! manifesto da escola paralela - Território Livre

manifesto da escola paralela

A ESCOLA MORTA DE UMA SOCIEDADE MORTA!

A escola é a casa da rotina e da ordem. Uniformes, aulas chatas, grade, câmeras, ronda policial. A escola não passa de jaula, feita para domesticar a juventude. Os diretores dirigem mal a escola e querem dirigir a nossa vida. O que nós queremos aprender não cabe na lousa. Nela só cabe a matemática pra calcular nossa falta de emprego, a nossa falta de futuro. Quem questiona algo fora do país da gramática, vai pra fora da sala! Quem pensa algo fora da cartilha da história é convidado a sair da escola.

A educação que nos servem é como a nossa merenda: um prato ralo e difícil de engolir – apenas uma porta de entrada para esta sociedade morta: obedecer regras dos pais e dos patrões; aguentar calado esse mundo de miséria e exploração.

O ESPÍRITO VIVO DAS OCUPAÇÕES!

Quem ocupou escolas viveu por alguns dias uma escola diferente. Quem não ocupou – mas que também sente na pele todos os dias os problemas da escola – ou mesmo quem foi contra as ocupações viu de longe a mesma quebra da normalidade: de uma hora pra outra, uma escola em que quem manda são os estudantes! Pra quem ocupou, aquela sensação: “estou tomando o que é meu! Na ocupação, aprendi mais do que na escola, e aprendi pra vida!” Pra quem ficou de fora, aquela dúvida: “como fazer pra garantir aquilo que é nosso?” Não há como negar: as ocupações são uma virada histórica em nossa geração. E quando as ocupações terminam, ficam as mesmas perguntas para todos: como, no dia a dia, manter vivo o espírito das ocupações? Como fazer que a escola seja nossa?

O que as ocupações nos ensinam é que as escolas podem ser territórios livres – livres das regras sem sentido, livres da polícia e do Estado – é possível organizar a escola e a sociedade de outra maneira, em que todos possam decidir conjuntamente os próprios rumos.

A ESCOLA PARALELA

O que as ocupações também ensinaram é isso: a só confiar na nossa própria força! Tomas a escola é reconhecer que temos poder! É tomar o poder! Contra a Escola morta, criar a Escola Paralela!

O Território Livre defende que os estudantes criem uma verdadeira escola paralela, paralela à escola oficial. Se a vida das ocupações vinha da intensa atividade realizada pelos próprios estudantes, é isso que precisamos manter!

PRINCÍPIOS DA ESCOLA PARALELA

A Escola Paralela deve construir um movimento estudantil independente! Independente dos governos e daqueles que nos reprimem todos os dias! A Escola Paralela é a morte dos burocratas!

A democracia da Escola Paralela é a democracia direta, nossas assembleias tem que ser a realiza- ção do poder da maioria! Por isso, é preciso organizar a escola pela base, as ideias de um pequeno grupo não podem calar a vontade da maioria!

Por isso, a união dos estudantes deve sempre ser buscada, pois a divisão só nos enfraquece diante de nossos reais inimigos! União não é conciliação; é disputa de ideias e mobilização, é fazer valer a decisão da maioria!

O QUE É A ESCOLA PARALELA?

Para tomar a escola é preciso se organizar (fazer assembleias, criar grêmios, realizar atividades). Mas haja saco! O movimento estudantil não pode ser mais chato que as aulas, discutir política não pode ser apenas seguir mais um monte de cartilhas! Por isso defendemos que a Escola Paralela não seja um espaço para doutrinar os estudantes, mas para que eles próprios produzam e construam um ambiente livre, o oposto da escola-prisão! A Escola Paralela é uma produção permanente de conteúdo, que vem para superar o conhecimento morto reproduzido nas salas de aula. É, sobretudo, a criação de um espaço que reúna os estudantes para a livre-produção e os ajude na tarefa de se organizar em cada escola e se ligar a outras lutas. Para fazer parte da Escola Paralela não é necessário pertencer a um grêmio, nem a nenhuma organização política. A Escola Paralela é de todos!

COMO CONSTRUIR UMA ESCOLA PARALELA?

1.Organizar!

É fundamental organizar os estudantes. Se na escola as regras são impostas de cima pra baixo, a escola paralela constrói as suas decisões de baixo pra cima. Reuniões abertas e assembleias onde todos podem expressar as suas ideia, e decidir coletivamente. Os grêmios livres podem ser um boa ferramenta para atingir ainda mais estudantes e trazê-los para a luta. Mas a tarefa zero, até mesmo para que um grêmio faça sentido, é organizar atividades que despertem o interesse da maioria. Um grêmio que não faz nada e só fala, que só diz o que a diretoria quer ouvir e não organiza os estudantes, ao contrário, limita a nossa organização: é tudo o que o governo quer! É preciso construir o movimento pela base, não adianta dividir os estudantes entre alienados e de luta. É preciso unir o conjunto da escola, porque nossos problemas são os mesmos!

2. Articular!

Nossos problemas não são específicos, nem localizados, os problemas de nossa escola, em geral, são parecidos com os das escolas do mesmo bairro! A Escola Paralela tem o papel de articular estudantes de escolas diferentes. Unir estudantes de escolas próximas, realizar ações em conjunto é fundamental! Para lutar contra os problemas da escola não podemos ficar isolados! A luta nas escolas pode muito mais do que apenas melhorar a escola! Unificar os estudantes é o primeiro passo para erguer uma luta de toda a juventude!

3. Produzir

Falar só não basta! De falatório já bastam os políticos! É preciso, claro, debater ideias e as reuniões do estudantes são muito importantes. Mas é preciso agir! É preciso dar vida às nossas ideias. A escola paralela acontece principalmente pela livre-produção. Realizar oficinas de fanzine, stencil, teatro, cinema, cartazes, saraus, debates! Com atividades práticas é possível envolver e organizar o conjunto dos estudantes de uma escola, é possível trocar experiências e realizar ações comuns entre escolas diferentes.

CRIAR O PODER POPULAR!

O Estado é como a escola da nossa quebrada: uma construção caindo aos pedaços! E há quem sugira: que tal reformar a escola? Que tal reformar o Estado? O governo tira dinheiro do salário do professor, e nos oferece migalhas pra comer, vai mesmo mudar a escola?

Mais do que pedir favores ou migalhas ao Estado, mais do que lutar por pequenas reformas, é possível lutar por um novo mundo. A Escola Paralela busca manter o espírito das ocupações. Ocupar não é apenas tomar posse de um prédio, é dar outro sentido para as escolas em ruínas. Em cada escola tomada pelos estudantes, há a tomada local de um poder paralelo, há o embrião do Poder Popular!

Somos um grupo de jovens que luta contra a repressão e contra a falta de perspectivas para a juventude! O Território Livre – nas escolas, universidades e ruas – combate a falida sociedade burguesa, que só nos oferece um futuro de merda. Lutamos pela criação do Poder Popular. Na construção desse poder, os jovens podem tomar pra si a tarefa de ocupar as escolas e universidades e transformá-las em centros da luta, em Territórios Livres. As escolas e universidades ocupadas (Territórios Livres) são a parte da juventude na construção do Poder Popular. São “núcleos” da juventude nesse poder, que ajudam a entrada em cena da classe trabalhadora na luta. A outra parte do Poder Popular, fundamental, são as fábricas e empresas ocupadas pelos que nelas trabalham. Erguer, na prática, a aliança entre a juventude e os trabalhadores é um dos motivos de existência do Território Livre.

TERRITÓRIO LIVRE é, antes de mais nada, uma palavra de ordem. Grito de combate. Grito para o futuro! É o que queremos, é pelo que lutamos!

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