! quem é responsável pela vitória do governismo no c.a. da letras? - Território Livre

quem é responsável pela vitória do governismo no c.a. da letras?

Terminou a eleição para o CAELL — Centro Acadêmico de Estudos Linguísticos e Literários da USP. Como já ressaltamos, trata-se de um dos mais importantes CAs do Brasil, devido à dimensão do curso (cerca de 5 mil estudantes), e por estar instalado dentro da FFLCH, uma das faculdades historicamente mais importantes para o ME nacional. O CAELL já teve protagonismo em lutas nacionais e pode voltar a ter, caso supere a situação atual.
Venceu a chapa “Ruído Rosa” com 354 votos. Ela é composta por setores vinculados ao PT e mantém seu trabalho político no curso sobretudo via articulação de grupos de amigos e rebaixamento da discussão política nacional (afinal, de que outra forma o PT poderia se manter?).

Em segundo lugar ficaram os companheiros da “Por isso me grito” (Juventude às Ruas e independentes), com 243 votos, e, por último, a “Flores de Mandacaru” (PSTU e PSOL), com 172 votos.

Nós apoiamos criticamente os companheiros da chapa “Por isso me grito” (veja aqui) e agora os parabenizamos publicamente pelo segundo lugar. Como dissemos, tais companheiros tiverem um importante papel na última greve, junto com os trabalhadores efetivos, junto com os terceirizados, bem como têm dado destaque à luta internacional da juventude no México, EUA, etc., o que é fundamental.

Mas pensamos que é central ressaltar que as forças governistas (PT), que são um crescente problema para o ME uspiano, poderiam ter sido derrotadas, não fosse a política errada dos setores que se dizem anti-governo, sobretudo do PSTU e do PSOL.

A responsabilidade pela vitória do PT na Letras recai, sobretudo, nas costas do PSTU e do PSOL, que inviabilizaram a unidade dos setores de oposição ao governo do PT. A unidade do PSTU, PSOL e Juventude às Ruas seria decisiva para uma vitória que afastasse o PT da entidade. Mesmo uma unidade entre os que constróem a ANEL (PSTU e Juventude às Ruas) teria bastado para derrotar o governismo e marcaria posição do PSTU em se afastar da política conciliadora do Juntos (MES-PSOL). Isso seria fundamental para fortalecer uma tendência antipetista na FFLCH.

Entretanto, a miopia do PSTU e PSOL falou mais alto, e saiu vitorioso o PT. O interesse de controlar a entidade privadamente, sem contradições maiores (sem terem de “aturar” a Juventude às Ruas), fez não só com que PSTU e PSOL fossem sectários, mas também com que rebaixassem completamente seu programa, diluindo qualquer fronteira que os separasse do PT. Isso chegou a tal ponto que membros da Ruído Rosa atacaram o PSTU e PSOL publicamente por não terem feito, os três, unidade, uma chapa única, uma vez que o programa apresentado pelos 3 grupos era igual.

Ora, como fazer oposição ao PT, dividindo as forças de oposição ao PT? Como ser oposição ao PT, com o mesmo programa rebaixado e oportunista do PT?

Perguntamos ao PSTU e PSOL:

Sua oposição ao PT é mero discurso? A “oposição de esquerda” da UNE e o setor majoritário da ANEL querem mesmo ser oposição ao PT com uma política assim? Se sim, o PT, como vimos na Letras, agradece.