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[panfleto] não é só por 20 centavos!

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Os atos contra o aumento da passagem de ônibus na Grande São Paulo, convocados pelo Movimento Passe Livre (MPL) reuniram uma grande quantidade de lutadores nessa última semana. Sua adesão pela juventude não é de se espantar: o custo de vida não pára de aumentar em uma situação de desemprego crítico e de rebaixamento salarial em todo o país. Para a juventude que estava nas ruas desde 2013, a possibilidade de se colocar em protesto contra a piora das suas condições de vida é latente. Todos sentem que é necessário organização para barrar todos os ataques desferidos contra nós e sentem a urgência de construir uma nova direção para se manter em luta.

O movimento atual erguido contra o aumento da passagem não é só por 20 centavos, assim como em 2013 também não o foi. Não apenas porque sentimos pesar sobre nós os custos de uma vida mais cara e difícil, com o aumento geral dos preços das mercadorias básicas, mas porque a conjuntura exige mais poder de fogo e de diálogo junto à população para barrar os ataques da burguesia contra todos. A nefasta reforma trabalhista foi aprovada e já está em vigor na maioria das empresas, rebaixando os salários e as condições de trabalho e de organização; a reforma previdenciária, que pretende roubar a aposentadoria dos trabalhadores, deve ser votada já em fevereiro.

Não há como ignorar que a crise econômica e política no país coloca novas potencialidades e também novas responsabilidades sobre o movimento atual. Em 2013, o movimento precisou extrapolar a pauta dos transportes, por vontade e necessidade. Em 2015, foi colocada a importância de se relacionar essa pauta com a crise hídrica em São Paulo. Hoje não é diferente. Limitar conscientemente essa luta como uma “luta do transporte” (um movimento apenas pelos 20 centavos) é se eximir da responsabilidade revolucionária de construir um caminho para barrar as reformas.

Marcar o segundo ato na casa do prefeito Dória não é só inócuo para o movimento (provavelmente o esvaziará) como é estabelecer sua limitação, o direcionando apenas à prefeitura. Temos que bater no playboy Dória, mas temos responsabilidade maiores para construir um movimento revolucionário no país e, para isso, devemos dialogar com a população, interditando vias importantes da cidade.

LUTAR CONTRA AS REFORMAS!

Para que o movimento consiga de fato avançar (conseguir barrar o aumento da passagem e ajudar a construir um pólo de resistência contra as reformas) é urgente extrapolar os limites da pauta dos transportes (passe livre, tarifa zero, etc) e dialogar com a imensa revolta da população. Em geral, mesmo que olhe com certo respeito, a população não vê essa luta como sua, embora queira protestar (contra as reformas principalmente). O trabalhador comum diz: “Entendo esse movimento da juventude e compartilho da sua radicalidade. Mas deviam protestar também contra a reforma da previdência, que o governo quer aprovar mês que vem…”.

Conseguir estabelecer um diálogo com a classe trabalhadora, ostentando nos atos também um protesto contra as reformas (sobretudo a reforma da previdência), é a responsabilidade que cai sobre nós lutadores. Essa frente, se tiver poder de fogo (mobilização de rua) pode, no momento em que houver novos atos contra a reforma da previdência, fazer passeatas mais radicais e autônomas. Ou seja, abrir um caminho mais geral para construção da esquerda radical. Basta a direção do movimento saber explorar as contradições da conjuntura nacional, que é explosiva. A juventude deve, sobretudo, apoiar a luta dos trabalhadores e saber desencadear um movimento maior contra a burguesia.

4.00 NÃO!
CONTRA AS REFORMAS DO GOVERNO!
NÃO É SÓ POR 20 CENTAVOS!