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[calc 2015] artefato explosivo

DAR FIM AO BODE COM ARTEFATO

O bode toma conta da ECA. A prainha e a vivência estão cada vez mais vazias, o CALC está sempre fechado, as festas são cada vez mais raras — até mesmo a tradicional QiB já não é mais tocada pelo CA –, os cursos estão cada vez mais isolados. Debates, reuniões e fóruns que sirvam para nos organizar tornaram-se mais e mais escassos.

Nós, estudantes, estamos bodeados.

O CALC, que poderia ser a mola propulsora de nossa criação, reunião e organização, mal cumpre suas funções protocolares; reuniões abertas existem apenas em nossa memória e os estudantes da ECA veem a entidade cada vez mais distante, não se sentem parte dela e entendem a cada dia menos para que ela serve ou poderia servir.

Nem cerveja o CA vende mais.

Recentemente, diante da importante greve travada pelas três categorias da USP e dirigida pelos trabalhadores, nossa entidade pouco fez para ampliar nossa intervenção neste processo e para mobilizar os estudantes. O clima de ressaca e apatia era generalizado em toda ECA mesmo durante esta importante luta.

Neste momento em que discutimos a política de nossa entidade para o próximo ano, nós, da chapa Artefato Explosivo, acreditamos que é fundamental travar um debate sério sobre o que afasta os estudantes da entidade. E, acima de tudo, pensamos que este momento de discussão e troca de ideias intensas – como é o período de eleição para o CALC – deve servir para relembrar o que pode e deve ser a nossa entidade, para travar um debate qualificado sobre o papel que os estudantes da ECA podem cumprir dentro e fora da universidade.

Nossa melhor arma para dar fim ao bode é a tomada do centro acadêmico pelos próprios estudantes, como seu artefato explosivo. Toda ideia, proposta e atividade deve ser bem vinda. O centro acadêmico não deve ser um grupo seleto de estudantes que vai, sozinho, resolver todos os nossos problemas. Ele tem de ser uma ferramenta para organizar os alunos de toda a ECA, por meio de uma gestão que o abra à participação geral e organize fóruns e reuniões frequentes para discutir e deliberar coletivamente sobre as questões que surgirem.

Assim, poderemos produzir e intervir na realidade com todo nosso artefato para abrir espaço às festas, à discussão e ao debate permanente. A falta de RAs, assembleias ou qualquer forma de democracia direta só serve para deixar a gestão isolada e pouco transparente, afastando os estudantes da entidade.

As propostas e a linha política da gestão eleita devem ser constantemente testadas durante o ano em fóruns democráticos, para que o CALC responda às questões de conjuntura e seja de fato tomado pelos estudantes.

SUPERAR O ISOLAMENTO

Sem o CALC, é muito mais difícil sairmos do isolamento de nossos onze cursos. Ele deve servir como um articulador de atividades, discussão e possíveis soluções de problemas.

Sabemos bem que todos os departamentos tem sérios problemas internos, de professores picaretas a aulas desinteressantes. Isso acontece acontece porque nossos cursos tornam-se a cada ano mais técnicos e voltados às demandas do mercado.

Mas para resolver isso é preciso que a entidade impulsione a produção de um veículo de comunicação permanente para toda a ECA, que sirva para construir uma ponte entre os cursos e interligar nossos problemas em comum.

Os estudantes podem também usar o CALC para construir oficinas que sirvam para estudar e produzir aquilo que lhes interessa, para além do conteúdo curricular de seus cursos. Isso pode alimentar nosso veículo comum, de modo que as demandas não correspondidas nos cursos encontrem expressão ao nos unirmos.

FESTA

Não devemos também menosprezar os nossos espaços de encontro, e sim defender nossas festas, cada vez mais ameaçadas e raras.

As festas são essenciais para o financiamento e autonomia de centros acadêmicos, atléticas e projetos de extensão, que não conseguem ou não querem receber dinheiro de suas diretorias. Muitas vezes, também é o único lugar capaz de promover o encontro e o intercâmbio de ideias entre estudantes de diferentes unidades.

Uma universidade sem festas é uma universidade de estudantes calados. Sem festas, não há como financiar as mais diversas iniciativas estudantes. Com estudantes incapazes de se encontrar e organizar, o resultado é uma queda no número de iniciativas e produções estudantis.

Além disso, as festas servem como espaço politico não apenas aos estudantes do campus, mas também às comunidades vizinhas e pessoas de fora da USP, rompendo o isolamento da universidade. Nas festas se faz política, organização e resistência da juventude da USP e de toda a cidade

VOLTA DA QiB

Não existe Escola de Comunicações e Artes sem QiBs. Diferente de outras unidades, a ECA é formada por vários departamentos pequenos que passam a maior parte do tempo completamente isolados. Nossos cursos são interligados somente na teoria e só há um lugar capaz de reunir e articular todos os estudantes na prática: a quinta i breja.

No último ano, a festa que dá vida a nossa escola enfrentou vários ataques: multa da diretoria, proibições da diretoria, assaltos e roubos, e até agressões da PM a organizadores.

Sabemos da dificuldade que é responder a tudo isso, mas começando com pequenos passos, temos que recriar a cultura de nossa festa semanal. Apesar do canil ter segurado a barra o ano inteiro, a situação ainda é difícil, pois o coletivo não tem financiamento fixo. Já o CALC tem condições de organizar a festa com mais facilidade e segurança. Mas teremos que começar com uma festa menor, até voltarmos ao nosso ritmo de antes.

A reitoria e a diretoria da ECA ja se mostraram incapazes de nos oferecer segurança. Como se não bastasse, nos últimos anos todas as medidas (bem questionáveis) aplicadas pela burocracia foram acompanhadas pelo aumento da violência no campus.

Os estudantes da ECA ja foram capazes de organizar grandes festas e mostras culturais com milhares de pessoas e total segurança. nossa insegurança é fruto de desorganização e esvaziamento dos nossos espaços. Com nossa própria articulação, podemos aumentar a circulação de pessoas e pensar juntos em como melhorar a segurança da ECA.

CRISE DA USP

Se nos últimos anos nossos espaços já estavam ameaçados pela reitoria e nossa mobilização sofreu ataques, neste ano os cortes anunciados por Zago demonstraram que a burocracia universitária realmente pretende vir pra cima do movimento. Cortes de bolsas de intercâmbio e pesquisa, tentativa de congelar salários, ameaça de redução do quadro de funcionários, intransigência com a greve dos trabalhadores, tentativa de desvinculação dos hospitais escola; exemplos de que Zago pretende atacar com intensidade ainda maior os poucos elementos progressistas na universidade de hoje.

Além dos novos ataques, continua de pé a forma autoritária da reitoria em lidar com o movimento, como nos cortes de pontos de trabalhadores em greve, processos com motivações políticas, suspensões, manutenção do convênio com a PM. Nossos espaços continuam ameaçados — e a reitoria e a diretoria da ECA querem, ainda, “discutir” o uso que fazemos hoje da vivência!

Da mesma forma que fizeram os trabalhadores neste ano, é preciso que os estudantes sejam capazes de se organizar e resistir. Apenas assim nossa entidade continuará existindo e teremos condições de pensar e produzir além dos estreitos limites da sala de aula.

A ECA QUE AINDA PODE SER

Nesse cenário de ataques e apatia, é preciso resgatar o que já foi nossa entidade. Na greve de 2013, por exemplo, os estudantes da ECA usaram o CALC como arma para intervir com força e integrá-la ao movimento geral. Naquele ano, defendemos também o canil, a prainha e a vivência.

Mesmo sob fortes ataques da reitoria, fizemos no passado festivais memoráveis; reerguemos o canil que o reitor derrubou às vésperas do Natal de 2012, peitamos a burocracia e mantivemos nossos espaços, saímos às ruas!

É preciso reerguer o CALC, hoje infelizmente afundado na rotina. É preciso sonhar com uma entidade à altura dos estudantes da ECA: capaz de produzir, capaz de intervir na realidade e que tenha autoridade coletiva para peitar os que nos atacam.

PROPOSTAS

_OFICINAS
Estudantes podem ensinar estudantes em habilidades extra-curriculares. Se nossos cursos possuem debilidades, nós mesmos podemos trocar conhecimentos em oficinas para produzir materiais através do Centro Acadêmico.
Para ficar em alguns exemplos de relevância atual, os estudantes do CAP ou CTR (departamentos com ensino do pacote Adobe) podem ajudar os estudantes do CRP e CJE a desenvolver projetos nos programas de design, que são oferecidos em aulas pagas para alguns cursos. Afinal, por que não trocar conhecimento entre os próprios estudantes?
As oficinas podem abarcar pessoas e interesses de fora da universidade, rompendo o isolamento dos estudantes com a cidade através de práticas necessárias não somente à formacao acadêmica.
_COLETIVOS AUTO-ORGANIZADOS
Os coletivos da ECA, feminista, negro e LGBT, são exemplos da capacidade e necessidade dos estudantes se auto-organizarem. Não serem mérito de gestões específicas do CALC, mas a entidade tem de dar base e fomentar com os coletivos o debate das opressões para todas a Eca. Para isso é importante dar espaço para atividades públicas e o financiamento autônomo dos coletivos. Debates, qibs e cervejadas temáticas são exemplos disso. Isso vale para quaisquer iniciativas coletivas dos estudantes. Dar voz e autonomia aos coletivos.

_REUNIÕES ABERTAS PERIÓDICAS: VOZ E VOTO!

_PLANEJAMENTO FINANCEIRO PARA REERGUER O ORÇAMENTO DA ENTIDADE
A melhor forma de reerguer as finanças do CALC é iniciar um debate amplo e claro sobre quais são nossas prioridades e que meios podemos empregar ou criar para conseguir mais dinheiro. Vender cerveja diariamente e em festas, renegociar o aluguel do restaurante da vivência e quitar as dívidas trabalhistas da entidade são os primeiros passos para garantir a autonomia do CALC.

_PLANEJAMENTO ESTUDANTIL DE SEGURANÇA PARA QiBS E FESTAS
A principal causa da insegurança na USP é o seu isolamento do resto da cidade. Não a toa, com a proibição às festas e diminuição de atividades culturais financiadas pela venda de cerveja, aumentou-se os casos de violência no campus.

Não conseguiremos elaborar uma solução somente na ECA. Para isso é necessário articular estudantes, atléticas, e CA’s de diversas unidades e discutir coletivamente e em unidade sobre o problema.

As medidas da reitoria na área de segurança foram acompanhadas pelo aumento da violência e de restrições democráticas. Os estudantes não podem mais confiar na burocracia universitária, mas sim na sua própria força e capacidade de organização.

_DESENVOLVER PERIÓDICOS E IMPRENSA ESTUDANTIL, A COMEÇAR PELO JECA (JORNAL DOS ESTUDANTES DE COMUNICAÇÃO E ARTES)

_REFAZER MOSTRAS ANTIGAS, MECA (MOSTRA EXPEPERIMENTAL DE COMUNICAÇÕES E ARTES) E ANTI-ARTE E CONTRA-COMUNICAÇÃO, E FOMENTAR NOVAS INICIATIVAS DE PRODUÇÃO E DEBATE.