! balanço do xii congresso dos estudantes da usp - Território Livre

balanço do xii congresso dos estudantes da usp

Embora não faltem razões para que nos ergamos – não é necessário fazer uma lista exaustiva dos ataques: cortes, desmonte, fechamentos, presença da polícia, proibição de bebidas e festas – o movimento estudantil da USP segue em refluxo. Nós do Território Livre acreditamos que isso acontece, em grande medida, porque o ME não oferece uma perspectiva nova aos estudantes: seguimos velhos e embolorados, agarrados a um passado de reivindicações abstratas, historicamente puxadas por setores petistas, incapazes de seduzir os estudantes porque na prática já se mostraram falidas.

O XII congresso dos estudantes foi especialmente revelador nesse sentido.

DISCURSOS DE MUNDOS E FUNDOS

Certamente, o discurso que marcou as mesas de debate foi o esfacelamento do PT. Embora palestrantes e debatedores divergissem em tudo o mais, uma coisa era comum: o PT ruiu.

Nas saudações, discursos inflamados contra o petismo. Nos GDs, enquanto a esquerda centrava fogo no partido, em geral os governistas evitavam o embate direto e se focavam em outras questões.

NA PRÁTICA A TEORIA É OUTRA

Porém, na plenária final, na hora de dar as diretrizes para transformar o discurso em ação, ficou claro que as palavras seriam apenas isso: palavras, que o vento leva. No primeiro dia, votou-se desde o fim das fronteiras nacionais até os sempre presentes 10% do PIB pra educação.

O segundo dia, quando se votaram as propostas de organização do ME, revelou o quanto ainda somos um movimento domesticado e burocrático. O Congresso manteve a necessidade da maioria qualificada para decisões estatutárias, ou seja, permitiu que uma minoria se sobrepusesse a uma maioria. Isso levou à não aplicação da proporcionalidade na gestão do DCE, apesar dessa proposta ter obtido o voto da maioria dos delegados. Ainda como consequência da incapacidade do ME em romper com o PT, não houve coragem de romper com a UNE.

E na hora de votar o eixo central do movimento para o próximo período, os discursos inflamados contra o governo deram lugar à velha prática petista de sempre: os companheiros do Juntos!, do RUA e do PSTU fecharam uma proposta com o Levante, que se abstinha de incluir os ataques desferidos contra a juventude e aos trabalhadores pelo governo federal, ampliando assim o isolamento da USP, e dificultando nossa aliança com outros setores.

LUTAR NO DIA 15?

O congresso havia tirado a construção de uma paralisação no dia 15 de outubro, aderindo à paralisação votada pelos funcionários da USP. Porém, o movimento uspiano em refluxo foi surpreendido pelo movimento ascendente dos secundaristas. Nós do TL não somos contra a unidade com os secundaristas, pelo contrário. Mas a paralisação tirada no congresso foi apenas morna entre os estudantes da USP, e com raras exceções, os universitários foram ao ato dos secundaristas priorizando a auto-construção de suas correntes, não como um bloco claro de apoio do ME uspiano à luta que os secundaristas travam.

LUTAR COM VIDA

No meio da disputa de claques no auditório, de tantos discursos que não se tornam prática, o Congresso, que acontece em meio a tantos ataques, foi marcado por um único momento de vida pulsante: a festa atentado contra a moral e os bons costumes.

Em meio à proibição de festas, uma festa que abala as estruturas do prédio da história. Em meio à proibição de bebidas, bebida e celebração!

É essa perspectiva que o movimento estudantil precisa oferecer aos estudantes: uma forma de resistir, agora, à altura dos ataques que estão sendo desferidos contra nós. É preciso desatar as mãos das práticas velhas, com que o petismo domesticou o ME, e eguer a resistência: na universidade morta, a juventude viva!

Resistir contra os ataques e o avanço da repressão!

Construir, na luta, a unidade da juventude com os trabalhadores!