! declaração do tl diante do aprofundamento da crise política nacional - Território Livre

declaração do tl diante do aprofundamento da crise política nacional

O grupo político Território Livre vem a público manifestar que:

  1. Considerando que a maioria da população brasileira é conduzida coercitivamente todos os dias como gado, em transportes lotados e precários, aos seus locais de trabalho, para ser explorada e ganhar um salário de fome (e que, enquanto isso, Lula, Dilma e os seus passeiam de jatinho pelo mundo afora, pagos por gigantescas empresas capitalistas);
  2. Considerando que o aumento do PIB brasileiro nos governos do PT até 2013 e a euforia vista ao final do mandato de Lula nada têm a ver com uma política econômica de Lula e do PT, mas com um afluxo de capital internacional ao Brasil (como aos demais “BRICS”) diante do estouro da crise na Europa e nos EUA em 2007/2008;
  3. Considerando que o PT não aproveitou-se do poder e da situação econômica relativamente favorável para criar uma mínima política progressista nacional (burguesa) que mudasse a forma como o país se insere no mercado capitalista mundial (ou seja, o PT aprofundou rapidamente a desindustrialização; submeteu ainda mais o país ao rentismo parasitário; ampliou em forma jamais vista a destruição de recursos naturais para fins privados do agronegócio);
  4. Considerando que, na ausência de uma política burguesa progressista que blindasse relativamente o país da crise mundial, hoje, quando o grande capital internacional muda seu fluxo (fugindo de países como os “BRICS”), o país vê-se lançado no abismo profundo da crise mundial, ou seja, numa situação econômica que não se via desde 1929 (dois anos seguidos de retrocesso no PIB) e que tende a piorar, com desemprego que chega a 18% nas grandes metrópoles e inflação a quase 15% ao ano;
  5. Considerando que nenhuma mudança que Lula e Dilma aplicaram no poder aponta em qualquer sentido além da lógica do mercado capitalista, e que as tais “medidas paliativas” nem mesmo são “cláusulas pétreas” da Constituição (como se tornaram, sob a CLT, as leis trabalhistas na década de 1940); ou seja, que todas essas medidas de “inclusão” são política de ocasião, não representam um estadismo burguês progressista e somente reafirmam a ordem do capital que é, em última instância, de crescente miséria e exclusão da população trabalhadora;
  6. Considerando que tais medidas “paliativas” são migalhas que caem do prato da farra capitalista (o “Bolsa Família”, por exemplo, representa 0,02% do PIB, enquanto a dívida pública, que aumentou assustadoramente sob o PT, chega a quase 50% do orçamento nacional), e que são parte de um projeto de compra da população para manutenção de um grupo político no poder que visa somente, em última instância, favorecer grandes empresas capitalistas e ampliar seus espaços no mercado mundial;
  7. Considerando que a corrupção atingiu graus novos e acintosos no governo do PT, e que esse partido e Lula ressuscitaram algumas das piores figuras da velha política corrupta e oligárquica nacional, como Sarney, Collor de Mello, Renan Calheiros, Maluf (que estavam relativamente desalojados do poder no segundo mandato do governo FHC), bem como sujeitos nefastos do tipo Delfim Neto (responsável por recolher dinheiro entre empresários para a tortura, na operação Bandeirantes, sob o regime militar);
  8. Considerando que o único argumento que resta ao PT, que se dizia um partido diferente, é que os outros partidos também são tão corruptos como ele e também devem ser investigados (ora, como se a maioria da população se espantasse com a corrupção dos demais partidos. Renan, Cunha, Aécio também têm de ser investigados e presos o quanto antes, mas a população espera menos deles, por serem sabidamente corruptos, e por isso se importa menos com seus casos de corrupção);
  9. Considerando que Lula é um traidor da classe operária, sobretudo dos metalúrgicos (veja-se a Operação Zelotes); que Lula, segundo suas próprias palavras, nunca foi de esquerda, mas é liberal; que possivelmente era alcaguete da ditadura militar; que ele e seu sindicalismo foram muito elogiados pelo General Golbery (o cabeça da ditadura militar) por possibilitarem, com seu controle sobre a classe trabalhadora, uma transição “a frio” (sem conflitos de classe) da ditadura para a democracia burguesa; que Lula e a sua entourage da cúpula petista, formada sobretudo de pelegos e stalinistas desde 1980, fizeram de tudo, e sempre, com todos os golpes possíveis, para quebrar e perseguir a ala de esquerda socialista dentro do próprio Partido dos Trabalhadores;
  10. Considerando que o destino do PT e do governo Dilma não tem nada a ver com o destino da esquerda, bem como o de Lula não tem nada a ver com o da classe operária;
  11. Considerando que o governo petista submeteu ao Congresso uma “Lei Antiterrorismo” dúbia o suficiente para enquadrar o próprio movimento social dos trabalhadores e jovens como “terroristas”; que esse governo permitiu o uso da Lei de Segurança Nacional (uma das piores heranças da ditadura militar) contra manifestantes na Copa do Mundo; que esse governo concebeu e implementou as UPPs e outras formas de intervenção militar nas favelas cariocas, multiplicando casos de terrorismo policial e de invasões de residências sem mandado judicial (diante dos quais a condução coercitiva de Lula não é nada); que os bandos petistas começam a atacar a própria esquerda independente (como visto na sede da corrente CST, do PSOL, no Rio Grande do Sul, e no ato do 8 de março em SP), e que tais bandos podem se tornar mais perigosos para a esquerda independente do que a extrema-direita (porque os bandos do PT têm a forte e milionária máquina do Estado burguês por trás de si);
  12. Considerando que uma possível reeleição de Lula em 2018 tenderia a criar uma forma de governo populista autoritário (um pouco como o de Vargas ao final da década de 1930), pois aparelharia de forma jamais vista as instituições do Estado, visando a quebrar todas essas oposições nos diversos poderes que hoje caçam Lula, Dilma e o PT;

CONSIDERANDO TUDO ISSO O TL DECLARA QUE COMEÇARÁ NAS PRÓXIMAS SEMANAS UMA CAMPANHA PELA PRISÃO DE LULA E PELA QUEDA DO GOVERNO DILMA!

A revolta contra Lula e Dilma não são só uma revolta da classe média, mas antes de tudo, e de forma muito mais profunda, a da classe trabalhadora e da juventude das periferias das grandes cidades. Esse grito de revolta dos trabalhadores precisa se expressar de forma organizada e com os métodos de luta da classe trabalhadora (atos, greves, piquetes, ocupações, contra o governo e a crise econômica). A direita fascista que está nas ruas precisa ser aniquilada.

A esquerda, entretanto, na medida em que vacila diante de Dilma e Lula e não se alinha à revolta da população, deixa o espaço vazio para as organizações de extrema direita avançarem com facilidade.

A prisão de Lula e a queda de Dilma, na medida em que não são um golpe militar e na medida em que afundam de vez o projeto traidor do PT, podem abrir espaço para a mobilização independente da classe trabalhadora, que favorece a construção de novas organizações revolucionárias no Brasil.

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