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o papel da escola hoje

O capitalismo começou a implementar a educação pública e gratuita no Brasil por volta de 1930. Seu intuito era ter mão de obra com formação básica (ler, escrever, fazer conta, etc.) para criar um parque industrial. Além disso, a escola serviu para liberar os pais do controle da criança, sobretudo a mãe, que poderia ser inserida no mercado de trabalho (o que possibilitaria criar uma média salarial mais baixa).

À medida que os trabalhos foram se tornando simplificados (graças aos desenvolvimentos técnicos), o caráter formador das escolas foi sendo deixado de lado. Sobretudo após a Ditadura Militar, elas foram destruídas rapidamente. As escolas passaram a ser desnecessárias: aqueles que querem formação técnica fazem curso técnico, e aqueles que querem formação ampla fazem universidade.

A educação básica foi destruída, mas as escolas permaneceram para um função primordial: controlar a juventude. A sociedade do capital pensa que se a juventude ficar solta pelas ruas, ela vai fazer “bagunça”, “rolezinho”. Se a juventude ficar pela rua, ela exercerá sua vontade de viver e conhecer o mundo… Mas isso é perigoso para o capital. A nossa vontade de viver e ser livre contrasta com o caráter mórbido desta sociedade. Como não há emprego para todos, a sociedade prefere nos ver presos em vez de “vagabundeando” pela rua.

Quem se revolta contra a escola-prisão é taxado de baderneiro. Estão sempre dividindo os jovens entre estudiosos e baderneiros. Muitas vezes os próprios estudantes acabam aceitando a divisão, como se a culpa da escola ser uma prisão fosse dos baderneiros, e não do sistema. E mesmo os professores são jogados contra nós, mas eles também são vítimas, são controlados e recebem salários baixos. Não são culpados. A necessidade de controle é tanta que até os grêmios, que serviam para auto-organizar e representar os estudantes, são manobrados pelas diretorias. E agora, que fazer?

Foto: Cartaz em escola ocupada do Chile: “Alguns passarão de curso, passaremos para a História”.

01.09.2015


Categorias: Edição 39

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