! resposta à cantilena padrão pós reintegração - Território Livre

resposta à cantilena padrão pós reintegração

Quando um evento de grandes proporções movimenta bruscamente o solo e as bases sobre as que estamos assentados, é normal que junto com toda a movimentação suba aos ares a camada de poeira que até então repousava junto do que antes estava parado. Portanto, não é de se estranhar que após a desocupação da reitoria pela tropa de choque, que culminou na prisão ilegal de dois estudantes que não estavam no interior do prédio, uma das reações sejam justamente os textos fedendo a poeira e a mofo que saíram na esteira do fato.

Além da exigência de punições rigorosas, veicula-se, com base numa vistoria unilateral por parte da PM e da reitoria, a existência de suposto prejuízo milionário por conta da ocupação do prédio. Os estudantes se lembram muito bem de como, em 2011, os companheiros presos na desocupação da reitoria testemunharam a destruição do interior do prédio pela polícia, feita para incriminar o movimento. Em 2007, a desocupação foi seguida de uma limpeza no prédio e de uma vistoria com a presença de professores e funcionários. Mesmo assim, ninguém sabe como, a polícia, ao entrar no prédio, teria encontrado uma máquina de xerox quebrada no salão principal.

Certamente antes de junho textos clamando por braço forte e punição exemplar já soavam algo caquéticos; e após um mês que escancarou o verdadeiro caráter de nossas polícias e a desconfiança, senão o ódio, da juventude para com todas as instituições, textos assim são o último grasno de pato (ridículos e desafinados demais para serem chamados de canto de cisne) de uma ordem que se sente em crise mortal.

Nós só podemos receber com alegrias os ataques contidos nesses textos, uma vez que em junho, diante da possibilidade de as massas em ódio tomarem as ruas, muitos preferiram escamotear suas posições e declarar apoio às mobilizações – esconderam então o medo que deixam entrever agora. Recebemos com alegria, porque cuidaram de expor por si mesmos a diferença gigantesca que se interpõem entre nós: diante da prisão arbitrária e da tortura física e psicológica de dois estudantes, preferiram gritar por mais e mais fortes punições, enquanto nós nos posicionávamos contra mais este absurdo. Preferiram defender as instâncias burocráticas de uma universidade mórbida, cujo caráter antidemocrático até seus pares-burocratas, com muitos eufemismos é claro, admitem e abaixo-assinam, e atacaram nossas formas de organização e de luta, que são a expressão da nossa democracia direta, em que basta o levantar uma mão para estar incluído.

Quem escreve estes textos sabe que a destruição desta universidade bolorenta e empoeirada e a sua substituição por uma universidade livre tem seu gérmen na nossa luta, e por isso precisa nos atacar, gritar e espernear com todas as suas forças. Que gritem: não gritarão mais alto que as nossas palavras de ordem. O Movimento Estudantil passará como uma onda por cima de seu espernear, e lavará a universidade de sua poeira.

ABAIXO O PODER DOS BUROCRATAS!

VIVA O PODER ESTUDANTIL!

22.11.2013


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