! FUSÃO DO CORO DE CARCARÁS COM O TERRITÓRIO LIVRE - Território Livre

FUSÃO DO CORO DE CARCARÁS COM O TERRITÓRIO LIVRE

O Coro de Carcarás vem por meio desta nota comunicar a todos sua decisão de se fundir com o Território Livre, juventude da organização Transição Socialista.

Toda a história do Coro de Carcarás é marcada pela sua vontade de intervenção na realidade, de fazer com que os tambores auxiliassem a construção de um movimento independente da juventude e dos trabalhadores. Participamos de atos de rua, realizamos oficinas e intervenções locais em eventos de juventude, do centro e das periferias da Grande São Paulo, e atuamos sempre com o devir de incitar a revolta e a vontade de lutar de forma independente do Estado e da burguesia.

Mas, depois de recente discussão interna com os membros do grupo, onde realizamos balanços da nossa história e atuação, percebemos também as nossas limitações atuais enquanto grupo. Se nosso intuito é servir de instrumento para o movimento de luta, percebemos que nossa atuação não basta para de fato indicar esse caminho, que nosso programa não nos mune das palavras corretas a serem agitadas, que nossa organização não dá perspectiva para organizar a juventude contra os ataques do capital.

Todo esse acúmulo nos levou a conclusão de que a saída correta é utilizar nossas ferramentas de forma mais determinada, ou seja, com um programa político revolucionário. Para isso, decidimos nos incorporar ao Território Livre, organização que dirige o grupo desde a sua origem e com a qual compartilhamos a existência até hoje. Faremos isso porque acreditamos que os desafios que a realidade nos impõe forçam todos aqueles que estão dispostos a mudar o mundo a tomar uma posição firme, auxiliando a construção de uma via revolucionária para superar a miséria reinante!

CAMINHAR PARA A CONSTRUÇÃO DE UMA VIA REVOLUCIONÁRIA!

O Coro de Carcarás existe já faz mais de uma década. Já no seu início, o grupo estabeleceu uma relação próxima com as organizações MNN (atual Transição Socialista) e Território Livre. Durante toda a sua história, a relação entre o Coro e o MNN/TL se estabeleceu de diversas formas, sendo já vinculado diretamente enquanto agitação política partidária, e em outros momentos mantendo-se de forma mais independente (embora sempre dependesse da ação consciente do TL para continuar existindo). Nos últimos anos, a limitação do programa de ação e da atuação do Coro de Carcarás fez com que este se aproximasse cada vez mais da linha política do Território Livre. E por quê?

O Coro de Carcarás se firmou enquanto um grupo cultural, que realizava uma forma de militância cultural. Essa forma de atuação foi impulsionada pelo MNN e TL como uma maneira de organizar setores “amplos” de jovens para a luta política, superestimando a potencialidade da articulação dos movimentos culturais independentes da juventude. Ou seja, o Coro de Carcarás apresentava aos jovens um projeto de militância que não exigia seriedade e que, no fim, não era suficiente para dar uma perspectiva para os jovens, já que não tinha um programa revolucionário.

Isso fez com que o Coro carregasse dentro de si vontades distintas: um grupo de estudantes com vontade de produzir arte e cultura e um grupo de militantes que pretendiam fazer uma agitação política a partir dele. Essa era a gênese dos conflitos que sempre paralisaram e desconfortavam o grupo durante a sua história de vida.

Nos últimos anos, entretanto, a conjuntura pedia cada vez mais do Coro de Carcarás uma linha política para que fosse possível intervir nas lutas. Se mostrou cada vez mais claro que esse duplo caráter (militância cultural e militância política) não eram suficientes para as demandas de quem aproximávamos. Aos poucos, o grupo foi se tornando de fato um grupo de agitação política, de intervenção política, seja nos atos de rua, seja nos eventos culturais da periferia, seja nas oficinas com jovens proletários nas escolas e batalhas de rap ou na universidade.

Por isso acreditamos que, para o grupo continuar a avançar, devemos ter uma política que corresponda às nossas vontades revolucionárias, assumindo um caráter partidário e não retrocedendo ao caráter meramente cultural. Decidimos, portanto, nos fundir com o Território Livre, organização com a qual, há anos, compartilhamos concepções políticas e programáticas.

Daqui pra frente, a nossa tarefa é criar uma organização revolucionária. Os artistas devem, com toda liberdade, discutir cultura e arte – e o partido deve mesmo auxiliá-los a encontrar ou manter ambientes de liberdade para a criação. Mas o nosso propósito será criar outra poesia, outra “arte”, a arte da organização e da luta pela revolução. Assim, não caberá a nós manter, dirigir ou controlar um grupo cultural ou artístico. Cabe a nós fazer a nossa agitação revolucionária, para a qual o som e o gesto são tão importantes quanto os jornais e os panfletos.

Em poucas palavras, o Coro de Carcarás irá se tornar a bateria de maracatu do Território Livre, enquanto uma ferramenta de agitação política. Iremos ser um único corpo, uma única organização. Nossas oficinas e intervenções terão o caráter de agitar o programa revolucionário, de treinar nossos braços para a luta revolucionária, para impulsionar um movimento independente da juventude trabalhadora e fazer tremer o chão donde pisam os patrões desse mundo em ruínas!

 

Primeiro é preciso transformar a vida, para cantá-la em seguida! 

Agradecemos a todos que fizeram parte desse período de nossa história, e ela não acaba por aqui.
Adiante! Construir uma juventude revolucionária!

 

25.10.2017


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