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[dce usp 2016] tomar de assalto!

Nas eleições para o DCE 2016, o TL compôs, em unidade com o Rizoma e estudantes independentes a chapa Tomar de Assalto. Aqui, seu programa:


TOMAR DE ASSALTO O FUTURO!

“O tempo é roído por vermes cotidianos. As vestes poeirentas de nossos dias, cabe a ti, juventude, sacudí-las.” (V. Maiakóvski)

Com o acirramento da crise econômica e política grandes combates se aproximam para a classe trabalhadora brasileira e sua juventude. Todo o sistema político-partidário burguês está falido e toda a economia capitalista está em crise. A revolta da maioria da população contra este governo é compreensível e legítima. Os políticos do Congresso são totalmente incapazes de resolver os problemas da população. Sabemos que a briga entre tucanos e petistas é apenas pra disputar quem tem as melhores condições de atacar nossos direitos e nossa liberdade.

Devemos confiar apenas nas nossas próprias forças! A nossa luta independente é a única que pode ocupar o vazio político deixado pelo PT e desmascarar os oportunistas da oposição de direita e seus aliados que querem surfar no descontentamento popular.
O movimento estudantil não pode ficar à margem desse processo, e sim servir como um importante pólo de resistência e luta independente contra os governos e os patrões! Os métodos de luta dos trabalhadores e da juventude são as greves, os piquetes, as passeatas e as ocupações. Trabalhadores ocuparam fábricas na grande SP e no interior contra demissões. Jovens ocuparam centenas de escolas no ano passado. A organização independente nas fábricas e universidades é a base do poder dos trabalhadores e da juventude!

O PT domesticou por décadas o movimento estudantil da USP. Diante do atual desmoronamento deste partido, para romper a paralisia em que nos encontramos é fundamental que agora a esquerda anti-governista atue em unidade para avançar sem vacilação e extinguir de vez a influência que ele ainda exerce sobre as organizações da juventude e dos trabalhadores, a começar por nossas entidades estudantis.
A divisão da esquerda em diversas chapas, nesta conjuntura, é um reflexo de anos de atuação do PT e da reprodução dessa prática pela esquerda. A inexistência de chapas que se alinhem às polarizações colocadas nacionalmente revela a velha prática eleitoreira de tentar controlar privadamente as entidade de base.

O apoio ao governo Dilma com o discurso do medo de um golpe, confundindo uma outra conjuntura com o presente, ignora os ataques mais brutais: cortes, leis que reduzem os direitos democráticos e os direitos dos trabalhadores – vide lei anti terrorista e PL de terceirização. Com os processos de luta bloqueados pelas direções sindicais da CUT, a esquerda ficava de mãos atadas, incapaz de se defender. Agora, com a crise petista, temos a chance de mudar esse cenário de refluxo.

A esquerda não pode vacilar nesse momento, a conjuntura não permite menos! Enfrentamos uma grave crise econômica que não permite conciliação com o governo e todos aqueles que nos atacam. Os trabalhadores e sua juventude enfrentam o desemprego, o aumento do custo de vida, cortes e mais cortes, o aumento da repressão e ainda há muito por vir. O ajuste fiscal é o grande inimigo e dentro da USP se aplica através do desmonte da universidade.

Em meio à crescente deteriorização das nossas condições de vida, em nível nacional e dentro da USP e a falência de um projeto político burguês de conciliação, é possível tomar de assalto o futuro! A juventude universitária pode e deve cumprir a tarefa de abrir esse caminho. Devemos erguer a partir daqui a resistência, nos aliar aos trabalhadores, construir um movimento capaz de barrar os ataques e ser a ponta de lança nesse momento de crise.

TOMAR DE ASSALTO O ME

O movimento estudantil uspiano, porém, segue alheio à explosiva conjuntura política nacional. Segue em suas políticas de calendário, com preocupações eleitoreiras, para controle de entidades que cada vez mais se descolam dos estudantes. As eleições do DCE hoje em dia se dão no meio da apatia. Como poderia ser diferente após tantas e tantas gestões burocráticas de DCE, que têm sido responsáveis por rebaixar a discussão politica entre os estudantes levando, também no período eleitoral, esse tipo de postura ao seu limite?

Desde 2013 não se vê movimentação política ampla na USP por parte dos estudantes, que erga o movimento estudantil de conjunto, uma vez que os grupos políticos hegemônicos temem perder o controle das movimentações para as suas bases, como ocorreu em outubro de 2013. Há alguns anos o ME foi tomado pela covardia política.
Um ME descolado da realidade está fadado ao fracasso e à continuidade dessa paralisia. É preciso reverter essa situação!

PROGRAMA PARA TOMAR DE ASSALTO A USP:

Resistir contra cada ataque!
No ano passado, vimos um forte movimento de ocupações de escolas contra os ataques do governo Alckmin. O movimento secundarista começou com a resistência: não permitir que suas escolas fossem fechadas. Os estudantes chegaram à conclusão de que o corte na educação era parte dos ajustes econômicos.

Da mesma forma, diversas universidades federais entraram em greve por causa do enorme corte do governo federal na educação, que afetou grandemente as condições de estudo e trabalho. Uma das principais áreas atingidas foi a permanência estudantil!

Resistir contra qualquer ataque à juventude em unidade nas universidades e nas escolas secundaristas! Não cair no conto dos conciliadores e reformistas, que sempre buscam um conchavo com as reitorias em nome de pequenas e limitadas melhorias. Unificar as lutas e organizar a resistência!

Pela democracia direta, o poder daqueles que lutam!
Em cada momento, deve-se favorecer a democracia direta. Basta dessas entidades que fazem apenas reuniões esporádicas em suas sedes, à portas fechadas; que temem fazer assembleias (pois temem os estudantes). A função do DCE é convocar e construir assembleias de base para discussão e mobilização real!
Defender e construir comandos de greve que tenham capilaridade nos cursos e ergam o poder desde baixo contra os de acima!

A luta contra o racismo, machismo e LGBTfobia!
Uma coisa é certa: nenhum tipo de opressão passará! O DCE deve apoiar a auto organização das mulheres, pessoas negras e LGBTs para que estes consigam formar as linhas de frente de nosso movimento. As opressões nos fragmentam ainda mais, expulsando companheiras e companheiros da luta! É preciso forjar desde já os passos para a sociedade que queremos construir e combater estas práticas no interior de nossas mobilizações.

E na USP a militarização torna-se cada vez mais opressora, afetando, principalmente, pessoas negras e LGBTs, ao mesmo tempo que não representa segurança para as mulheres. Ao longo de 2015 diversas tentativas de mobilização foram impulsionadas por mulheres e LGBTs em torno desta pauta e contra todo tipo de assédio moral e sexual. Polícia não representa segurança dentro da USP, nem em nenhum lugar.

O desmonte da universidade também atinge primeiramente os setores mais marginalizados, pois ataca diretamente a permanência estudantil, com o fechamento das creches, cortes de bolsas, diminuição dos estágios e perseguições por parte do Serviço de Assistencia Social. Na contra mão das medidas que a Reitoria vem tentando aplicar, estudantes negras e negros erguem a luta por cotas raciais e sociais na USP. A juventude negra e trabalhadora coloca-se à frente e aponta: são as ocupações e a luta radicalizada que devem guiar nossa mobilização.

Radicalizar nos métodos! Criar o poder da maioria na universidade!
Não se deve, por princípios, desprezar os espaços que a burocracia abre para as representações estudantis. Mas não é possível, nem correto, fazer fetiche desses espaços (como faz a burocracia do ME). Esses espaços nem de longe são capazes de favorecer a luta pela resolução dos problemas da universidade. O fundamental é buscar métodos de ação que abram o poder da maioria, como greves, piquetes e ocupações. Os prédios, laboratórios, ateliers, salas de aulas, gráficas, marcenarias, tudo têm de ser colocado a serviço dos estudantes e trabalhadores, pois estes são a única força social efetivamente progressista que resta na universidade.

Este programa de ação é condizente com as tarefas colocadas pelo nosso momento histórico, que é justamente criar um polo de resistência para a superação da mediocridade política instalada no Brasil pela hegemonia do Partido dos Trabalhadores entre a esquerda. E para a criação desse polo se faz necessária a retomada de nossas entidades de bases das mãos de forças politicas que servem como freio para a radicalização e massificação do movimento estudantil. Apenas com os métodos históricos da classe trabalhadora que conseguiremos resistir aos ataques colocados pela conjuntura e só com estas armas em mãos que devemos nos lançar aos desafios!

PARA ABRIR ESPAÇO PELO FUTURO, VOTE:
TOMAR DE ASSALTO O DCE 2016!

12.04.2016


Categorias: Panfletos, Universidade

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