! [panfleto] sem rabo preso com o pt: pela independência do movimento secundarista! - Território Livre

[panfleto] sem rabo preso com o pt: pela independência do movimento secundarista!

Essa semana, ao ser denunciado na operação Lava-Jato, Lula se referiu à luta dos secundaristas, em uma clara tentativa de se apropriar desse movimento: “Essa meninada que enfrentou o Alckmin sou eu mais jovem”. Em seguida, falou que essa mesma “meninada” está hoje “lutando pela democracia nas ruas”.

Desde o fim das ocupações, temos alertado o seguinte: “O momento da conjuntura nacional faz com que qualquer luta possa ser usada para um propósito diferente do que ela se propõe. O movimento dos estudantes deve manter seu caráter independente e não pode deixar que sua luta seja raptada para servir aos interesses de poucos”.

Os atos que estão sendo convocados pelo “Fora Temer” têm se tornado verdadeiros palanques de propaganda em defesa de Lula e para promover os candidatos do PT, como Haddad e Suplicy (bem como outros oportunistas, de vários partidos supostamente de “esquerda”). Os cabeças do PT não acreditam de verdade em golpe, mas usam essas ideias para tentar aproximar uma parcela de pessoas revoltadas. Para isso, usam também os seus “braços” muito bem pagos, da mídia, como jornalistas supostamente livres, mídias ninjas e outros. Na prática, esses atos têm servido para recriar a base do lulismo, que será fundamental na eleição em 2018 (quando mesmo a Dilma possivelmente será eleita senadora).

Precisamos combater o Temer, mas a maioria dos jovens radicalizados têm ido aos atos mais pela adrenalina de resistir à PM do que pela própria conjuntura. Será certo agir assim? Será certo combater a PM por combater a PM, como se não houvesse toda a conjuntura por trás? Entendemos o ódio em relação à PM e compartilhamos desse ódio. Mas tornar o eixo da ação política a mera luta contra a PM é algo vazio, que pode ser usado por qualquer projeto. Também os nazistas na década de 1920, na Alemanha, se enfrentavam com as forças policiais, e assim pareciam radicais e aproximavam muitos elementos revoltados. Para além do mero ódio, é preciso saber pensar, entender a conjuntura e ver para onde está indo o país. Tudo o que os petistas querem neste momento são grandes conflitos com a PM, para criar a narrativa do “golpe”.

Hoje, melhor do que ir às ruas para defender o PT (mesmo que involuntariamente) é agir para avançar a nossa organização independente. Articular as escolas na luta pelo mínimo: resistir à repressão e perseguição das diretorias; resistir à polícia no próprio local de estudo; garantir a liberdade das atividades estudantis; fazer valer a nossa voz: mostrar que temos força na escola, que somos capazes de decidir o nosso próprio futuro sem a tutela dos “diretores” e todos os que representam estas instituições opressoras. Falta à vanguarda secundarista ainda conseguir fazer o básico: criar a rede de articulação dos estudantes capaz de fazer expressar o poder dos estudantes, a voz do estudantes.

ORGANIZAR A REVOLTA:
IR PARA AS BASES DAS ESCOLAS!

A tarefa central da vanguarda secundarista é fortalecer a luta pela base e organizar a resistência em cada escola. A maioria dos estudantes já sabe, e sente todos os dias, que a escola é simplesmente uma prisão, repleta de aulas sem sentido, de regras injustas, de controle e repressão. É raro vermos um estudante que defenda a sua escola com unhas e dentes.

A revolta, mesmo que não expressa, existe para a maioria dos estudantes, mesmo para aqueles que são vistos como “não politizados”. Aqueles estudantes que já passaram pela experiência de luta precisam sobretudo pensar em como trazer aqueles que não tiveram essa experiência para a luta. Isto é o central: como fazer para que o conjunto dos estudantes compreendam que só com a luta é que mudamos as coisas de verdade?

Mas não basta dizer, é preciso construir espaços para que os próprios estudantes passem pela experiência. Saber trabalhar com a revolta que existe e transformá-la em ação organizada é o trabalho de base necessário para construir um movimento secundarista real.

Para tal, criar e disputar os grêmios nas escolas é fundamental para construir atividades independentes, dos próprios estudantes (debates, oficinas, assembleias, etc.) e erguer a luta. Demonstrar na prática o poder dos estudantes é construir desde já atividades independentes e lutar contra toda a repressão nas escolas, apresentando a perspectiva de luta para uma ampla camada de estudantes.

É preciso que a luta em uma escola se amplie para as demais escolas de um mesmo bairro e região, mas essa articulação não se dá de forma artificial. Não adianta só reativar os antigos “sub-comandos” regionais, se não houver organização real e democrática de grande parte dos estudantes, pela base, nas escolas. Para que essas reuniões de articulação entre escolas tenha vida e não se disperse, é necessário construir o movimento na base.

Erguer a resistência contra os ataques!
Organizar a revolta!

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18.09.2016


Categorias: Panfletos, Secundaristas

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