! [panfleto] criar a articulação das escolas de luta! - Território Livre

[panfleto] criar a articulação das escolas de luta!

Além de ampliar as ocupações e a luta, devemos aprimorar nossa articulação. As escolas ocupadas têm legitimidade política para criar a verdadeira articulação dos estudantes. É isso que falta. Até agora as nossas lutas (desde o mês passado, nos atos) estiveram fragmentadas e confusas. Diversos atos desarticulados ocorreram, uns, inclusive, concorrendo e esvaziando outros. Isso só ocorre porque estamos fragmentados. Quem ganha com nossa fragmentação? Alckmin e seus burocratas.

As escolas mais periféricas ocupadas sofrem o risco do isolamento. Já passou da hora de criar o Comando das Escolas de Luta (o nome exatamente não importa). O que é o Comando? É a articulação da luta pela base, de forma autônoma e independente; é a articulação superior que, ao mesmo tempo, deixa todos os estudantes participarem e decidirem. O Comando é que tem legitimidade para articular as lutas em conjunto, pensar atos comuns, criar panfletos e materiais comuns, enfim: expressar a voz comum e a ação comum da maioria estudantil. Só agindo todos como uma força comum é que usaremos a nossa maior arma: os números. Se o governador tem a polícia, nós temos a maioria numérica.

Como funciona o Comando?

Em cada assembleia de escola ocupada ou mobilizada se elege delegados numa proporção comum a todas escolas (por exemplo, 1 delegado para cada 15 estudantes em assembleia. Se a assembleia tiver 60 estudantes terá 4 delegados eleitos). Esses delegados devem participar de uma reunião com delegados das outras escolas. Essa reunião é o Comando. A escola mais mobilizada terá mais delegados, portanto terá um maior peso no Comando. Isso não é errado: as mais mobilizadas são a locomotiva que puxa as menos mobilizadas nas ações comuns. E assim as menos mobilizadas ficam aos poucos mais mobilizadas.

Por que o nome “delegado”? Porque a pessoa está “delegada” pela assembléia da escola, ou seja, ela só pode assumir posições políticas que a assembleia lhe conferiu (lhe delegou). Ela não pode inventar uma política da sua própria cabeça. Mas ela tem, até certo limite, liberdade para votar numa proposta nova no Comando (uma proposta não discutida em sua assembleia, vinda da assembleia de outra escola). Esse delegado pode votar numa proposta nova se julgar que ela está de acordo com a política pela qual foi eleito. Mesmo assim, em seguida tem de justificar sua posição na assembleia de sua escola. Se a assembleia julgar que aquele delegado assumiu uma posição errada no Comando, ele poderá ser revogado (destituído) pela assembleia. Aí ela elege outro delegado para expressar a vontade da maioria.

A juventude francesa, em 2006, usou esse formato para uma grande luta. No estado de São Paulo, em 2007, quando ocorreram várias ocupações de reitorias e diretorias de universidades, os estudantes universitários de várias cidades usaram esse formato. Em 2009, 2011 e 2013 os estudantes chilenos que ocuparam suas escolas usaram esse formato e criaram um grande Comando Nacional.

Infelizmente não há hoje uma forma mais efetiva de articular ao mesmo tempo estudantes de regiões e cidades distantes. Se não for criado o Comando desde já a luta correrá grande risco de paralisar ou ser aparelhada (usada) politicamente por grupos. Os camaradas que reivindicam uma política autônoma e libertária têm o dever de ajudar a juventude a dar esse passo novo pela política independente.

Adiante!
Criar o Comando!
Viva as ocupações de escolas e a luta da juventude!