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balanço do tl sobre o primeiro turno das eleições

OS TRABALHADORES E A JUVENTUDE QUEREM SAIR DA LÓGICA PT X PSDB!

O Território Livre compôs com outros grupos políticos e ativistas independentes a Frente pelo Voto Nulo, que por meio dos comitês nos bairros aproximou novos lutadores e ergueu uma vigorosa campanha.

Consideramos que nossa linha de intervenção foi correta: acompanhamos o sentimento geral da classe trabalhadora e da juventude contra o sistema político burguês. Um setor cada vez maior pouco espera de mudança dos partidos atuais ou mesmo do sistema político atual.

Nacionalmente o voto nulo, branco e abstenção cresceram. Nacionalmente o aumento não foi tão expressivo, mas foi expressivo nas grandes cidades. No estado de São Paulo, por exemplo, o voto nulo dobrou em relação a 2010.

Antes de analisar melhor os dados, colocamos uma questão: teria sido isso resultado da agitação da Frente pelo Voto Nulo, que apesar de pequena foi aguerrida e comprometida com uma campanha que durou quase dois meses?

Consideramos que não: o grande mérito desta campanha foi estabelecer um diálogo com um sentimento que já estava colocado em grande parte da população, o mérito da campanha foi estar de ouvidos abertos para a insatisfação geral do povo, cada vez mais evidente desde junho de 2013 e nas inúmeras greves e manifestações ocorridas desde então.

O VOTO NULO E A EXPRESSÃO CONSCIENTE DO PROTESTO

No estado de SP, houve 2.374.384 (9,23%) de votos nulos em 2014, em 2010 foram 1.326.601 (5,24%). O voto branco — que é muitas vezes compreendido pelos trabalhadores como igual ao nulo, ou seja, como protesto, também cresceu expressivamente: 2.020.124 (7,85%) em 2014, sendo que em 2010 foram 1.230.124 (4,86%).

Podemos considerar, em linhas gerais, que o voto nulo e o voto branco são votos de protesto. A diferença entre eles em parte se apaga hoje, com a urna eletrônica, e muito trabalhador vota branco para protestar. Da mesma forma, é muito interessante analisar que mesmo não existindo a tecla “nulo” na urna, muitos trabalhadores digitaram 00 ou outro número inexistente e anularam seu voto, o que é algo relativamente complexo — e o aumento de voto nulo foi superior ao de brancos. Ou seja: trata-se de uma postura consciente de protesto que cresceu expressivamente.

O destaque parece ser também das abstenções em SP: 6.242.04 pessoas (19,52%), quando em 2010 foram 4.979.456 (16,44%).

Mesmo com esse aumento e com esse número absoluto sempre maior de abstenções, acreditamos não termos errado ao não defender a abstenção. É preciso pensar e considerar que a abstenção é muitas vezes um voto de miséria, ou seja, expressão da pobreza material completa (moradores de rua, desempregados etc.). Considerando que de 2010 para 2014 houve uma mudança significativa na situação econômica brasileira, é bastante considerável que o aumento da abstenção signifique também aumento da miséria nas grandes metrópoles. Ainda assim, não devemos desconsiderar, nem criticar, o aumento da abstenção, que pode sim significar também aumento nos votos de protesto.

O fato principal é que o voto de protesto aumentou — particularmente o voto nulo, que dobrou em algumas capitais —, o que significa que a classe trabalhadora e a juventude estão revoltados contra o que está aí e ainda não encontram caminho.

A POLARIZAÇÃO PT X PSDB

A falsa e inconsistente “terceira via” de Marina afundou tão logo veio à público. Ocupar o espaço do novo com o velho é evidentemente impossível. A única coisa que apontou para o novo no primeiro turno foi, evidentemente, o desejo de mudança dos trabalhadores e jovens expresso no voto de protesto. Agora, para o segundo turno, cabe considerar o seguinte:

A configuração Dilma X Aécio (a falsa polarização entre PT e PSDB) é algo favorável ao voto nulo porque sintetiza a velha política, que não nos oferece perspectivas.

Nos parece que em geral é a pequeno-burguesia (universitários, intelectuais, setores bem estabelecidos das metrópoles) que tende a votar em Dilma contra o grande mal Aécio. Temos de desconstruir esse discurso pequeno-burguês e evidenciar sua cegueira.

Por outra lado, nos parece que votar em Aécio para tirar Dilma é algo que pode ter certo respaldo na classe trabalhadora (46 das 58 zonas eleitorais da cidade de São Paulo, muitas delas muito pobres, votaram em Aécio. Da mesma forma, a maioria das cidades do grande ABC optou pelo PSDB). Isso se dá pela ausência de alternativa para a classe trabalhadora, cansada das traições do PT, que o nega de forma errada.

Ainda assim, é mais provável que os elementos mais avançados da classe trabalhadora e da juventude se vejam novamente no mais do mesmo insuportável; que não vejam caminho e optem pelo voto de protesto ainda em maior escala

Em São Paulo a conjuntura de negação ao PT e ao PSDB é clara. Alckmin parece ter se erguido triunfal com 60% dos votos válidos, mas na verdade teve apenas 35% dos votos e a força política que de fato o deslegitima são os votos de protestos, em número superior ao segundo colocado, Skaf.

As lamúrias frente à vitória de Alckmin são completamente hipócritas por parte dos petistas ou semi-petistas. O PT não ergueu seriamente a campanha de Padilha, para não se comprometer com o PMDB de Skaf, partido de sustentação do governo Dilma. A força de Alckmin significa apenas a fraqueza da esquerda petista e semi-petista, diante da qual a classe trabalhadora não vê caminho, e que, em última instância, alimenta o projeto falido reformista e centrista do PT. A força de Alckmin é de responsabilidade exatamente desses que choram e lastimam.

Por isso, temos um grande desafio de ampliar nossa campanha no segundo turno, porque ela pode corresponder mais diretamente à vontade da classe trabalhadora, sobretudo dos elementos mais avançados e mais radicais.

CHAMADO PELA UNIDADE DA ESQUERDA: VOTO NULO PARA ABRIR CAMINHO PARA O NOVO!

Diante desse cenário oportuno para a deslegitimação do sistema político e dos partidos exploradores do povo, é fundamental a unidade da esquerda em relação ao voto nulo no segundo turno.

Superar as divergências, estabelecer uma frente ampla e adotar uma postura ativa nessas próximas semanas é algo fundamental em nome do fortalecimento de um caminho independente de classe trabalhadora e da juventude.