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juventude enjaulada

O QUE ESPERÁVAMOS

Adriana (São Bernardo)
“Eu não tinha tanta expectativa mas, provavelmente, esperava aprender mais do que eu aprendi até agora.”

Johnny (Guarulhos)
“Ah, eu esperava educação normal para todos. Que todos que tivessem aquela educação tivessem liberdade sobre o que fazer. Mas isso você não tem.”

COMO ESTAREMOS DEPOIS

Aron (Guarulhos)
“Eu planejo estar como eu entrei, vai ser quase a mesma coisa de como eu vou sair. O que você aprende, aprende mais na rua do que dentro da escola.”

Adriana (São Bernardo)
“Eu vou tomar muito tapa na cara da vida… pela qualidade do ensino.”

Letícia (Osasco)
“Como se eles se preocupassem com a gente pra depois que a gente saísse daqui… Eles querem é que a gente saia logo.”

PRA QUE SERVE?

Adriana (São Bernardo)
“Só pra não ficar na rua. Pra ter um lugar pra você ir. A escola não dá autonomia pro aluno. Autonomia pra pensar.”

Igor (Guarulhos)
“É como você colocar um curativo em cima do machucado, ele não vai sarar, a parada vai sangrar, é isso que eles fazem, só colocam uma fachada em cima pra você não ver o que tá acontecendo, entendeu? Então, é o que acontece muito com o ensino público e isso é muito revoltante.”

ESCOLA = PRISÃO?

Adriana (São Bernardo)
“Na quadra, grades altas. Do lado, ao redor da escola, muros também super altos. Dentro também, portas sempre fechadas.”
Sabrina (Osasco)
“Em uma prisão, como na escola, temos horários, somos mandados a todo tempo, nos vemos presos, não temos liberdade de expressão, nossas opiniões não são válidas.”

Caíque (Osasco)
“Se você quiser tacar fogo no lixo você taca, se quer zoar a mesa você zoa, se quer bater nos outros você bate, o bagulho é louco, tio! É que nem cadeia o bagulho!”

Lucas (Osasco)
“Aqui a gente tem que ver o sol quadrado, literalmente. Se você olhar por ali, oh! Você vê o sol quadrado.”

Jonas (Osasco)
“Se é pra passar, era bom pelo menos aprender qualquer coisa, né.”

Sabrina (Lapa)
“Hoje a gente vê muito aluno passando de ano sem aprender, entendeu? Só pra não ficar ali ocupando espaço, então acho que acaba não tendo muito valor.”

SOB CONTROLE

Bia (Osasco)
“Estamos sempre sob controle, não só dos professores. Os estudantes não são ouvidos, acaba nos sufocando. Queremos falar, queremos nos manifestar, não somos apenas números e os controles nos fecham, nos deixam encurralados.”

Sabrina (Lapa)
“Toda escola tem uma hierarquia. Tem a diretora, o pessoal do administrativo, coordenador. A gente aprende que tem sempre que obedecer alguém. A lei diz que somos livres, mas não é bem assim.”

Daniela (São Bernardo)
“A escola ensina a gente a se comportar, a seguir o sistema, andar na linha. Não com sucesso, mas ela tenta. Ensina a gente que temos que criar uma família, trabalhar, arranjar um emprego em primeiro lugar, ter um carro, consumir para poder movimentar o capitalismo e a gente não pode pensar.”

Lucas (São Bernardo)
“A escola serve para os estudantes não fugirem dos parâmetros do governo. Se o aluno está de acordo com as necessidades do governo, é útil. Mas se a pessoa se destaca, quer algo a mais, precisa ser controlada.”

Adriana (São Bernardo)
“É para você aprender que em tudo na vida vai ter alguém olhando pra você e que tem regras.”

E SE A ESCOLA FOSSE NOSSA?

Daniela (São Bernardo)
“Acho que seria interessante, teríamos amizade com os professores, sem hierarquia, todo mundo ia estar aprendendo, tendo uma relação de igual pra igual.”

Bia (Osasco)
“Os professores entrariam na sala com vontade de ensinar, os alunos iam ter vontade de aprender. Não seriamos vistos pelo governo como piada. Não seriamos apenas um número de alunos não-alfabetizados.”

Daniela (São Bernardo)
“Uma escola ideal eu imagino aquelas escolas gregas do passado, onde as pessoas iam e aprendiam o que o dia mostrava. São as coisas que geralmente a gente aprende o tempo todo.”

Diego – INBA (Internado Nacional Barros Arana) – escola ocupada pelo próprios estudantes secundaristas (Santiago, Chile)
“Mais do que tudo, as escolas ocupadas de ensino médio são organizadas de uma maneira bem democrática, já que todos os estudantes participam. Até há professores que querem acompanhar. Eles ajudam. Nos almoços comunitários se encontram professores e alunos almoçando igualmente. Este estado hierárquico que existe atualmente nas escolas foi quebrado nas ocupações. Às vezes se dão aulas, mas de uma maneira muito mais popular.”