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solidariedade aos refugiados venezuelanos

Nesse final de semana, refugiados venezuelanos foram expulsos violentamente da cidade de Pacaraima, cidade do interior de Roraima que faz fronteira com a Venezuela. A população incendiou roupas, pertences, documentos e até mesmo comida que muitos pretendiam levar para suas famílias na Venezuela.

Antes de mais nada, é preciso entender a situação. A ditadura de Maduro levou a Venezuela a uma crise econômica sem precedentes: a inflação projetada para o ano de 2018 no país é de 1.000.000%. A população venezuelana, sem saída para comprar o próprio alimento, tem migrado para países vizinhos em busca de condições melhores de vida. Cerca de 500 venezuelanos entram por dia no Brasil apenas pela fronteira de Pacaraima, cidade onde houve o confronto, e mais de 16 mil venezuelanos pediram refúgio em Roraima em 2018.

A cidade brasileira, por sua vez, é uma cidade de cerca de 10 mil habitantes, extremamente pobre, onde apenas 21% da população tem saneamento básico em sua casa. Para a população, a chegada de refugiados venezuelanos significa mais disputa pelos poucos recursos presentes na região e, sobretudo, uma queda geral no valor do salário, pois terão muitos venezuelanos se oferecendo para trabalhar por um salário muito inferior ao dos brasileiros. Essa situação, de disputa, atinge sobretudo os moradores mais pobres da região, que já trabalham por um salário de miséria.

Parte da esquerda já foi correndo gritar que o ocorrido desse final de semana representa o fascismo. Concordamos que ação dos moradores de Pacaraima deve ser repudiada e combatida. Mas o que isso mostra é a situação de calamidade, barbárie, em que a Venezuela e o Brasil chegaram, pelas mãos dos governos chamados “progressistas” ou “de esquerda”. Lula e o PT passaram anos dizendo que haviam acabado com a miséria e a extrema pobreza no Brasil e o que vemos são pessoas expulsando outras por medo de perder o que pouco que elas têm.

Evidentemente, que esta situação foi gerada pelo desespero e a miséria dos trabalhadores, que, sem saída, começam a lutar um contra os outros em busca de sobrevivência. Mas, assim como o fascismo pode se aproveitar desse sentimento e fazer dos trabalhadores venezuelanos refugiados o bode expiatório dos problemas nacionais, a “esquerda” comete o erro contrário, ao chamar os pobres moradores de Roraima de fascistas, para desviar do problema central: essa situação só chegou até aqui por culpa do PT e de seu herdeiro Michel Temer.

Repudiamos os atos de xenofobia e violência que ocorreram essa semana em Roraima e nos solidarizamos com todos os venezuelanos envolvidos no ocorrido. Repudiamos também os governos de Maduro, Lula e Temer, que são os verdadeiros responsáveis pelo que aconteceu nesta situação absurda! Nenhum governo burguês será perdoado!