! ONDE NOS LEVARÁ A CONCILIAÇÃO E A PASSIVIDADE DO CALC? - Território Livre

ONDE NOS LEVARÁ A CONCILIAÇÃO E A PASSIVIDADE DO CALC?

Desde que as grades foram colocadas, no final do ano passado, apesar da possibilidade de unirmos forças contra esse problema, que é comum a todos os estudantes, não conseguimos dar nenhuma resposta contundente. As semanas se passaram e quem ganhou espaço no controle da prainha foi a reitoria e a diretoria, enquanto os estudantes estão a cada dia mais encurralados.

No início do ano havia força e disposição na maioria dos estudantes para resistir, o que ficou claro quando uma assembléia em plenas férias reuniu mais de 100 estudantes na prainha, aprovando a posição “PELA RETIRADA DAS GRADES”, e as atividades seguintes foram cheias. Apesar disso, não se viu o CALC utilizando dessa disposição para articular, convocar e mobilizar os estudantes para lutar de verdade contra as grades.

Apesar de algumas iniciativas para dialogar com os estudantes, a política do CALC até aqui foi de supervalorizar negociações com a diretoria da ECA, chefes de segurança e até membros da reitoria em detrimento da mobilização. O CALC não tomou nem mesmo a iniciativa de chamar manifestações ou atos-vigílias dos estudantes para pressionar as reuniões na qual a gestão Agarra esteve presente. Para a maioria dos estudantes da ECA, restou esperar um informe no facebook. Não devemos nos negar a conversar com a diretoria ou qualquer outra instância, mas a pergunta que fazemos é: podemos confiar na palavra da diretoria e de outros burocratas? Esses acordos irão garantir a retirada da grade ou a permanência da vivência?

Evidente que não! Dias após uma reunião com o CALC, ainda em fevereiro, na qual a reitoria garantiu que que membros do sindicato, das entidades estudantis e pedestres poderiam entrar na prainha pelo portão de acesso, a reitoria trancou permanentemente o portão e colocou um caminhão bloqueando a entrada, deixando a passagem pelo prédio central como única forma de acessar a Prainha e a vivência. Com isso, as QiBs passaram a ter horário pra acabar, restrição ao acesso e constrangimento de pessoas externas à ECA. Chegamos ao limite de um caminhão de obras entrar na prainha e demolir parte do piso a mando da reitoria. Qual o empecilho para colocarem, amanhã, um caminhão deste para demolir o espaço estudantil?

A QiB, que sempre foi uma festa gerida pelos estudantes e sempre foi um espaço de confraternização aberto para pessoas da USP e de fora dela, agora se torna a cada dia mais da diretoria e menos dos estudantes. Todas as QiBs têm que ser negociadas com a diretoria e a festa da matrícula foi negociada diretamente com a PM! A diretoria quer tentar controlar até mesmo o calendário da festa, decidindo quando podemos fazê-la. Na semana passada os estudantes votaram na assembleia a realização da Quinta i Breja, contra a vontade da gestão do CALC. Nesta semana, em que por problemas de calendário não haverá assembléia, o CALC decidiu que não haverá QiB, conforme pedido pela diretoria.

Com o término das férias a ECA estava finalmente cheia de estudantes de novo, havia muita indignação com as grades, o despejo do Sintusp, e todo o autoritarismo do Zago e da PM contra estudantes e funcionários. A Semana dos Bixos poderia ter sido o espaço de renovarmos nossas forças, mas apesar dos imprevistos com a repressão ao ato do CO, pouco se viu de agitação, panfletos ou atividades a respeito da situação. Na QiB
da semana dos bixos poderíamos ter dado uma resposta contundente para a reitoria contra aquelas grades. Havia muitas pessoas dispostas a uma ação mais enérgica e radical, porém a gestão do CALC decidiu “esperar um momento melhor”, e assim as iniciativas vão sendo jogadas para depois, e para depois e para depois. A situação, que merecia um escarcéu, vai ganhando, ao contrário, normalidade aos olhos dos bixos.

Priorizando as reuniões restritas entre entidades estudantis e diretorias ou secretarias, em detrimento da mobilização direta dos estudantes, jamais conseguiremos o que realmente nos interessa: ter nosso espaço de volta, controlar nosso espaço e manter a lanchonete. A manutenção da prainha e das QiBs são inconciliáveis com os interesses da Reitoria, pois atrapalham seu plano de desmonte para a USP. Ela ataca nossos espaços e as fontes de financiamento das entidades (como festas e alugueis) para nos enfraquecer. A estratégia atual do CALC é ilusória pois tentativas de acordo não irão frear a burocracia, que rompe acordos atrás de acordos e pode nos expulsar rápida e completamente.

A luta contra o desmonte da reitoria começou com as paralisações do dia 7 e 15, mas falta ainda nos levantarmos com força em defesa da prainha. Os estudantes unidos são mais fortes que mil acordos com qualquer burocrata! É necessário espaços onde possamos nos articular, como assembleias e Reuniões Abertas do CALC, para que em conjunto os ecanos possam decidir seus próximos passos. Somente mantendo nossa independência conseguiremos nosso espaço de volta. Assim, chamamos novamente a palavra de ordem levantada pelos estudantes da ECA:

PELA RETIRADA DAS GRADES!

23.03.2017


Categorias: Panfletos, Universidade

Tags: , , ,