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por que não estamos nos atos “fora temer”?

A questão central agora é a disputa da “narrativa”. O PT quer construir a leitura de que houve um “golpe” para reconstruir bases e melhores condições para o Lula-2018 (e talvez para Dilma senadora também em 2018). O que o PT quer agora são belas imagens, photoshopadas, feitas pelas suas mídias, sobre cavalaria, jatos de água, explosões, fogos de artifício, pessoas correndo, gritando de todos os lados, pedras, paus, barricadas de lixo com fogo etc. O PT está usando parte da juventude como bucha de canhão pra construir essa narrativa.

A classe operária repudia o PT, bem como o faz o conjunto da população. O PT perdeu suas bases sociais nesses setores. Resta, todavia, um setor da juventude, sobretudo de classe média, que acredita que está se passando um “golpe” no Brasil. É sobre essa base que o PT pretende se reconstruir, e não é de hoje. Desde 2013, com a mídia “ninja”, e em 2015/2016, com grupos de jornalistas supostamente “livres”, o PT vem ganhando espaço entre a juventude. Assim, pretende criar um corpo social que, no mínimo, dê um voto de “mal menor” a Lula contra os “golpistas” no segundo turno de 2018.

Por isso, reforçar ou ajudar a criar a narrativa do “golpe” é, hoje, em última instância, ser um instrumento do lulismo. A tese do golpe, inclusive, é um ultraje e insulto a todos os mortos e torturados pelos militares de 64 (militares que, aliás, o PT se negou a perseguir e prender quando esteve no poder).

A maioria da população não está defendendo “Fora Temer”, pois teme que com sua queda a economia simplesmente se desagregue mais rapidamente, gerando mais desemprego e rebaixamento salarial. A situação hoje é diferente da de 2014, quando fomos contra a Copa do Mundo e a maioria da população também era contra esse evento.

Aos revolucionários cabe saber levantar as palavras de ordem nas horas corretas. Nós defendemos pontualmente “Fora Lula” em 2005, no auge do mensalão, e defendemos “Fora Dilma”, em 2015, quando se tornou uma questão de massas. Não adianta ficar falando “Fora” pra todos os governos a todo momento, pois isso é um esquerdismo que apenas isola a vanguarda da maioria da população.

Aos revolucionários cabe saber preparar o “Fora Temer”. Em primeiro lugar, é preciso dizer à maioria da população que Temer não resolverá os seus problemas e atacará mais os trabalhadores. É preciso chamar a maioria da população, desde já, a resistir contra os ataques de Temer e preparar a sua queda amanhã. Quando Temer iniciar a reforma da previdência e a trabalhista (possivelmente após as eleições), a população começará a se revoltar seriamente contra ele.

Apesar de não estarmos nos atos contra o impeachment, repudiamos completamente a repressão da polícia de Alckmin, que age barbaramente, como se não houvesse lei. Isso é inadmissível. Não se deve esquecer, entretanto, que essa PM agiu exatamente da mesma forma sob o governo Dilma, quando inclusive recebeu apoio federal para “modernizar” sua máquina de repressão. Não se deve esquecer que Dilma militarizou as favelas com o exército e que aprovou a lei antiterrorismo. É preciso lutar contra a repressão, mas sem ser fantoche do lulismo, que é tão ou mais “golpista” que Temer.

Dilma vai tarde!
Não cair na farsa lulista!
Resistir aos ataques de Temer!

02.09.2016


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