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voto no coggiola para barrar maria arminda!

Em 31/08 ocorrerão as eleições pra diretoria da FFLCH. Disputam o cargo mais alto da burocracia da unidade as chapas “Ação Acadêmica” (Maria Arminda e Paulo Martins) e “A FFLCH Hoje e Amanhã” (Osvaldo Coggiola e Tania Celestino de Macedo).

A eleição é absolutamente controlada pela burocracia acadêmica. O voto é restrito aos membros da Congregação e dos Conselhos dos Departamentos, órgãos que excluem quase completamente estudantes, trabalhadores e a massa dos professores dos degraus inferiores da carreira acadêmica. Em 25 e 26/08 será realizada a consulta eletrônica com voto universal para toda a comunidade FFLCH como uma fachada democrática.

A chapa da Maria Arminda – que era desde a gestão Rodas até meses atrás Pró-Reitora de Cultura e Extensão – é a chapa da aceleração do desmonte e da repressão. Ela é uma burocrata influente, apoiadora de todos os ataques dos últimos reitores, que quer compensar a perda da influência do cargo de Pró-Reitora assumindo a diretoria da FFLCH.

Seu programa usa o velho discurso de aumentar o diálogo, o mesmo de Zago, Rodas e Adorno, como eufemismo para a ofensiva contra os métodos de luta do movimento como a greve, os piquetes e cadeiraços; diz defender a unidade da FFLCH, enquanto fomenta a fragmentação acadêmica e administrativa, bem como discussões sobre a divisão da FFLCH (assim como fazia Adorno); propõe criar colegiados próprios em cada prédio com maior autonomia política e financeira em relação à congregação da FFLCH; defende que a FFLCH se torne uma federação, o que, evidentemente, dá bases para uma divisão institucional completa no futuro. A base dessa concepção possivelmente são os “Institutos”, ou seja, a fragmentação da concepção de faculdade. Os “Institutos” são formas de pesquisa mais vinculada às “modernas” universidades, aquelas mais submetidas às pesquisas do mercado e do capital. É o formato norte-americano. A noção de “faculdade”, que Maria Arminda parece querer dissolver, é mais vinculada à noção de universidade, ou seja, a noções mais progressistas de integração do conhecimento humano. Maria Arminda quer “atualizar” a faculdade para submetê-la ainda mais ao capital.

A chapa do Coggiola, chefe do departamento de História, reconhecido intelectual “militante”, é formada e apoiada por professores que em geral se opuseram aos principais ataques contra os trabalhadores e estudantes, como o corte de salários, e no seu programa defende algumas reivindicações do movimento. Mas em muitos embates esses professores buscaram o caminho da conciliação. Não esquecemos nem nunca nos esqueceremos disso. Muitos deles estão integrados ou adaptados à burocracia. O próprio Coggiola ataca as festas estudantis e critica os métodos mais radicalizados de luta dos trabalhadores e estudantes.

Os votos em um ou outro dos candidatos pela burocracia da FFLCH evidentemente não serão ideológicos ou acadêmicos, mas motivados pela mediocridade da busca por verbas. É curioso nesse sentido Maria Arminda ter a simpatia do mais novo chefe de seu departamento, o “marxista” e também “militante” Ruy Braga. É bastante revelador, dessa lógica miserável, o escandaloso aparelhamento e apoio institucional do abastado Departamento de Sociologia à candidatura da “colega” Maria Arminda – aparelhamento denunciado por um professor da História.

Não é coincidência que os maiores entusiastas da divisão da faculdade encampada por essa chapa estejam no “prédio do meio”. Nos departamentos de Ciências Sociais estão concentrados os burocratas mais influentes, a maior concentração de verba, investimentos e cargos da FFLCH. Nesse momento de crise, de disputa por recursos, os departamentos dos outros prédios passam a ser um peso para suas pretensões junto aos órgãos centrais.

Por outro lado, pela primeira vez em uma década, a candidatura tradicionalmente inexpressiva e “radical” do Coggiola tem um apoio considerável entre os professores. Quase a totalidade dos professores da História e Geografia o apoiam abertamente. Isso revela uma reação destes departamentos contra a hegemonia do prédio do meio. A autonomização conduzida pelo grupo da Maria Arminda significará, para estes departamentos, ficar com (e gerir) uma fatia menor do bolo.

Os votos que elegem o diretor da nossa faculdade nos órgãos colegiados estão fundamentados nos interesses privados de cada departamento e de alguns professores, em seus lobbys de pesquisa e na disputa por recursos. O mesmo vale para as demais decisões políticas da direção, da congregação, do CTA, dos conselhos departamentais, etc.

Além de passar por disputas internas, em toda a USP a burocracia precisa atacar nossas condições de estudo e trabalho cada vez mais desesperadamente para manter seus privilégios. Na FFLCH não é diferente, mesmo sendo a “Faculdade de Filosofia”, a “alma-mater” da universidade. A cúpula da FFLCH, que não se contrapõe ao desmonte da universidade, uma vez que tem se mostrado cada vez mais adaptada e subserviente aos reitores, ameaçou neste ano, pela primeira vez na história da Faculdade, cortar os salários dos trabalhadores em greve. Coerentemente, aliás, com o fato de há tempos atacar a auto-organização de estudantes e trabalhadores.

Resistindo aos ataques da minoria que controla a universidade, a luta das três categorias ergue o poder da maioria organizada nas assembleias. Nossos instrumentos de luta são irreconciliavelmente opostos às carcomidas estruturas de poder da universidade. A resistência das três categorias nesta última greve e a acelerada degeneração de setores da intelectualidade “progressista” acentuaram o racha nas fileiras da burocracia da FFLCH, que se expressa em uma eleição para diretor mais polarizada que as anteriores.

Os poucos representantes que elegemos para os conselhos e congregações servem em geral para observar as discussões aí realizadas e denunciar os ataques gestados em seu interior. Mas quando a burocracia acadêmica, cada vez mais autoritária e vendida ao mercado, entra em crise e se divide no momento das eleições para diretor, abre-se a possibilidade de usarmos taticamente os nossos votos e os dos nossos representantes para frear sua ofensiva.

Nesse sentido, chamamos os estudantes a somar forças com os professores que apoiam Coggiola e a votarem nessa chapa na consulta eletrônica como forma de pressionar o colégio eleitoral com o maior rechaço possível à Maria Arminda no voto universal. A “consulta”, ainda que não determinante, é um elemento de pressão. Se não for decisiva para a derrota de Maria Arminda, ao menos já a fará ser empossada em desmoralização e repúdio, o que a fragiliza de imediato.

Defendemos também que os fóruns e entidades do movimento declarem apoio crítico a Coggiola para orientar os votos dos representantes discentes que são parte do colégio eleitoral. Todos devem compreender o significado regressivo de uma vitória de Maria Arminda na atual conjuntura. Devemos saber agir taticamente para derrotá-la já, ou ao menos enfraquecê-la o máximo possível. Fazer frente com o setor dos professores que apoia o Coggiola, sem atrelar-se a ele, para batermos juntos no inimigo comum neste momento.

Isso não pode significar, de forma alguma, qualquer ilusão nesta chapa ou em uma ala “mais progressista” da burocracia acadêmica: a única forma de garantir a vontade da maioria da FFLCH, sobretudo dos estudantes e funcionários, é pela luta e organização direta!

A sociedade burguesa e seu projeto de universidade estão em decadência e crise. Isso se expressa também na degeneração da pretensa elite intelectual de nossa faculdade, que na figura da Maria Arminda, prescinde de qualquer visão minimamente progressista e advoga abertamente pela fragmentação cada vez maior do saber, para melhor atender aos interesses mais mesquinhos e privados de docentes burocratas.

Se efetivada, a divisão da FFLCH, ou sua transformação em federação, visa também fragilizar politicamente a maioria organizada de estudantes e trabalhadores. A unidade do movimento de toda a faculdade cria uma barreira mais difícil de ser quebrada pela burocracia (veja-se, por exemplo, a maior fragilidade do Movimento Estudantil da Unicamp, com seus “institutos”, ou mesmo da UNESP, espalhada pelo estado). Dividir-nos em estruturas institucionais diferentes e “mais autônomas” serve à pulverização dos conflitos e processos políticos no âmbito local de cada prédio e ao consequente enfraquecimento do movimento estudantil e sindical na FFLCH. Isso é, na prática, matar o que há de universal na universidade.


CONTRA O DESMONTE, A REPRESSÃO E A DIVISÃO DA FFLCH:
BARRAR A MARIA ARMINDA!
VOTO CRÍTICO NO COGGIOLA!

23.08.2016


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