! conquista é diferente de vitória. na usp sairemos com qual delas? - Território Livre

conquista é diferente de vitória. na usp sairemos com qual delas?

Vitória é quando você realiza o seu objetivo, o motivo pelo qual entrou na luta. Conquista é quando você obtém um elemento que lhe é importante, mas secundário diante do objetivo inicial.

Os blocos K e L para os estudantes — mesmo não sendo autogestionados — são um avanço. O mesmo pode-se dizer das vagas na creche, das bolsas, dos pontos de recarga para o bandejão, das linhas de ônibus, etc. Todos são conquistas, mas não “vitórias”.

Uma vitória, na mobilização atual, significaria um avanço real nos pontos pelos quais entramos na luta: eleição direta para reitor e fim da repressão (particularmente processos, eliminações e convênio com a PM). Mas nesses pontos não tivemos avanço algum (o Congresso para a estatuinte é submetido ao CO — não decidirá nada. Isso está letra por letra no termo apresentado pela reitoria).

Por quais motivos uma mobilização acabaria sem vitória, só com conquistas? 1. repressão dura, quebrando o movimento; 2. cansaço da categoria mobilizada; 3. traição da direção, com características conciliadoras. As duas primeiras são compreensíveis, a terceira não.

Nesta mobilização não tivemos ainda o ponto 1 — até mesmo a justiça se posicionou contra a reintegração da reitoria. O ponto 2 ainda não é determinante — o movimento está contraditório: cursos pequenos saem da greve e outros, como a letras, fazem assembleias maiores que mantêm greves e piquetes. Unidades inteiras, como a FFLCH, a FAU e a ECA, estão bem mobilizadas e têm propostas para fortalecer a mobilização e radicalizar as ações. O único elemento que faria os estudantes saírem da luta sem vitória, só com conquistas, hoje, é o ponto 3 — a posição conciliadora da direção do movimento.

Quais as consequências de sair de uma luta em tais condições (só com conquistas, quando há espaço para vitória)? As consequências são o ceticismo, a apatia e a desconfiança de setores amplos dos estudantes em relação ao movimento estudantil e o crescimento de setores de direita reacionária (em chapas, grêmios, etc).

É sobre isso que estamos decidindo agora, e pesa sobre todo o ME essa responsabilidade.

01.11.2013


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