei com o pessoal das outras chapas e falei “não vamos sair um esculachando o outro, vamos nos unir”. Tem 14 pessoas na chapa, mas estamos envolvendo mais gente, porque as ideias são de todos.

A gente conquistou com a ocupação manter o turno da tarde, as mães agradeceram emocionadas! Queriam fechar o EJA e na região não tem outro. Tem mais de dez salas vazias, e não querem matricular aluno. No prédio fechado tem o laboratório e a sala de vídeo, e a gente não tem acesso a nada disso.

PROBLEMAS LONGE DE ACABAR

A escola está parecendo uma prisão, tá muito lotado! Falam que na ocupação a escola estava um nojo, que fedia. É mentira! Parece que todo mundo só espera eu fazer alguma coisa. A diretora vem na escola uma vez por mês, e quando vem vai sempre na nossa sala. Os policiais da ronda escolar ficam aqui, bem onde a gente senta pra conversar. Quando colaram os cartazes do TL, já chamaram a gente lá na secretaria. Ficaram com medo, imaginando que vai ter reocupação. Tudo que acontece na escola agora é responsabilidade do grêmio. Eles ficam cobrando, pra gente cobrar os alunos. Apareceu um picho lá e falam que fui eu. Um dia estourou uma biribinha e o policial sacou a arma, dentro da escola! A tia da merenda falou que reduziram a quantidade que mandam. À noite, dão bolacha com água. O arroz parece reboco de parede. Os últimos chegam e não tem comida. Eles realmente tratam a gente como uns bois!

Texto escrito a partir do relato de 12 estudantes, de três escolas da grande SP.

Leia o manifesto da Escola Paralela!