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[cahis 2016] revide

Nas eleições para o CAHIS 2016, o TL compôs, em unidade com o Rizoma, POR e estudantes independentes a chapa Revide. Aqui, seu programa:


O Centro Acadêmico é a entidade de base dos estudantes e acreditamos que precisa ser a ferramenta para organizar e fortalecer as lutas. Se um Centro Acadêmico não está cumprindo esta função, algo está errado. É partindo dessa avaliação que decidimos nos juntar e formar uma chapa para as eleições do CAHIS. Porquê olhamos ao nosso lado e para nossas próprias vidas e sentimos que os ataques direcionados a nós, tanto de dentro quanto de fora da USP, não estão sendo respondidos à altura pelos estudantes.

A atual gestão do CAHIS é uma continuidade da gestão eleita em 2014 que veio, naquela época, para substituir a gestão anterior que era composta pela juventude do PSTU e independentes. A atual gestão, de forte inspiração petista, prometeu reaproximar a entidade da base dos estudantes, mas esta iniciativa não se fez presente através da construção das lutas, mas sim com uma política de prestação de serviços, oferecendo aos estudantes café, chá, geladeira, distribuição de remédios e nada mais.

Nós, por outro lado, compreendemos que a entidade de base precisa de um programa de lutas e de uma postura ativa junto aos estudantes. Mantendo-os à par das mobilizações políticas que acontecem na universidade e no país e preparando-os para que participem ativamente destas lutas. Desta forma, para nós uma gestão de centro acadêmico precisa ser aberta e planejar assembleias que tenham a função de organizar e preparar os estudantes para o enfrentamento aos ataques que estamos sofrendo. A tarefa de manter um jornal periódico do curso, por exemplo, não pode ser visto como mera publicação do centro acadêmico, mas deve ser compreendida como uma importante ferramenta de mobilização, mantendo os estudantes informados mesmo que estes não possam estar cotidianamente nas atividades políticas do curso. A distribuição de boletins com os calendários de lutas e assembleias, a prestação de contas do CA, as passagens em sala e a divulgação online são pressupostos básicos de uma gestão que se compromete a manter a entidade próxima aos estudantes e não deveriam nem precisar ser elementos na campanha.

O ano de 2015 iniciou com ataques de todos os lados como o Projeto de Lei da terceirização, o corte bilionário na educação, o Plano de Proteção ao Emprego – que na verdade é um Plano de Proteção ao Empresário, pois arrocha o salário do trabalhador precarizando a sua condição de vida – e diversos outros ataques como a tentativa de acabar com a gratuidade do SUS. Demissões e arrochos salarias afetaram todos os trabalhadores e os estudantes das universidades federais viram seus sonhos ruindo. Os cortes do governo federal atacaram fortemente o setor da educação, levando centenas de trabalhadores terceirizados das universidades a ficarem sem seus salários e milhares de estudantes sem as tão necessárias bolsas de permanência estudantil. A nível estadual este ano também foi brutal com o ataque aos professores do Estado e agora com a recente “reorganização” escolar, afetando trabalhadores, professores e estudantes secundaristas.

Mas este ano também teve muita luta! A classe trabalhadora demonstrou que não vai ficar calada e saiu as ruas para defender suas condições de vida. As paralisações nacionais que ocorreram durante todo o ano e as centenas de greves foram grandes exemplos de resistência. O movimento estudantil das federais tentou fazer uma forte greve, mas em grande parte por serem reféns de direções governistas não conseguiram se unificar e radicalizar a ponto de barrar os ataques. Enquanto isso o movimento estudantil da USP também começou o ano com uma forte disposição de luta por cotas raciais e sociais, mas viu no DCE um importante agente que colocou um freio no movimento, demorando a convocar a primeira assembleia geral do ano por exemplo. Desta forma nossas lutas, que começaram logo em janeiro contra o aumento das tarifas de ônibus, foram definhando…

A conjuntura atual exige que revidemos aos ataques que estamos recebendo. Conjuntura não falta para lutar, e a desmobilização estudantil não é culpa dos estudantes, mas sim – em grande parte – responsabilidade das direções das entidades de base. Para conseguirmos barrar os ataques, seja a nível nacional, estadual ou local – em nossa universidade – é preciso mais organização, mais construção desde as bases e mais unidade combativa.

Alguns grupos e correntes ligadas ao PT estão hoje nas direções de vários Centros Acadêmicos, como é o caso do CAHIS. Estas gestões tem transformado as nossas entidades de base em verdadeiros escudos para blindar o governo federal e não deixar que a raiva de trabalhadores e estudantes seja canalizada naquele que nos ataca. As diversas paralisações e atos que foram convocados ao longo do ano não puderam ser construídas de maneira efetiva na base dos estudantes, pois a gestão cumpriu um papel de freio no movimento. O projeto do PT está falindo, e não podemos deixar que nossas entidades de base afundem junto. Manter as gestões governistas é um retrocesso para o movimento e por isso precisamos superá-las, dando nova vida às nossas entidades apoiados em um programa combativo!

Defendemos como um dos pontos cruciais do nosso programa a necessidade do Movimento Estudantil estar em unidade com os trabalhadores, pois se os de cima estão em unidade para nos atacar, é preciso estarmos unidos para nos defender e contra-atacar. Pois em unidade venceremos. Um grande exemplo foi a greve de 2014 que após três meses de de luta os trabalhadores, estudantes e professores conquistaram uma vitória sobre a reitoria.

A luta na USP por contratações de mais funcionários, por exemplo, precisa ser uma luta conjunta. É algo que ataca a todos nós e que gera condições de super-exploração nos trabalhadores. Os ataques gerais aos trabalhadores de todo o país, também são ataques contra nós e uma vitória agora é também uma vitória nossa.

A luta por cotas e por permanência estudantil foi por muitos anos colocada em segundo plano pelas tradicionais organizações do movimento estudantil que estão na direção do DCE e de diversos Centros Acadêmicos. Nós defendemos a implementação, na graduação, do projeto de cotas elaborado e defendido pelo Núcleo de Consciência Negra e cotas na pós, sabendo que esta pauta não será conquistada em reuniões de gabinete, mas sim com a luta massificada e radicalizada dos estudantes. Assim como as pautas de permanência, pois o acesso à universidade também fica comprometido quando não se tem condição para concluir a graduação, fato que leva aos altos índices de evasão por parte dos estudantes mais pobres.

Os ataques da reitoria à permanência estudantil não começaram agora e a luta para barrá-los também é histórica. A conquista do CRUSP e a luta pela retomada dos blocos K e L são alguns dos exemplos de combatividade no qual precisamos nos inspirar, assim como a luta deste ano na EACH que com piquete e ocupação conquistou a devolução de 700 bolsas cortadas. Atualmente os cortes de bolsas, o fechamento das creches, a desvinculação do HU, o congelamento dos reajustes nas poucas bolsas que sobraram e a desvinculação da moradia são golpes que não estamos conseguindo responder.

A permanência também é atacada quando a reitoria fecha os bandejões, como aconteceu no começo do ano com o fechamento do bandejão da prefeitura, e quando congela a contratação de funcionários, ocasionando nos trabalhadores uma carga de trabalho desumana. Defendemos a contratação imediata de funcionários como uma pauta que unifica trabalhadores e estudantes em defesa das condições de trabalho e estudo.

Em nosso curso o congelamento das contratações também nos afeta diretamente. No próximo período diversos professores vão se aposentar e isso vai gerar uma redução na quantidade de disciplinas oferecidas dificultando ainda mais a conclusão de nosso curso. Para os estudantes do noturno esta situação é ainda mais alarmante, pois o oferecimento de optativas eletivas é muito reduzido. Uma vitoria que nós, estudantes em luta, conquistamos foi o oferecimento da disciplina de gênero, mas que ao ser colocada na prática mostrou qual é o enfoque que a universidade dá às nossas lutas: reduziu-se a luta das mulheres às pautas das mulheres ricas. A completa ausência das questões das trabalhadoras é motivo de apreensão e também nos preocupa como será ministrada a disciplina de historia indígena. E para resolvermos as questões que nos afetam em nosso curso é fundamental que o centro acadêmico busque a unidade entre os estudantes, mobilizando conjuntamente os estudantes de graduação e pós e também buscando construir unidade com os estudantes de outros cursos. Defendemos que é importante fazermos ações conjuntas com os estudantes da geografia e dos demais cursos da própria USP, construindo uma unidade que garanta a nossa força para que seja possível nos unirmos também com os estudantes de outras universidades e ate mesmo na luta dos secundaristas.

No inicio do ano os casos de estupro na medicina também colocaram a importância de darmos respostas coletivas aos ataques, pois no final os agressores saíram ilesos e os casos não foram devidamente apurados. O corte de vagas nas creches e a ausência de um programa de permanência para as mães é um agravante na dificuldade que estas tem para se formar. Fora da universidade os ataques também são grandes. Recentemente o novo PME (Plano Municipal de Educação) que omite as discussões de gênero nas escolas soma-se com o PL 5069 nos ataques aos setores oprimidos. O PL 5069 dificulta o atendimento médico emergencial e abortos no caso de estupro, podendo aumentar as mortes por procedimentos clandestinos. Já vimos que não podemos ter ilusão nem na reitoria nem no governo e que não é o fato de termos uma mulher no poder que faz com que tenhamos avanços, pois a política do Cunha encontra respaldo na política da presidente Dilma.

Por todas essas razões é importante que os oprimidos se organizem, tanto nos coletivos de oprimidos, quanto nas assembleias e demais espaços estudantis. É preciso ocupar esses espaços e fazer com que o movimento geral leve também as nossas demandas, avançando no combate a toda forma de opressão. O centro acadêmico deve cumprir um papel importante para integração dos coletivos, debatendo organicamente, legitimando as pautas e realizando ações em conjunto.

Em unidade somos mais fortes! Mas sabemos também que na medida em que a mobilização aumenta, aumenta também a repressão contra o movimento. Em 2011 a polícia entrou formalmente no campus e desde então vem atuando na repressão ao movimento e no ataque a população negra e pobre que entra na universidade ou que trabalha nela (como o caso de muitos moradores da São Remo). As ultimas greves mostram que a policia está na USP para reprimir como fez na reintegração de posse das ocupações de 2011 e 2013 e na reintegração da Moradia Retomada em 2012. Também vimos no ano passado a ação policial nos piquetes e no trancaço deixando cada vez mais evidente que e preciso que o movimento estudantil grite: Fora Pm, Fora Koban! Pois não é com um campus militarizado que encontraremos as respostas para a falta de segurança que sentimos. O ato de mulheres que ocorreu ainda este ano não hesitou em afirmar que a polícia é machista e não é a solução!

Organizar a luta contra todos estes ataques. Esta é a tarefa da gestão de um Centro Acadêmico que, através da democracia direta organize a luta dos estudantes lado a lado com os trabalhadores. A luta pelo fim de todos os processos e pela reintegração dos estudantes expulsos e do dirigente sindical Claudionor Brandão que foi demitido por lutar lado a lado com as trabalhadoras terceirizadas precisa estar na ordem do dia de todos os lutadores que gritam “ninguém fica pra trás!”.

Assim como a luta geral também precisamos garantir a defesa dos nossos espaços de construção politica. Construir de maneira orgânica o Fórum do Espaço Aquário é uma das formas de manter a autonomia e a vivacidade deste espaço tão fundamental para nós. A retomada por parte do movimento feminista da sala que era a Rádio Várzea é muito positivo para o movimento, recolocando mais um espaço à serviço da luta. A proibição de festas também é um ataque à nossa organização, pois coloca em risco a nossa autonomia financeira e ataca nossos espaços de integração.

Articular as lutas desde as reivindicações locais até as lutas mais amplas que nos ferem nacionalmente é função primordial de uma gestão de centro acadêmico combativa e comprometida em não dar nenhum passo atrás!

Barrar os ataques, organizar o revide!