! A UNE E O ME DA USP - Território Livre

A UNE E O ME DA USP

Nessa semana está ocorrendo eleições da UNE , e o cenário não é nem um pouco empolgante. As tradicionais correntes do ME tentam, agora, criar uma “polarização”, que soa completamente artificial na universidade. Por anos e anos nada se ouviu falar de UNE por aqui e, de repente, o futuro de todo movimento estudantil nacional “está em jogo”.

A chapa da direção da UNE (PT, Levante, UJS) acusa o DCE da USP, que compõe a Oposição de Esquerda (Todas as correntes do PSOL e correntes próximas, como MAIS) de estar distante dos estudantes. Por sua vez, a Oposição diz que quem é distante dos estudantes, e do DCE, é a UNE. O que ambos não dizem é que as duas tendências dirigem, praticamente, a totalidade de centros acadêmicos da USP, assim como a totalidade de DCEs e CAs do país. E o que reina no cotidiano das universidades é um movimento estudantil universitário apático e desmoralizado.

O momento politico é muito singular, os escândalos de corrupção têm colocado o Estado a nu, mostrando rapidamente o seu verdadeiro papel de balcão de negócios de empresários e patrões. Isso tem causado uma tremenda disputa e paralisia entre as frações burguesas. Os trabalhadores, que já estavam irritados com o conjunto da crise, expresso na ampla rejeição aos projetos de reforma trabalhista e da previdência, agora se enfurecem com as novas cenas da politica nacional.

A principal saída para crise, apresentado tanto pela Direção quanto pela Oposição da UNE é “Diretas já”. Ambas as chapas querem nos fazer voltar a 1970, quando os estudantes da USP saíram as ruas pela democracia, os “tempos áureos do ME”. Mas hoje essa reivindicação é apenas uma paródia, e das piores. Se lá, a submissão do movimento à reivindicação democrática serviu para amançar o movimento operário e canaliza-lo na construção do PT, hoje e essa palavra de ordem serve para tentar dar um último suspiro ao PT na hora de sua morte. É uma tentativa de fazer com a revolta dos trabalhadores, no fim, regularize a democracia e estabilize o sistema. Principalmente para criar novas “alternativas” eleitorais, e eleger mais de seus candidatos, tanto do PT como do PSOL.

O nosso papel não é estabilizar o sistema, regular a democracia, colocar a casa no lugar para os poderosos. Na verdade, quando mais reina a confusão entre os de cima, melhor é para os de baixo. Temos que aproveitar o momento, utilizar a luta e a confusão entre a burguesia, para organizar a classe trabalhadora e começar a construir as bases de um novo sistema, através do auxilio na construção das paralisações e na propaganda das comissões nos locais de trabalho. O dever da juventude que tem seu futuro deteriorado pela burguesia é estar ao lado dos trabalhadores na construção desse novo poder.

O restante do programa das duas chapas permanecem iguais entre si, e continuam a defender o “programa histórico” do ME, igual aquele dos anos 70, que consiste em reformas universitárias localizadas, como diretas para reitor, que o território livre por vezes já criticou. Não temos nenhuma ilusão nessa entidade, nem neste congresso que virá. O seu foco na conciliação e sua atuação focada em universidades já nos aponta seus próximos passos rumo ao abismo.

Apesar das duras críticas que temos, a Oposição de Esquerda, corretamente em seu programa, denuncia a submissão da direção da entidade ao governo do PT, direção que assinou em baixo de tudo que o PT fez de pior, além dos constantes acordos de cúpula que negociam o movimento pelas costas. Essas denúncias são importantes e enfraquecem o PT. Por isso, nas unidades onde atuamos votaremos no OE contra a chapa petista. Temos unidade com esse objetivo. No mais, sem uma mudança séria de perspectiva e de programa, não há esperança de vida para esta entidade.

01.06.2017


Categorias: Blog

Tags: , , , ,