! OPOSIÇÃO CALC 2018 - Território Livre

OPOSIÇÃO CALC 2018

Nas eleições para o CALC 2018, o TL compôs, em unidade com o PSTU e estudantes independentes a chapa Oposição. Aqui, seu programa:


ECA ONTEM E HOJE…

Na contramão do cenário pintado para as eleições, cabe-nos perguntar: ao final do ano, nossa situação melhorou ou piorou?

A prainha continua completamente cercada pelas grades, o Sintusp e os trailers foram expulsos de seus locais. Nossos cursos estão cada dia mais deteriorados, perdendo paulatinamente a sua qualidade; não há verbas, não há professores, não há funcionários. Apesar da aprovação das cotas, a situação para os setores oprimidos na universidade também só piora. Reflexo da crise econômica do país, com a “PEC do fim da USP”, as demissões de funcionários são aplicadas pela reitoria aos milhares. Não há creches para as mulheres e auxílios de pesquisa, permanência e estágios USP já quase não existem. Da mesma forma, a reforma trabalhista num país com mais de 11 milhões de desempregados põe abaixo qualquer perspectiva de emprego. Não existe mais um “mercado promissor” para absorver nossa mão de obra; ou seja, nunca foi tão difícil mantermos nossas condições de vida.

Para nós um dos fatores principais que explica a atual situação na ECA é a ilusão de que a diretoria e a reitoria, e seus “fóruns democráticos”, podem nos ajudar a resolver os problemas que eles mesmos criaram. Foi-se o tempo em que a USP tinha “orçamento de sobra”, em que se podia conciliar algumas melhorias para os estudantes e trabalhadores com os lucros dos que comandam essa universidade. Hoje ou resistimos intransigentemente, acreditando na força que os estudantes e trabalhadores têm unidos, ou veremos essa universidade ir pouco a pouco para o buraco pelas mãos de corruptos e empresários.

LUTAR CONTRA AS GRADES!

Há várias versões da história sobre o que os estudantes fizeram para barrar as grades. Para nós existe um fato:  elas ainda estão aqui. Ainda é preciso lutar para retirar as grades que cercam a prainha, não podemos abaixar a cabeça. Mas fica evidente para todos estudantes que é muito mais difícil fazer isso hoje do que quando elas foram colocadas e não eram um fato normalizado.

O ano começou muito explosivo, os estudantes se revoltaram ao saber que a reitoria fechou seu espaço durante as férias de maneira covarde. Muitas atividades foram feitas, sempre muito cheias, incluindo assembleias com mais de cem estudantes durante as férias. Apesar de toda essa revolta espontânea, nenhuma resposta contundente foi organizada para combater a presença das grades. O CALC negociava e negociava diretamente com a reitoria, e os estudantes apenas recebiam seus informes pela internet. Sem dúvidas este era o momento que definiria muito a permanência ou não das grades na prainha.

Mostrando toda disposição de luta, os estudantes dos diversos cursos e entidades fizeram um ato na congregação da ECA no dia 30 de Agosto. Foi um grande ato estudantil, mostrando como todo mundo está disposto a ter nossa prainha de volta. O Calc, que esperava conseguir algumas concessões, como o “livre acesso” pelo prédio central, para “conquistar uma vitória”, voltou para casa de mãos vazias. Depois desse dia nada mais foi articulado, mesmo a diretoria tendo ignorado as pautas estudantis. De lá para cá as grades só foram lembradas pela gestão em tema de festa…

POR UM CA DEMOCRÁTICO E DE COMBATE!

Hoje não há reuniões e comissões abertas, como prometiam no início da gestão. Com o passar do tempo, o Centro Acadêmico se tornou por completo sua gestão. Quem quiser participar tem que concordar e entrar na gestão, não há espaço para disputas, para discussões com os estudantes da ECA. Na visão do Calc quem tem opiniões diferentes que se expressem em outro lugar. Isso é puro aparelhamento da entidade!

O CALC tem se preocupado mais em ser um “bom prestador de serviços”, ser um “bom gestor” da entidade ao invés de organizar os estudantes, em aliança com os trabalhadores, para enfrentar os ataques da reitoria e dos governos. Tal como um político, o Calc promete melhorar isso e aquilo, conseguir esse ou aquele equipamento, e ao final, no conjunto da obra, tudo piorou. Resistir ficou para depois e nessa história saímos todos no prejuízo.

Para nós um centro acadêmico tem como ponto de partida o inverso: a prioridade é organizar nossa luta, unindo todos, inclusive os que pensam diferente, na construção das lutas por interesses comuns. Um centro acadêmico é uma arma para garantir que as diretorias, reitorias e governos não nos ignorem completamente e façam da universidade um pátio privado. Por isso temos que ser intransigentes, não podemos acreditar em que está contra nós e nem se acomodar com o conformismo que reina. Afinal, de que serve um ar alegre e festivo enquanto passam tantos ataques contra nós? A quem interessa esse imobilismo harmônico?

A realidade é que há grupos à frente do movimento estudantil que já estão mais preocupados com a campanha eleitoral de 2018 do que com a destruição da graduação. O Balaio, núcleo de estudantes petistas, e outras organizações do PT, voltaram a participar do movimento estudantil após muitos anos distantes. Ano que vem estarão a frente do DCE e dos principais centros acadêmicos, assim como estão a frente do CALC. O objetivo deles é recuperar a base petista perdida após tantos anos ajudando os empresários no governo federal. Favorece a eles a apatia e a desmobilização.

Para o PT a luta dos estudantes não importa, o objetivo é somente engrossar o caldo da campanha do Lula, mesmo que às nossas custas. As entidades aparelhadas pelo PT não irão levar a luta até o fim pelos interesses comuns dos estudantes. É só ver o papel que este partido cumpre e cumpriu ao longo da sua história, controlando a maioria das entidades dos trabalhadores e estudantes para, no fim, trair o movimento e eleger um ou outro parlamentar que vive às custas do nosso suor.

Não podemos deixar nosso movimento e nosso centro acadêmico serem palanque do Lula e de outros políticos oportunistas. O Calc deve organizar a luta e a resistência aos numerosos ataques que estamos recebendo: além da grave situação dentro da USP, a reforma trabalhista acaba de entrar em vigor e o governo de Temer quer aprovar ainda este ano a da previdência. Precisamos lutar, ao lado dos trabalhadores, pelo nosso futuro: pra ter emprego quando nos formarmos e conseguirmos trabalhar com dignidade e nos aposentar.

Para nós, o Partido dos Trabalhadores já provou o papel que cumpre governando para os empresários, se aliando ao que há de pior e mais reacionário na política brasileira, aliviando a barra para corruptos como Temer e Aécio, além do próprio Lula. Hoje, existe um grande acordão para que estes políticos parasitas se mantenham no poder e continuem nos atacando – e o PT é parte disso. Por mais que ele queira se vender como o grande defensor dos explorados e oprimidos, é fato que dedicou pouquíssimo da sua atenção a isso quando esteve no poder, basta ver os índices de genocídio do povo preto e pobre da periferia e que o feminicídio de mulheres negras cresceu 23% nos últimos 12 anos.

ACREDITAR SÓ NAS NOSSAS FORÇAS!

Não acreditamos que o C.A deva ser isento de opinião política, nem acreditamos que o C.A possa ser “neutro” frente aos acontecimentos dentro e fora da USP. Porém o mais importante é apontar não só as nossas necessidades, nossas pautas e lutas, mas também proteger o espaço de organização autônoma dos estudantes, essencial para que nossas reivindicações ganhem vida. Acreditamos que o melhor caminho é o da luta independente, seguindo os métodos comprovados pela experiência de luta da classe trabalhadora, de união contra os inimigos comuns e contra aqueles que negociam nossos direitos pelas nossas costas e que utilizam nossa luta de forma oportunista para fortalecer seus candidatos políticos.

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