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[panfleto] “escola sem partido”: armadilha petista

Panfleto distribuído pelo Território Livre no Ato Contra o “Escola sem Partido”:

O projeto de lei “Escola sem Partido” tem sido discutido entre alguns professores e estudantes. A lei proposta por tucanos pretende legislar sobre qual discurso é permitido dentro das salas de aula. Isso é um completo absurdo. Entretanto, não há risco real de avanço desse projeto hoje no Congresso. Até a Advocacia Geral da União e o Ministério Público Federal já declararam que ele é inconstitucional. Mesmo assim, mesmo sem o risco de aprovação da lei, diversos setores políticos lançaram uma “ampla campanha” contra o projeto, como forma de reunir “a esquerda” e atacar o governo e o PSDB.

Ora, diante da situação de crise em que se encontram as escolas, por que eleger um projeto sem fundamento como principal pauta para a mobilização dos estudantes?

O momento da conjuntura nacional faz com que qualquer luta possa ser usada para um propósito diferente do que ela se propõe. É preciso buscar ver para além da cortina de fumaça: na verdade, essa campanha está sendo usada para jogo político e vão se utilizar das mais diversas pautas para conquistar influência entre os jovens e trabalhadores. Colocando enquanto pauta central da mobilização estudantil o combate ao “Escola sem Partido”, os setores ligados direta ou indiretamente ao PT pretendem disseminar a ideia de que está havendo um golpe em curso – que impede inclusive discussão política nas escolas. Assim, caberia à juventude optar, na eleição, pelo “mal menor”, os candidatos do PT.

Ora, não podemos esquecer: se há algum risco de autoritarismo, ele está muito vinculado à história recente do PT comandando o país. Foram Dilma e Lula que militarizaram as favelas com o exército. Foi Lula que criou a Força Nacional de Segurança, que hoje reprime manifestações nas Olimpíadas. Foi Dilma que, dias antes de ser afastada, sancionou a lei contra o “terrorismo”, que agora está sendo usada até para reprimir o MST. É preciso lutar e há muito que lutar contra esta ordem autoritária do capital. Mas a primeira condição é abrir os olhos e saber não cair no jogo dos petistas, que colocam seus interesses privados acima dos interesses da maioria!

Abrir um novo caminho, para além do PT!

A POTÊNCIA DAS OCUPAÇÕES

Para a maioria dos estudantes, a escola é simplesmente uma prisão. Quando muito, ela forma mão de obra para o mercado (e não “pensamento crítico”). A escola não é nada mais que um espaço morto de experiências, onde as diretorias existem para reprimir e punir quem se revolta. Para o capitalismo, a juventude tem que ficar presa nas escolas porque, nas ruas, ela é um “problema social”. Isso é um projeto oficial do Estado (seja com PSDB, PT etc.).

Os estudantes que ocuparam as escolas fundaram uma nova lógica de poder em contraposição à das diretorias e do governo. Foi na escola ocupada pelos estudantes que, pela primeira vez, foi possível aprender algo de relevante para a nossa vida. A experiência de luta é o que realmente dá vida à reflexão crítica da sociedade e não a escola tal como é, mesmo com um discurso mais ou menos progressista nas salas de aula.

A lógica de uma mobilização que dispute essa ou aquela lei, que fique presa nos marcos da justiça burguesa, programa das entidades estudantis burocratizadas e dos setores petistas, visa, na verdade, angariar eleitores para as próximas eleições. Não é com luta parlamentar que vamos salvar a escola da ruína burguesa. Essa ruína é a ruína da civilização burguesa, que não tem mais futuro, senão o desemprego e a miséria. O que devemos fazer é tomar o que é nosso com nossas próprias mãos: ocupar as escolas. A ocupação das escolas é a parte da juventude na criação do Poder Popular (a outra parte, mais importante, são as ocupações dos locais de trabalho pelos trabalhadores).

Os estudantes que passaram por essa experiência em 2015 e 2016, sobretudo sua vanguarda, sempre prezaram pela independência política do movimento em relação ao Estado e às entidades estudantis burocratizadas, que buscavam colocar seus interesses particulares acima dos interesses da maioria em luta.
Devemos voltar ao conjunto dos estudantes nas escolas e erguer a luta contra a escola-prisão!

Não seremos massa de manobra dos petistas!
Contra a escola do capital, erguer o poder estudantil!
Ocupar e resistir: tomar o que é nosso!