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juventude desocupada

Os jovens que arcam com a crise relatam o desemprego e a pressão pros que seguem trabalhando

CRISE E DESEMPREGO

Jordan, 20, Guarulhos
Estou trabalhando pra caralho, porque lá na empresa estão mandando muita gente embora, sobra muito serviço pros outros. Sou escravizado.

Laise, 20, Guarulhos
Comecei a trabalhar como jovem aprendiz. Eu gostava, mas já estava em crise, não quiseram contratar os aprendizes. Depois fui para o telemarketing, mas demitiram quem tinha menos de um ano. Eu entrei com 32, 17 foram demitidos.

Camila, 16, Guarulhos
Eles iam me mandar embora, porque eu tinha que bater a meta. A comissão era uma mixaria. Eles falaram que estava numa crise feia, mas a empresa vende mais de 100 mil reais por mês… Ficava sozinha no meio da loja vendendo, porque o resto eles mandaram embora.

Joana, 16, Centro SP
Trabalho com meus pais. É complicado, tem hora de entrar, não tem hora de sair. Procuro outro trabalho, mas teria que largar meu curso e só tem fast food ou telemarketing. Emprego pra entrar e crescer é uma pessoa em cem que consegue.

FORMAÇÃO = OPORTUNIDADE?

Christian, 18, Centro SP
Fiz SENAI, mas diminuiu a vaga de estágio e tão contratando poucas pessoas. Esperava sair com emprego, estudei dois anos pra quê?

Beth, 24, ZL SP
As vagas que abrem estão muito disputadas, sou técnica e tenho que disputar com quem tem faculdade. Tem aquela cobrança em casa: “Você estudou e não está conseguindo.”

Matheus, 16, Guarulhos
Queria trabalhar de barman ou de barbeiro. Mas é difícil porque tudo depende de curso, é treta fazer essas coisas sendo pobre.

Sofia, 27, Grécia
Não tem como você ficar pensando: ‘’Eu estudei isso então eu quero construir uma carreira’’. Eu não tenho a oportunidade de pensar assim.

José Luis, 15, Centro SP
Fiz curso de auxiliar de escritório, mas tá difícil. Esses tempos eu procurei em lava rápido, essas coisas. Você fica
assim “caralho, será que vira correr atrás?” Muita gente cai para o lado errado por não ter opção de trabalho.

DESEMPREGO: EXPLORAÇÃO PRA QUEM FICA

Camila, 16, Guarulhos
Eles não viam a hora que eu fazia a mais, mas se eu chegasse minutos atrasada, descontavam. Tive anemia grave, por falta de me alimentar, era muito corrido. Entrei lá com 56 quilos e sai de lá com 46, em sete meses. Já estava com chance de repetir o ano na escola por causa de falta e com as faltas cortavam o bolsa família.

Lucas, 21, Guarulhos
Eu era auxiliar de serviços gerais, então tinha que limpar a loja, cuidar das plantas e ajudar o vidraceiro no carro. Fazia três serviços, mas recebia só pelo de ajudante geral.

OS PATRÕES SE APROVEITAM

Sofia, 27, Grécia
Eles falavam: ‘’Trabalha sem receber por dois dias e aí se você for bom eu te contrato.’’ Aí eu percebi que tinha gente tocando as empresas só com isso.

Beth, 24, ZL SP
Minha supervisora falou: “vou te mandar embora porque você sabe demais, sabe de CLT, entende o holerite, está explicando isso pras pessoas, isso prejudica a empresa. Daqui a pouco você vai organizar um motim aqui, estou com medo”.

E O ESTADO…

Carlos Augusto, 20, Guarulhos
Antes, com seis meses de trabalho, já tinha o seguro desemprego. Agora é um ano. Palhaçada, não tem pra pagar seguro desemprego, não tem pra manter o cara na empresa, mas o salário do político dobra.

Francisco, 21, Santo André
Se não bastasse todo mundo ferrado com medo de ir pra rua, agora temos que engolir um salário menor. Aqui tão aplicando esse PPE, falam que é pra proteger o emprego, mas pra nós só piorou. É um baita terrorismo.

Lucas, 21, Guarulhos
Diminuir o seguro desemprego é um equívoco. A pessoa se mata de trabalhar, pra ganhar uma merreca, paga imposto, e quando perde o emprego não tem segurança?

COMO RESISTIR?

Sofia, 27, Grécia
Conheci pessoas que se juntaram em grupos dentro das empresas para pressionar seus chefes e ganhar seus direitos. Elas ganharam essas lutas e mantiveram seus empregos.

Junior, 17, São Bernardo do Campo
Não adianta exigir as coisas desse pessoal (os governos). Se os trabalhadores encontrassem um meio, igual os estudantes fizeram nas escolas, pode funcionar, sim. Lutar por conta própria, isso seria uma revolução!