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juventude ocupada

A onda de ocupações nas escolas de SP dá novo fôlego para a luta da juventude. Aqui, relato montado a partir de depoimentos de mais de 10 estudantes, de três escolas diferentes da grande SP.

Depois de vinte dias que a gente passou nessa ocupação aumentou nossa maturidade. Até a escola mudou, antes pra nós era como se fosse apenas um prédio, a gente era oprimido pelo diretor. Por um momento a gente teve um poder maior do que ele aqui dentro. Policial mesmo, vieram dois disfarçados aqui, falando que era professor, mas polícia aqui não entra, parça!

Eu não sabia do que a gente era capaz. Agora, com as ocupações, a gente sabe a nossa força e o sistema também: é bom o sistema ficar sempre com um pé atrás com a gente. A gente colocou as nossas trancas, nossas correntes, nossos cadeados, a gente é que tem o controle da escola. A gente trancou o portão, mas abriu muitas portas e possibilidades para a nossa vida.

Quando a gente ocupa um espaço, a gente tá dizendo que este espaço é nosso. Quando a gente ocupou eu senti isso: eu só tô tomando o que é meu. A escola é agora como a gente sempre quis. Porque além da diretoria sempre impor regras, na escola sempre havia uma divisão em salas, eles implantam essa rivalidade nos alunos. Que é a mesma rivalidade do trampo.

Rola aquele pensamento: “Posso repetir de ano, posso pegar DP…”. Mas a gente aqui entendeu que lutar, tentar fazer a vida melhorar é melhor que nota, tá ligado? A galera do trampo, de fábrica e tudo o mais também tem esse medo. Isso é até forjado pelo próprio patrão. Como aconteceu aqui, o diretor chantageava pra você não fazer parte, ameaçando que você ia perder isso e aquilo. Com os trabalhadores seria a mesma coisa. Mas o daora seria se eles entendessem que o poder deles é bem maior do que o do patrão.

Seria uma boa os trabalhadores ocuparem também porque no local de trabalho o patrão quer pagar o mínimo do mínimo e trata o empregado como escravo. Tem muita injustiça que faz o povo sofrer. A gente tá lutando por algo que é dos estudantes, que a gente sente.

A gente quer cancelar a reorganização pra não fechar o ensino médio aqui. No ano que vem, se a gente decidir que quer fazer algo mudar, a gente muda e pronto. Se quiser fazer um grêmio, a gente consegue. A gente faz assembleias. Tem que resistir! O diretor não tá brincando de ser diretor, o coordenador não tá brincando de ser coordenador, e a gente não pode brincar de ser estudante!

Na verdade, a gente aprendeu que fazer política não é fazer politicagem. Aquela palhaçada que chamam de política. A gente não tem nenhum tabu de dizer que isso é, sim, uma discussão política. O que eu aprendi de política nessa ocupação eu não aprendi em 7 anos de escola. O que teve de atividade cultural, arte, teatro, música, maracatu. A gente viu uns 4 ou 5 teatros aqui na ocupa. Acho que nunca teve isso na história da escola. Fiquei sabendo de muita coisa que eu não sabia, aprendi a me manifestar. Na ocupação, aprendi mais do que na escola e aprendi pra minha vida.

Se for parar pra pensar, quando foi que teve um movimento secundarista desta amplitude no Brasil? A gente tá fazendo história. A gente vai mostrar pros governantes que a gente quer mudança, que a gente não vai ser fantoche do governo. A gente não aceita mais a corrupção, a educação como tá, não aceita mais as coisas como estão no nosso país. Tanto o governador, presidente, tanto faz! A gente não aceita mais as coisas como estão.

Pobre tem que aprender a lutar. A gente não pode só apanhar. Acabou a paz, mano! Você quer mexer com a gente? Acabou a paz pra você! A gente não tá só nesse cubículo dessa escola, o que a gente vai fazer é bem maior. Vamo pra luta, caralho!