! BOTA GASOLINA NO CALC! - Território Livre

BOTA GASOLINA NO CALC!

Nas eleições para o CALC 2016, o TL compôs, em unidade com o Rizoma e estudantes independentes a chapa Gasolina. Aqui, seu programa:


PERAÍ!

Antes de se revoltar contra esta eleição, esta disputa e este corredor polonês, saiba que também somos contra isso e fizemos o possível para não acontecer. Este ambiente, dadas as forças políticas em jogo, é totalmente sem sentido. Este clima é artificial e produzido. As diferenças são pequenas e poderiam ser discutidas em unidade, chamando ainda mais estudantes, e não como uma disputa por votos. A unidade e o clima fraterno fortalecem o debate sobre as diferenças. Nossos inimigos são muitos e brigar entre nós só enfraquece a entidade.

TEMOS A ESTRUTURA, TEMOS A MÁQUINA, MAS O MOTOR NAO LIGA.
FALTA A GASOLINA, FALTAM OS ESTUDANTES!

A MÁQUINA ESTÁ ENFERRUJANDO…

“Gasolina”, s.f.: combustível, substância que reage com o oxigênio liberando a energia potencial nele contida de forma utilizável. Da potência ao ato.

O CALC poderia ser uma forte máquina, uma alavanca na vida estudantil, na nossa aprendizagem e formação. Mas seu motor não dá partida. Reina a paralisia.

Os calouros até devem se perguntar: será eterno esse marasmo? Às vezes, entre as muitas salas de aula e corredores em que somos enfiados, ouve-se a lenda de uma vida secreta da ECA. Conta-se que no passado havia fortes e animadas quintas i brejas, festivais, as festas da atlética na prainha, a resistência e reconstrução do Canil, a ocupação da prainha, as greves orgânicas e radicais… Mas tudo está distante, parece até outra era, outra escola. É como ver um filme em preto e branco. Será o fim?

Você se lembra de como era quando entrou aqui? Quem logo chega tem sonhos e grandes expectativas; acha que poderá se desenvolver amplamente num espaço com liberdade de ideias e discussão, com festas e confraternização. Entretanto, quão diferente é a realidade, das claustrofóbicas grades curriculares, das muitas aulas entediantes, da fragmentação dos cursos, dos trabalhos sem sentido e, sobretudo, da pressão do mercado. A dura verdade: a escola foi formatada para o mercado e isso, na prática, limita nossas potencialidades.

É por isso que a entidade estudantil é tão importante: ela é a possibilidades de outra coisa. Ou deveria ser. Ela deveria criar o contraponto, o espaço que a instituição não possui. Não há nem pode haver universidade sem liberdade, independência e autonomia estudantil. A liberdade que poderia ser criada a partir da entidade estudantil é o que nos permite fugir da formatação do mercado e voltar a sonhar. Diziam os surrealistas: a realidade não é apenas essa coisa fria que vocês nos oferecem; ela comporta necessariamente o elemento do sonho, da possibilidade aberta, o outro. Em suma: ela contém o futuro, o que ainda está por ser feito.

Hoje, entretanto, tudo segue a “normalidade acadêmica”, a fria realidade, a segregação e a politicagem: o CA segue vazio. O CALC abdicou da tarefa de criar a poesia e nos deixou apenas a prosa fria do cotidiano. A Instituição venceu. Os estudantes vão devagar, entregam seus trabalhos corridos, pensam nas suas vidas…

Fragmentados e sem a unidade da força livre estudantil, algumas entidades, a atlética, os coletivos, se mantêm vivos a duras penas… Os que resistem contra a corrente chegam ao final do ano exaustos e isolados. O ano passa e pouco de memorável se passa.

Os espaços que potencialmente seriam dos estudantes estão largados. Nossa vivência está inabitável. Nossa prainha é inabitada. Onde foram parar os estudantes, a gasolina da máquina?

GASOLINA NELES!

Diante de toda essa situação te vem o tal do CALC pedir voto. Santa paciência!

Como, depois de um ano sem ver muita coisa acontecer, de repente, em uma semana, temos tanta gente insistindo na importância do nosso voto? O CALC precisa de uma injeção de juventude para abandonar a politicagem. O desafio hoje colocado ao movimento estudantil é, por um lado, não ficar circunscrito ao possível e convencional (a miséria do possível), e, por outro lado, também não cair no discurso meramente retórico. É preciso encontrar o caminho entre o mínimo e o máximo.

Os momentos pelos quais o M.E. é mais conhecido — fim das décadas de 1960 e 1970 — são aqueles em que soube partir das diversas questões mínimas dos estudantes e produzir, no próprio presente, o futuro. Produzir o máximo partindo do mais sensível. É possível criar hoje, amparado na força material da entidade estudantil, o elemento do choque com a realidade, que a nega, que destoa e abre um mundo de possibilidades. De forma livre, não burocrática, transversal, misturando todos os cursos e todos os saberes, os estudantes podem ajudar a gestar uma nova cultura. Basta certa ousadia, coragem para arriscar sair da rotina, das pautas de sempre, das “bandeiras históricas” – velhas promessas do M.E. gravadas em pedra.