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ELEIÇÕES PARA REITOR NA USP

Em 30/10 ocorrerão as eleições para Reitoria da USP. A eleição é absolutamente controlada pela burocracia acadêmica. O voto é restrito aos membros da chamada “Assembleia Universitária”, que engloba o Conselho Universitário, Congregações e Conselhos Deliberativos, órgãos que excluem quase completamente estudantes, trabalhadores e a massa dos professores dos degraus inferiores da carreira acadêmica. Em 23/10 será realizada a consulta eletrônica com voto universal para toda a comunidade USP como uma fachada democrática, mas que não tem valor decisório.

Há quatro chapas concorrentes, duas que defendem a atual gestão e duas que se dizem de oposição. Neste texto trataremos centralmente das duas principais candidaturas, com mais chances de vencer, embora a análise em linhas gerais se estenda também às demais.
A chapa encabeçada pelo atual Vice-reitor Vahan (Poli) é aquela de continuidade da gestão Zago, ou seja, da defesa aberta e escancarada da austeridade e da repressão aos estudantes, trabalhadores e professores que marcaram os últimos quatro anos.

A chapa da Maria Arminda (FFLCH) e Paulo Casella (FD) é a chapa mais forte da suposta oposição. Arminda foi Pró-Reitora de Cultura e Extensão desde a gestão Rodas até metade da gestão Zago, e assumiu no final do ano passado a diretoria da FFLCH com a apenas 3 votos de vantagem no restrito colégio eleitoral e grande rechaço entre estudantes, trabalhadores e mesmo entre os professores. É uma burocrata influente, e apesar da retórica oposicionista, vagas promessas a respeito do H.U. e das creches, ela foi apoiadora de todos os ataques dos últimos reitores.

Apesar de todo o falatório, os votos em um ou outro dos candidatos na restrita “Assembleia Universitária” evidentemente não serão ideológicos ou acadêmicos, mas motivados pela mediocridade da busca por verbas em uma disputa cada vez mais acirrada devido à crise.

Os votos que elegem o Reitor nos órgãos colegiados estão fundamentados nos interesses privados de alguns professores e de suas unidades da USP, em seus lobbys de pesquisa e na disputa por recursos. O mesmo vale para as demais decisões políticas da reitoria, das direções, do Conselho Universitário, das congregações, e demais conselhos institucionais. As instâncias de poder oficiais da USP visam antes de mais nada a manutenção dos privilégios de seus membros.

Não temos acesso e não conhecemos em pormenores os interesses materiais que aglutinam as diferentes frações da burocracia acadêmica, mas salta aos olhos nestas eleições a polarização entre a burocracia da Poli e seus aliados de um lado, e as burocracias da FFLCH, da FD e seus aliados do outro. Reafirmamos, a oposição à atual gestão na corrida reitoral não representa propriamente diferenças de concepções, mas a insatisfação de alguns setores menos privilegiados com a distribuição de recursos pela atual gestão entre as unidades e grupos de interesses.

A verdade é que mesmo passando por disputas internas, a burocracia universitária se une para antes de mais nada atacar nossas condições de estudo e trabalho, e às custas da maioria da universidade manter seus privilégios. É significativo, por exemplo, que nenhum dos candidatos, mesmo os da “oposição,” tenha se comprometido com novas contratações de funcionários e professores, a única forma estancar a acelerada destruição da universidade que assistimos hoje. A universidade perde a passos largos qualquer projeto civilizatório, qualquer pretensão intelectual e científica séria, para tonar-se diretamente um balcão de negócios.

Resistindo aos ataques da minoria que controla a universidade, a luta das três categorias ergue o poder da maioria organizada nas assembleias e entidades. Nossos instrumentos de luta são irreconciliavelmente opostos às carcomidas estruturas de poder da universidade.
Sabemos que hoje o movimento estudantil e de trabalhadores passa um forte refluxo, tendo sofrido várias derrotas nos últimos anos, mas devemos buscar minimamente nos aproveitar desse momento em que as disputas da burocracia se expressam abertamente para aprofundar sua divisão e enfraquecê-los.

Se o Vahan é o candidato com mais chances de vitória no restrito colégio eleitoral, os estudantes, trabalhadores e professores devem em primeiro lugar manifestar seu completo repúdio a essa candidatura de continuidade. Eventualmente poderíamos mesmo apoiar taticamente uma das candidaturas contrárias à atual gestão afim de desestabilizar o poder da reitoria. No entanto, se o bloco da Maria Arminda vencer isso não vai desestabilizar o poder da reitoria, ela tem entre seus apoiadores setores que historicamente dominaram a USP e políticos burgueses de várias matizes. Se derrotar a fração Zago/Vahan, muito facilmente darão as mãos em seguida contra nós, estão organicamente atrelados. Hoje qualquer apoio, mesmo que tático, por parte do movimento apenas legitimaria o populismo e o oportunismo dessa falsa oposição que vem ganhando força na comunidade uspiana com palavras ao vento.

Nessas condições, portanto, a melhor forma de expressar o legítimo rechaço da maioria contra a minoria de parasitas que dirigem a universidade é com a anulação dos votos na consulta e nas eleições oficiais pelos nossos representantes.

FORA VAHAN! ABAIXO O OPORTUNISMO E A PICARETAGEM DA MARIA ARMINDA! NULO NELES!

23.10.2017


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