! [panfleto] para o cahis, é tempo de lutar! - Território Livre

[panfleto] para o cahis, é tempo de lutar!

Nesse final de ano ocorrem por toda a USP as eleições para os centros acadêmicos, e frente a conjuntura explosiva do país, a tentativa de reorganização do PT e o marasmo do pós-greve na USP, nós do Território Livre viemos a público manifestar nosso apoio à chapa Tempo de Lutar para o CAHIS em 2017.

Está claro que vivemos um momento de ataques generalizados aos trabalhadores e à juventude, desde o governo Dilma incontáveis medidas vêm a público e ameaçam agravar a situação calamitosa de desemprego e piora das condições de vida que se instaurou com a crise. A disputa eleitoral do PT nos centros acadêmicos, agora sem o aparelho estatal, coloca algumas questões de grande envergadura a serem resolvidas pelo movimento. O PT aliançou as entidades sindicais e estudantis aos seus interesses de governo anos a fio, e assim serviu de entrave para uma resistência independente que fugisse ao seu controle (mesmo com a chegada da crise econômica, contribuindo, assim, com o desemprego e inflação crescentes). Ao colocar a construção do projeto do PT em detrimento do avanço das lutas reais, a juventude e os trabalhadores ficaram rendidos. Após o impeachment, pensamos, é necessário não dar nova vida a esse projeto, mas avançar pelo caminho que foi abandonado por ele. É preciso que os estudantes retomem suas ferramentas de luta!

Organizar desde baixo, com reuniões abertas e assembleias, buscando articular os estudantes contra todo e qualquer ataque. Hoje, enquanto oposição, fica clara a tentativa do PT de jogar nas costas do atual governo Temer a total responsabilidade pela política de austeridade: os males do desemprego e da repressão parecem ter surgido ontem. Mas contraditoriamente, a unidade na defesa contra essas medidas tem sido jogada para escanteio.

Essa falsidade deve ser combatida, o PT diz querer lutar contra os ataques, e apresenta um esquecimento da política burguesa que levou a cabo, do avanço do controle do Estado sobre os movimentos, um esquecimento de que foram eles que gestaram uma boa parte dessa situação enquanto salvaguardavam os lucros exorbitantes dos empresários e banqueiros. Entretanto, se há disposição de luta pelo mínimo que nos une, é necessário estabelecer essa aliança, mesmo se o próprio PT assim se colocasse. Mas nessas eleições para centros acadêmicos deixa clara também a sua indisposição em organizar um movimento que resista à força dos ataques. Esse esforço foi feito por organizações e independentes na chapa Tempo de Lutar, e saudamos os companheiros por esse importante iniciativa.

Para reverter o refluxo do movimento, não se pode centrar forças apenas na disputa eleitoral, apresentando cartilhas com “propostas concretas” que acabam em si mesmas e parecem não precisar de um movimento articulado para serem levadas à frente. As reformas localizadas, ou seja, pequenas melhorias em determinado aspecto isolado, há tempos já não dão mais conta do processo de desmonte pelo qual passamos na USP. O movimento ao se distanciar do seu caráter defensivo, de reagir com cada vez mais qualidade e com mais gente, viu sem reação a polícia militar se apossar do campus com um aparelho repressivo inimaginável. A decisão da maioria e a ação em unidade são princípios que devem guiar as entidades de luta para que os estudantes se mantenham no controle. Mas o desenvolvimento do movimento estudantil passará por deixar as falsas promessas das suas antigas direções, em que os estudantes apenas se contentam em conseguir um pequeno “avanço” enquanto outros ataques passam, e por se defender do que é colocado pela burocracia em sua constante ofensiva.