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posição do tl sobre cotas

Nas últimas semanas tem se intensificado o debate sobre a pauta de cotas raciais no movimento estudantil (sobretudo na USP). Nesse cenário, nós do Território Livre achamos importante expressar publicamente nossa posição a respeito.

O TL não defende cotas, mas não se opõe (nem poderia) àqueles que o fazem. O TL considera que o problema racial no Brasil é grave. Além disso, devido à formação histórico-social brasileira, o TL tem certeza de que a luta revolucionária encontrará nos negros os setores mais aguerridos e combativos. A revolução contra o capital será, em sua maioria, negra.

Ainda assim, não defendemos cotas porque pensamos que essa é uma perspectiva dentro dos marcos do capital. Da nossa parte, não pensamos haver aí, no longo prazo, efetivamente, uma reparação histórica ao povo negro. Isso porque, ao não se propor tocar na estrutura da sociedade capitalista, essa luta não coloca um freio à barbárie crescente. Por se propor como uma luta reformista na superfície do sistema, ela deixa o capital de mãos livres para se reproduzir e, assim, fazer crescer a barbárie capitalista. Barbárie crescente significa: mais racismo, mais homofobia, etc.

Silenciar sobre isso, da nossa parte, pensamos, seria disseminar a ilusão de que é possível melhorar as coisas por reformas. Sabemos o quanto custaram os projetos reformistas para o nosso país. Basta ver a história do PT e suas promessas: hoje a violência contra jovens negros nas periferias brasileiras é quase 50% maior que no início dos anos 2000.

Trata-se de uma questão de tempo despendido: pensamos que a nossa geração deve assumir de cabeça um projeto de revolução. Despender tempo em pautas reformistas, como dissemos, pode não só custar caro, mas, na atual conjuntura, nos tornar (mesmo contra a nossa vontade) cúmplices da barbárie crescente.

Desde o começo do século XX o capitalismo não é mais progressista, ou seja, não admite reformas duradouras. Tudo o que ele dá com uma mão, retira em dobro com a outra em mais ou menos tempo. A perspectiva da nossa geração não deve ser parodiar a social-democracia, mas erguer, desde já, um projeto de revolução, o único capaz de efetivamente acabar com a opressão social do capital.

Entre a juventude, erguer um projeto de revolução significa, desde já, nas escolas e universidades, resistir à repressão policial e burocrática e, nessa luta, ocupar tais espaços visando criar formas de poder popular. Essas formas de poder popular devem auxiliar os trabalhadores a criar seus organismos de poder popular para controlar os meios de produção. Não trabalhamos com a ideia de que a revolução é para um amanhã indeterminado, a ser preenchido com medidas “concretas” de reformas hoje.

Ainda assim, apesar de não defendermos essa pauta, nos colocamos inteiramente ao lado dos que lutam por ela, justamente porque sabemos que não podemos impor as nossas concepções de mundo. É fundamental que os estudantes tirem suas próprias conclusões das suas experiências; que lutem por isso e, tomara, que conquistem essa pauta. O TL dá, desde já, seu apoio aos lutadores negros e se compromete a ajudar a levar essa luta até seu ponto mais radical, com métodos radicais, acima dos conciliadores e dos acordos de gabinete.

03.05.2015


Categorias: Universidade

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