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[panfleto] o reerguimento do movimento estudantil

ANOS DE MARASMO

A gestão do atual reitor Zago se caracterizou, antes de tudo, por um nível de ataques sobre estudantes e trabalhadores nunca antes visto na história da USP. O aprofundamento do processo de desmonte da universidade, com precarização e fechamento de serviços como creches, hospitais e bandejões, tem como fundo milhares de demissões e rebaixamento das condições de vida dos trabalhadores da USP. Para minar a resistência a seus ataques, a reitoria não relutou em atacar também espaços e entidades estudantis e o próprio Sintusp, além de proibir festas e aumentar o policiamento no campus.

As medidas, no entanto, vieram a conta gotas, e enquanto o copo enchia o movimento estudantil seguia apático, respondendo com a mesma política morta de sempre. O copo, por sua vez, finalmente transbordou, e os estudantes despertaram da apatia.

O REERGUIMENTO DO MOVIMENTO ESTUDANTIL

Os trabalhadores da USP foram então a ponta de lança que deflagrou GREVE no dia 12, por reajuste salarial, contra o desmonte e a repressão e em defesa da sede do sindicato, ameaçada de despejo e não demorou até a conjuntura pegar fogo.

Dezenas de cursos em greve ou paralisados, ocupações de prédios (Letras, ECA e Hist./Geo) e piquetes tomaram de assalto a USP. Assembleias de curso cada vez maiores brotaram e os estudantes passaram a aderir à greve. Mesmo onde o movimento ainda não decolou, discussões e atividades relacionadas à greve são mais e mais frequentes, afinal as diferentes unidades sofrem, cada uma à sua maneira, com o desmonte e a repressão. A ridícula proposta de aumento salarial de 3% (em meio à inflação galopante) fez a greve aumentar entre os funcionários, e os professores se somarem a ela. O que restava ao movimento estudantil era um estopim, algo que fizesse a base dos estudantes se articular e os diferentes cursos se unirem. A exemplo dos secundaristas, o grito que reergueria os estudantes da USP logo ecoou: “ocupar, ocupar, ocupar!”

GREVE COM OCUPAÇÕES E O PODER DA MAIORIA

A cada greve, a cada piquete e sobretudo a cada ocupação, se coloca novamente a seguinte questão: quem manda na universidade? A minoria de burocratas parasitas em seus gabinetes, a portas fechadas, amparada pelo Estado e pela polícia, ou a maioria de estudantes e trabalhadores organizada pelas assembleias e pela democracia direta?

As ocupações rompem o cotidiano apático e cinzento (e cada vez pior!) da universidade e criam um centro vivo de discussão e articulação estudantil. Elas são mais do que um simples método de pressão às diretorias para conquistarmos nossas pautas. Exercendo nossa resistência e ocupando nossos espaços, fazemos política com mais rapidez e eficácia que lendo uma série de cartilhas emboloradas. Sem a pressão de nossa grade horária e do saber mercadológico, podemos nos reunir e aprender o que queremos – um aprendizado voltado à própria luta, à defesa de nosso futuro!

Com as ocupações uma nova geração de lutadores é forjada dentro de cada curso mobilizado. Escuta-se de parte da esquerda a necessidade desta ser uma “greve de resultados”, ou seja, em garantir uma ou outra “vitória”, uma ou outra pauta, sem compreender o ataque geral, conciliando com as pautas menos estruturais no combate ao desmonte. Alguns resultados são pouco demais para o que temos a ganhar e para o desafio que está colocado. – não dá pra entender essa frase. alterei um pouco: ou seja, em garantir uma ou outra “vitória”, uma ou outra pauta, sem bater de frente contra o ataque geral, conciliando com as pautas menos estruturais no combate ao desmonte. Essa é uma herança do sindicalismo petista, que pensa migalhas como vitórias, e não em barrar o desmonte de conjunto construindo uma geração de lutadores firmes que conseguirão colocar medo na reitoria ao tentar disparar novos ataques no futuro.

Para que as ocupações atuais não se isolem, para que o movimento cresça e fortaleça sua unidade com os trabalhadores, para resistirmos ao poder da burocracia, é preciso ocupar! Mais ocupações significa construirmos, na prática, a universidade que queremos, não-burocrática e aberta à juventude e aos trabalhadores. Mais ocupações significam mais centros de luta, que atraem mais estudantes e dão mais força à nossa greve. Isso é erguer o poder da maioria que resiste dentro da USP, nossa parte na construção do poder popular! O poder da maioria se faz nas greves, atos e ocupações das escolas, das universidades e dos locais de trabalho!

OCUPAR E RESISTIR!
CRIAR O PODER DOS ESTUDANTES E DOS TRABALHADORES!
ERGUER O PODER DA MAIORIA!