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[panfleto] luta contra as grades: em que pé estamos?

As próximas semanas serão críticas para lutarmos contra as grades na ECA. Por um lado, o Sintusp deixará sua sede e a reitoria avançará na tentativa de “revitalização” da Prainha e da Vivência. Por outro, a indignação dos estudantes segue viva e até mesmo a Congregação da ECA aprovou moções contra a existência das grades. No entanto, essa indignação não tem se materializado em um movimento estudantil forte, e temos ficado à espera dos passos da burocracia. Como avançar?

Em primeiro lugar, é preciso ter em mente que a burocracia não nos concederá nada de mão beijada, pois os ataques à Prainha não são casos isolados, mas parte de um processo muito maior de precarização da universidade. Nós, estudantes, bem como os funcionários, somos a maioria da universidade e é com essa força que devemos fazer pressão. Assim, é insuficiente que apenas CALC, DCE, uma organização ou outra estejam à frente da luta: precisamos do maior número possível de estudantes! Construir um movimento forte é a primeira condição para reivindicarmos o que quisermos.

Na última semana, os estudantes em assembleia tiraram prazos para que seja instalado um portão sob controle das entidades estudantis em uma das grades. Devemos defender para este portão um caráter provisório, sem perder de vista a luta pela retirada das grades. Além disso, para garantir nossa autonomia sobre os espaços, não podemos deixar a diretoria usá-lo para barrar o acesso à Prainha, mantendo-o sempre aberto e com entrada irrestrita de qualquer pessoa.

Já uma reforma estrutural do prédio da Vivência é necessária há muitos anos, mas sabemos, pelo histórico de repressão aos espaços estudantis na USP, que se deixarmos a burocracia isolar a área para reforma corremos o risco de nunca mais vê-la, assim como aconteceu com a antiga sede do DCE. Devemos reivindicar que, a partir de um orçamento e planejamento feito pelas entidades estudantis da ECA e apresentados à diretoria, a verba para a reforma seja passada para as entidades, que devem controlar todo o processo, desde a contratação de funcionários até a logística da reforma, para que a lanchonete não pare de funcionar e nem se feche a vivência, e a prestar contas aos estudantes e a diretoria.

Também é preciso denunciar certas contradições: a diretoria quer construir um laboratório multimídia do CJE e CBD no lugar da sede do Sintusp, ao passo que faltam técnicos nos próprios departamentos devido à demissão de funcionários, muitos equipamentos dos laboratórios já existentes são obsoletos etc.

Como se vê, nossas tarefas não são simples, e justamente por isso não podemos lutar isoladamente, nem depender de informes das entidades ou acordos com a burocracia para definir nossa política. A diretoria, apesar de se dizer contra, não quer tirar as grades de verdade. Pra ela seria muito melhor um portão, pois assim fingiria ter ajudado os estudantes e não criaria tanto atrito com a reitoria.

Nesta semana haverá assembleias de curso (na 2f e 3f) e também assembleia da ECA (4f), nas quais poderemos já construir o nosso movimento. Estudantes da ECA, é hora de tomarmos o futuro de nossos espaços em nossas próprias mãos!

04.04.2017


Categorias: Panfletos, Universidade

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