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DCE USP 2018: DEFENDER AS CONDIÇÕES DE VIDA!

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DESVALORIZAÇÃO DA FORÇA DE TRABALHO

Cada um de nós entra na universidade buscando algo diferente, seja para ter uma formação técnica ou acadêmica, por interesses humanitários ou empreendedores. Mas temos algo em comum: estamos todos nos formando para entrar no mercado de trabalho, ou seja, valorizando nossa mercadoria força de trabalho. Viemos aqui por uma prometida estabilidade de vida, mas mesmo com uma formação de nível superior, as chances só vem dimunuindo. Quem de nós nunca passou por uma entrevista de emprego humilhante e ainda não recebeu resposta depois? Quantos estão fazendo estágios e pesquisas com tarefas inócuas que não correspondem ao interesse de carreira? Existe um horizonte para realizarmos o plano de carreira que desejamos? As vagas de trabalho cada vez se confundem mais com piadas de mau gosto!

Não tem emprego, os salários são cada vez mais baixos, o trabalho cada vez mais desgastantes, os direitos trabalhistas foram triturados pelo governo neste ano e há uma chance séria de que nós, que começamos a trabalhar agora ou ainda nem começamos, não consigamos nos aposentar. Hoje, cerca de 14 milhões de pessoas estão desempregadas no país (13% da população trabalhadora), tendo que lutar a cada dia para pagar suas contas e sustentar suas famílias. Os maiores atingidos somos nós, jovens. Entre a juventude, é terra arrasada: agora, já chega a quase 30% a taxa de desemprego entre 14 e 24 anos. Quase um terço de todos os jovens do país estão, hoje, saindo da escola ou da faculdade e abanando na mão seus diplomas, enquanto não conseguem encontrar trabalho e estabilidade financeira. Enfrentamos atualmente uma crise econômica mundial de proporções comparáveis às de 1929, e que possivelmente se tornará mais grave, tornando ainda maior a situação de total miséria com a qual nos deparamos hoje.

Os patrões e governantes querem, literalmente, fazer com que os jovens de hoje trabalhem até morrer. Não se vislumbra nenhuma saída no horizonte: o governo tenta pintar uma “recuperação econômica” se utilizando de dados e índices econômicos por si só duvidosos e risíveis, assim Temer anuncia com grande alarde cada meio ponto percentual de suposto aquecimento da indústria, ou suposto crescimento do emprego. Na crise se escancara como os governos PT-PMDB, como os outros governos burgueses, pouco desenvolveram o país, apenas trabalharam pelo auto-enriquecimento em conjunto com setores do grande empresariado. Para os trabalhadores que prometeram ajudar, no máximo deram créditos que hoje se tornaram dívidas. Entre 2015 e 2017 a economia brasileira despencou 7,2%, pior número desde 1930. O poder de compra também caiu: só nestes dois anos, foi uma queda de 8%. É uma catástrofe. E todos estamos muito preocupados com o futuro das nossas condições de vida.

NOSSAS CONDIÇÕES DE FORMAÇÃO

No que diz respeito à nossa formação aqui na universidade, tudo vai indo de mal para pior. A burocracia universitária, pressionada pelos governos para reduzir os gastos na universidade (devido à crise econômica), saca suas tesouras e corta todas as verbas possíveis – todas menos os salários astronômicos e os privilégios dos burocratas inúteis e parasitas da universidade. Zago, o reitor da austeridade , que já foi simpático ao PT, passou os últimos quatro anos demitindo funcionários, impedindo a contratação de professores, desmontando creches e hospitais, atacando a pesquisa, congelando verbas, em suma, dando largos passos no sentido da piora da qualidade do ensino na USP e, portanto, na desvalorização da formação de seus estudantes.

Estão atrasando a capacidade de transferência de conhecimento, retirando espaço para um conhecimento crítico, impedindo de estudar e pesquisar o que queremos. Os programas de extensão e bolsas de ensino diminuem e são cada vez mais enviesadas a um ensino tolhido e técnico para nos enquadramos nesse mercado devastado. Se a USP já foi uma das responsáveis por produzir conhecimento e inovação, hoje se limitaria em reproduzir uma mão de obra altamente qualificada, que nem acontece de fato.

Em meio a esse cenário realmente caótico, encaramos mais uma eleição para o Diretório Central dos Estudantes (DCE-Livre da USP), supostamente a ferramenta de organização e articulação política geral dos estudantes uspianos. “Supostamente” pois é fato que o DCE atualmente tem pouco significado na vida dos estudantes. O que têm a dizer as chapas? Com poucas exceções, todas elas surgem com a mesma solução de todos os anos para resolver os nossos problemas: pedir mais verba do estado, a “democratização da universidade” por meio de mais representação na burocracia, e suas listas de pequenas reformas para cada âmbito da vida estudantil a serem reivindicadas aos chefões que comandam a USP. E por detrás das primeiras aparências usuais já se enxerga em muitas delas o foco construção eleitoral para 2018.

O Partido dos Trabalhadores é o mais preocupado com 2018, desde a queda do governo Dilma e com os maus resultados nas eleições municipais do ano passado, perdeu grande parte de seus aparatos políticos e burocráticos. Os aparatos são basicamente a razão de ser do PT há muitos anos, sua base tem se afastado como consequência de seus governos impopulares e de suas políticas traidoras aos trabalhadores. Na universidade, num ambiente mais “intelectual”, a par das questões do trabalho, ainda enxergam um espaço a atuar, vide como multiplicaram os diretórios e centros acadêmicos dirigidos por alguma corrente petista. No ME se caracterizam por se apoiar mais nas reuniões com burocratas do que na organização direta dos estudantes, quase uma caricatura da representatividade parlamentar. Quando há uma questão real, que move e preocupa muitos estudantes, fazem um esforço para ignorá-la ou transporta-la para uma reunião à portas fechadas com a burocracia uspiana. Só são radicais quando cabe em sua autoconstrução. Com isso casa-se seu programa cheio de pequenas reformas, pois mesmo nessa situação de perda de direitos, quando a burocracia cede em alguma questão é cantado como “vitória do movimento”.

A maior parte das organizações de esquerda (PSOL, PCB…) aprendeu a agir no ME com o PT, só apenas com algumas palavras de ordem mais agressivas e uma roupagem mais radical. Atualmente assumem uma preocupação com o ascenso do petismo no movimento, mas não enxergam como reproduziram acriticamente a lógica petista na direção do DCE ao longo dos anos.

O QUE FAZER?

Nós, do Território Livre, queremos propor uma reflexão para os estudantes da USP, e não prometer saídas fáceis e miraculosas. A crise que enfrentamos traz de forma violenta, para nós, a imensa contradição entre uma formação universitária altamente especializada e a falta de emprego e condições decentes de trabalho. Entendemos que muitos dos estudantes serão trabalhadores amanhã, então mais do que nunca devemos estar com trabalhadores em sua luta por emprego e salário.

Defendemos uma organização conjunta pelo mínimo, pelo sensível a maioria dos estudantes, pela garantia de que nossas condições de estudo não piorem, para se unir de fato aos trabalhadores em torno de interesses comuns (ex: abertura de contratações, pela liberdade de se organizar no campus) e barrar a destruição da USP. Ainda assim, evidentemente, um Diretório Estudantil não pode, por si só, resolver nossos maiores problemas.

Ainda que nós nos organizemos para defender nossas condições de estudo na USP, é claro que isso não resolve o problema do desemprego, da inflação, da baixa salarial e da corrupção. E esta luta não pode ser construída por politicagem burocrática e demagógica, mas apenas pela organização e luta dos de baixo contra os de cima para defender suas condições de vida, estudo e trabalho.

Acreditamos que os problemas estruturais de nosso mundo só podem resolvidos a longo prazo, a partir de uma luta defensiva em aliança com os trabalhadores da USP e de todas as outras categorias, que nos conduza a uma superação da irracionalidade do capitalismo rumo a uma organização socialista da economia. Para garantir emprego e salário digno numa divisão racional do trabalho e da riqueza produzida, que permita uma vida decente a todas as pessoas.

08.11.2017


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