! [panfleto] unidade para vencer! - Território Livre

[panfleto] unidade para vencer!

A greve estudantil na USP continua avançando em muitos cursos mobilizados, mas o risco de estagnação já está colocado. O movimento se vê diante de um impasse: ou radicaliza e coloca a reitoria contra a parede, ou tende a retroceder, isolado e pressionado pelas férias.

Os burocratas, sabendo do impasse do movimento, aumentam a repressão contra os trabalhadores, ameaçando-os com o corte de ponto. O desconto dos dias parados é uma grave violação do direito de greve, cuja violência é inestimável para aqueles que dependem dos salários para sustentar a si e à sua família. Sem os trabalhadores na greve, os estudantes não conseguirão alavancar sozinhos a luta contra o desmonte da universidade, que atinge em cheio as condições de vida dos funcionários (arrocho salarial, perda de direitos e demissões).

A greve estudantil, na verdade, desde seu início tem se afastado da perspectiva de barrar o desmonte pela luta conjunta com os trabalhadores. Mesmo entre os estudantes a luta está fragmentada, embora o desmonte e a repressão sejam sensíveis pra amplas camadas estudantis, cada curso tem respondido aos seus impactos de maneira localizada ( reverter a falta de professores aqui, falta de estrutura ali, etc), há certa dificuldade de unificar a resistência e convertê-la em uma única batalha contra a reitoria. A greve se expandiu nos cursos mas não conseguiu até agora consolidar grandes assembleias e atos gerais, tampouco conseguiu vincular-se à greve dos trabalhadores.

Estudantes de vários cursos da saúde entraram em greve para defender o H.U., em muitas unidades resistem à proibição de festas, às ameaças aos espaços estudantis, e aos processos de perseguição aos lutadores. Os estudantes devem sim mobilizarem-se por suas próprias pautas. Mas se pensarmos com cuidado, a defesa do H.U. pelos estudantes é a mesma dos funcionários que reivindicam contratação de pessoal, e a resistência dos estudantes contra a repressão é a mesma do Sintusp que precisa defender sua sede da ameaça de despejo e sofre com inúmeros processos administrativos e judiciais. Também a defesa da permanência estudantil está totalmente vinculada à luta contra a terceirização e precarização do trabalho nos bandeijões e pela manutenção das creches. A luta portanto é uma só, e só pode vencer se for unificada contra o Zago e seus planos de conjunto!

Diante do impasse em que nos encontramos, o movimento parece afundar-se mais em uma lógica de “greve de resultados” visando uma vitória parcial que sirva sobretudo à moralização e autoconstrução de alguns grupos políticos. Isso fica mais explícito quando, em detrimento das demais reivindicações comuns a todo movimento, a direção do DCE levanta quase exclusivamente “abertura de negociação e cotas já!”, na verdade está apontando para um recuo ao menor sinal da reitoria em ceder um pouco que seja na democratização do acesso à USP.

Quanto mais a reitoria avança na repressão aos lutadores (corte de ponto, polícia e processos) mais o movimento parece vira-se para as pautas menos estruturais ao projeto de desmonte do reitor. É sabido que reformas no acesso à universidade não representam qualquer impacto no seu orçamento e portanto não interferem nos planos de desmonte do Zago. Corremos o risco de encerrar essa greve cantando vitória por conta de pequenas reformas no acesso e permanência estudantis ao mesmo tempo que deixamos passar a repressão aos grevistas, o terrível precedente de pela primeira vez não revertermos o corte de ponto, abrindo caminho ao desmonte a passos largos.

Nesta semana, é preciso construir com toda força os piquetes, trancaços e demais ações conjuntas com os trabalhadores, compreendendo que uma luta unificada é a única que pode dar sobrevida à nossa greve. Se os trabalhadores forem derrotados, perderemos um pólo fundamental de resistência aos ataques da reitoria. Se nos mantivermos segregados, não há pauta estudantil, por mais “concreta” que seja, que impeça a rápida destruição da universidade.

COLOCAR A REITORIA CONTRA A PAREDE

Para alavancarmos a greve no curto intervalo de tempo até o fim do semestre, é preciso causar o maior dano possível à reitoria. Nós, a maioria organizada de estudantes e trabalhadores, devemos exercer nosso controle sobre a universidade e impedir o funcionamento rotineiro da burocracia. Mais ou menos nesse sentido, começam a surgir nas assembleias diversas propostas de ocupação.

Dentro da sua linha de “greve de resultados”, o DCE propõe que se ocupe a Fuvest por Cotas, o que, conforme já argumentamos, isolaria definitivamente o movimento das demais reivindicações, essa separação da luta por cotas das demais acaba por rebaixá-la de forma oportunista.

A proposta de ocupação permanente dos blocos K e L para transformá-lo em moradia estudantil sob controle do próprio movimento é uma tarefa muito importante, mas depende da correlação de forças e de algumas condições para sua efetivação. Neste momento, na medida em que a burocracia já se retirou dos prédios, prevendo ocupações, e que as férias tendem a esvaziá-la e deixá-la isolada, pode ser um tiro no pé do movimento e não representa qualquer pressão sobre o Zago. Além disso, por trás dessa proposta há tentativas de costurar o movimento sem unidade com os trabalhadores e até mesmo por fora da assembleia estudantil, o que agravaria o isolamento das possíveis ocupações.

O mais coerente a ser feito pelos estudantes neste momento seria ocupar as diretorias das unidades, ou, se houver condições, a própria reitoria. Por mais difícil que isso pareça, dada a ausência de um estopim, um fato político que faça a maioria das bases estudantis entrarem de cabeça na greve, é uma perspectiva mais séria do que a colocada por alguns setores do movimento. Trata-se de ocupar os centros de poder da universidade, pressionando a burocracia a ceder. Até mesmo o fechamento do Centro de Práticas Esportivas (Cepe), que logo receberá delegações olímpicas para treinos, causaria mais dor de cabeça a Zago e surtiria mais efeito.

A vitória nesta greve – ou seja, barrar o avanço do desmonte – passa pela articulação de um movimento forte e unificado com os trabalhadores. Se Zago nos ignora e aumenta a repressão, devemos exercer nosso poder e impedir o funcionamento da universidade!

NÃO AO CORTE DE PONTO!
ERGUER O PODER DA JUVENTUDE E DOS TRABALHADORES!