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saber secreto: o que é exército de reserva?

Segundo dados da ONU, há cerca de 210 milhões de desempregados no mundo. Isso é mais do que a população do Brasil. Imagine se existisse um país só de desempregados. Esse país seria o Exército de Reserva. Reserva para quem? Para o sistema capitalista.

Os conceitos de Exército Industrial de Reserva, ou Superpopulação Relativa, foram desenvolvidos pelo revolucionário alemão Karl Marx, sobretudo no capítulo XXIII de O capital. Em que consistem esses conceitos? Em algo simples: o capitalismo, para se manter, precisa, necessariamente, de uma população a mais em relação à que está trabalhando. É a população que está sobrando, que não está empregada. Essa superpopulação é condição de existência do sistema; uma alavanca para ele poder acumular; é algo de que o capital dispõe e usa em qualquer momento que queira expandir-se ou aumentar a exploração do trabalho.

Imagine: você está empregado e seu patrão resolve não te dar aumento salarial ou rebaixar seu salário (seja reduzindo o valor, seja fazendo você trabalhar mais, ganhando o mesmo valor). Isso é um absurdo, mas muitas vezes as pessoas são obrigadas a aceitá-lo pois sabem que há, fora de empresa, uma enorme fila de pessoas que querem trabalhar e que ocuparão sua vaga por um salário mais baixo. Essa fila é a superpopulação relativa, ou exército de reserva; é o número a mais de pessoas, não absorvidas de forma regular na produção, que serve apenas, na lógica do sistema, para fazer pressão sobre quem trabalha.

Em certo sentido, reina a lei da oferta e da procura. A sua “capacidade de trabalho” é uma mercadoria como todas as outras, e é vendida no mercado de trabalho. O valor médio dessa mercadoria “capacidade de trabalho” depende do que você precisa receber em dinheiro para mantê-la (precisa se abrigar, dormir, se alimentar, etc.). Mas esse valor médio pode subir ou descer de acordo com a oferta e a procura dessa mercadoria no mercado de trabalho. Se há muita oferta da mercadoria força de trabalho “pedreiro”, por exemplo, ela fica mais barata. É para isso que serve o exército de reserva: para manter sempre a oferta abundante da mercadoria força de trabalho no mercado de trabalho, e, assim, ajudar os capitalistas a rebaixarem os salários, aumentando os lucros.

Eles podem abaixar o salário absolutamente? Não, há um limite físico e biológico, após o qual o trabalhador fica degradado e morre. Marx enumerava quatro níveis da superpopulação relativa: flutuante, latente, estagnada e no pauperismo. A flutuante é a que consegue emprego por mais tempo do que fica desempregada, mas está sempre no risco. A latente é a que vem a mais, por exemplo,
a que era do campo, que trabalhava como camponesa e migrou para a cidade para trabalhar em grandes empresas. A estagnada é a que está sempre em atividades irregulares, em empregos instáveis e temporários, como bicos e trambiques. A no pauperismo é a que já não consegue ser absorvida no mercado, a que já atingiu um grau de indigência, mendicância e deploração, mas mesmo assim serve para pressionar o mercado de trabalho.

Mais de 1,5 bilhão de pessoas vivem na categoria de “estagnados”, ou seja, em subempregos. No Brasil, sabe-se, quase metade da população vive como flutuante ou estagnada. Os governos Lula e Dilma resolveram fingir que o emprego estagnado é similar ao emprego estável e, assim, fizeram novas estatísticas, falando que o Brasil vivia quase no pleno emprego. Hoje começa a ficar claro que isso era mentira. Da mesma forma, programas como o Bolsa Família ou o Fome Zero servem para manter o exército reserva. Esses programas, pagos com impostos dos trabalhadores, são feitos para manter o setor social que pressiona os próprios trabalhadores empregados. Não se trata de medidas compensatórias, mas de medidas necessárias ao aumento da exploração.

A existência do exército de reserva deixa claro que diminuir a desigualdade no capitalismo é impossível. Não há como diminuí-la, pois o sistema se funda na desigualdade. Também não há liberdade, pois quem está trabalhando não tem outra opção, a não ser se submeter para sobreviver.

É assim que funciona… até que os trabalhadores, empregados e desempregados conseguem se unir e dar um basta em toda essa merda!