! cultura encarcerada - Território Livre

cultura encarcerada

LINHA DE FRENTE: ABAIXO A REPRESSÃO, TODA LIBERDADE EM ARTE!

Com a palavra, Jorge Mário e Sub Zero, os jovens que dão o gás nas batalhas de rap independentes no ABC e que resistem às tentativas de repressão e cooptação da prefeitura.

SZ: É muito fácil após o movimento formado chegar a Prefeitura e falar “vamos apoiar aqui” e colocar o nome. Se for feito da forma que eles querem, tudo controlado, a gente perde o movimento independente, que é ocupar o espaço público.
JM: Pra quem faz o Hip Hop, quando cede à Prefeitura, ela dá uma estrutura. Tudo tem um valor e a moeda nem sempre é o dinheiro. Pro sistema a moeda que eles querem é a informação, aquilo que você fala condizer com o que eles querem passar.

Os chacal

JM: Os patrões e o governo podem ser a mesma coisa, a polícia é só uma ferramenta deles. Hoje eles podem reduzir sua carga horária e seu salário quase pela metade. Já é um salário que nem dá pra sobreviver direito, só um aluguel na favela é 400 a 600 reais.
O que o sistema tá fazendo, utilizando dessa crise, é a ditadura camuflada. É a mesma coisa do que na escravidão, só muda que pro patrão é até mais fácil. Ele tinha um escravo e não pagava um salário, mas tinha que garantir que o escravo ia ter condição de trabalhar: alimentar, cuidar da saúde, dar um espaço pra dormir. E hoje em dia não.

Elo de resistência

SZ: Independente da visão geral do CD o que a gente quer deixar firme mesmo é nossa liberdade de expressão.
JM: A gente fez a faixa Revolusangue nos protestos de 2013. O linha de frente surgiu em meio aos protestos, junto com os black bocs e nesse som tem recortes de discurso da Dilma e a Tropa de Choque tacando bomba.

NA BATALHA

ABC: Cercadinho do Marinho
É uma hipocrisia monstra né mano, a jogada deles é fazer eventos grandes em troca da visão de que eles é que fizeram. Aqui não reconhecem porque não é no cercadinho da pista com documento assinado. Lá eles tem o controle do evento, eles podem fazer evento de Rap e tal e falar que fortalece o Rap. Como eles não tem o domínio daqui a opção deles é a opressão.

Guarulhos: Nós eles não quebra!
Tem um monte de gente aqui, não tem som, não tem apoio da prefeitura, não tem bandeira nem nada. Tem os pichadores e o pessoal que vem aqui pra rimar. Eles podem vir pra quebrar o som, mas não vai quebrar cada um que tá aqui. Na gravação do show do Nocivo, cortaram a luz duas vezes. Se a gente não correr por nós mesmos, não tem chão.

Osasco: Led é na Led!
A batalha é da Led, porque era lá na praça Led. Fazer aqui (na estação) já é uma repressão. A justificativa dos caras é dizer que tava ocorrendo venda de droga, mas quem tem responsabilidade disso não é a organização. A batalha estava ganhando uma proporção tão grande que os caras falaram “opa, isso ai não é nosso, vamos brecar isso aí”.

ABC: 700 no ataque
Não deve haver preconceito entre nós mesmos. Tem gente que vem ver a cultura e gente que vem por conta do fluxo de gente. Mas não deixa de ser um ataque da periferia no centro comercial da cidade. É importante que tenham 700 jovens na praça, isso quer dizer alguma coisa.

Foto: Linha de Frente no lançamento do CD “O Elo da resistência” na Batalha da Matriz, SBC.