! contra o boicote ao comando dos estudantes - Território Livre

contra o boicote ao comando dos estudantes

* Esse texto de polêmica não foi publicado em nossa página em 2015. Foi distribuído, lido e discutido em nossa reunião aberta do dia 21.11.2015, em frente à ocupação da E.E. Fernão Dias Paes, e entregue a membros do GAS e d’O Mal Educado, como forma de crítica fraterna.

Já passou da hora de ocorrer um encontro de todas as escolas (ocupadas ou mobilizadas) para criar uma articulação de verdade, o Comando. Ele está caindo de maduro. O movimento já corre o risco da paralisia. As escolas sentem o peso da fragmentação. O movimento poderia estar agindo há dias de forma unificada, planejando e organizando ações radicais que colocassem um novo grau de pressão sobre o governador. Mas os dias passam e não se avança… E os dias perdidos não retornarão.

Por que ainda não foi criado o Comando? Porque foi boicotado. Como? Por outras propostas, parecidas com “comandos” ou “encontros das escolas ocupadas”, propostas que há uma semana estão sendo usadas por grupos políticos para controlar o movimento. Assim, honestos jovens lutadores, que sentem a necessidade da unificação e articulação, estão sendo enrolados e a proposta de um comando real, pela base, está sendo atrasada.

O Comando (ou um encontro para criá-lo) precisa ser deliberado nas assembleias de base das escolas ocupadas ou mobilizadas, ou seja: o Comando não nasce da reunião de um grupo político particular. Será que não aprendemos nada com 2013? Em 2013 o movimento de luta foi identificado a um grupo político, o MPL. Seu papel foi importante, mas não houve democracia direta pela base. Por isso pouco ou nada de organização popular (autônoma) restou de 2013.

Hoje, nas escolas, alguns se esforçam novamente para confundir e identificar grupo político e movimento; fazem encontros e reuniões fechadas, paródias de Comando, para não perderem o controle e o protagonismo. Mas quem selecionou até agora os representantes para esses encontros? Quais os critérios? Por que realizar atividades só com um número pequeno de escolas ocupadas, e não já um Comando ESTADUAL de escolas ocupadas ou mobilizadas? Um movimento assim será necessariamente limitado e dificilmente derrotará Alckmin.

Os que realizam essa política e são contra um Comando de verdade justificam-se de duas formas: 1) dizem que há dificuldades organizativas nas escolas (como se fosse difícil eleger delegados!), ou seja, jogam a culpa nas costas dos estudantes; e 2) dizem que têm medo de “perder o controle” para grupos burocráticos e oportunistas. Ora, esse risco não existe hoje. Na verdade, neste momento, “perder o controle” significa tão somente perder o controle para a base dos estudantes, para a grande maioria que está mantendo a luta no dia a dia nas escolas. Quanto mais demorarmos para criar o Comando, mais o movimento ficará à mercê dos burocratas e oportunistas tradicionais.

A posição dos grupos estudantis que usam esses argumentos para atrasar a criação do Comando está sendo ela própria burocrática e está quebrando a autonomia dos estudantes. Essa posição impede que os próprios estudantes passem pela experiência de organizar sua própria luta. Assim essa nova geração não se formará devidamente, não aprenderá política de verdade, pois o movimento ficará aparelhado por um ou outro grupo de pessoas que já têm sua experiência política.

Não há iluminados. Pessoa ou grupo que achar que pode substituir os estudantes na luta e controlar o movimento sem a participação real, pública e organizada, da base pela base, está preparando a derrota do movimento. Quem boicotar hoje a articulação autônoma dos estudantes terá de arcar amanhã com o peso da derrota e com a criação de uma geração de céticos.

Demoramos para publicar este texto. Não gostamos de polêmicas internas ao movimento. Passamos a semana inteira tentando conversar com os demais grupos estudantis, mas as respostas foram negativas, evasivas ou enroladoras. Não nos restou outra opção senão vir a público.