! por que falamos em voto de protesto e não em voto útil? - Território Livre

por que falamos em voto de protesto e não em voto útil?

Nas eleições municipais de 2016 declaramos voto crítico no PSTU, o único partido de esquerda que teve coragem de defender abertamente a queda do governo Dilma. Realizamos esta campanha de apoio em São Paulo e em São Bernardo. Chamamos voto nulo nas cidades em que este partido não tem candidatos, com campanha ativa pelo nulo em Osasco e Guarulhos.

Conforme já apontamos, nosso voto no PSTU é crítico: possuímos inúmeras divergências programáticas com os camaradas, mas consideramos fundamental o esforço de reorganização da esquerda revolucionária, nesse momento em que o PT passa pela sua pior crise. Com nosso voto, procuramos também abrir um diálogo e uma relação fraterna com os militantes desse partido, visando a estabelecer melhores condições para criar, amanhã, uma via mais forte dos revolucionários. É preciso ressaltar ainda outro ponto: nosso voto no PSTU tampouco é “útil” – quer dizer, nós não temos a pretensão de, com essa campanha, tornar Altino ou Cesar Raya candidatos “elegíveis” para as prefeituras de SP ou SBC; ainda mais importante que isso, não depositamos nenhuma ilusão de que a eleição de um ou outro candidato possa resolver os problemas essenciais da população trabalhadora.

E ele é um voto de protesto na exata medida em que não abre margem para ilusões eleitorais (e eleitoreiras) com as quais, infelizmente, certa “esquerda” continua baseando sua política: eleger um vereador aqui, um parlamentar acolá, subordinando todo seu esforço militante para as eleições e parlamentos. Tanto apoiando candidatos do PSTU quanto articulando campanhas pelo voto nulo, procuramos expressar a revolta da população contra os partidos burgueses e com a situação de miséria e desemprego com a qual ela se defronta, situação que eleição alguma vai resolver: é papel da esquerda revolucionária dizer isso claramente para a população, e não enganá-la com falsas promessas e falsas soluções. É preciso avançar programaticamente, superando a lógica reformista.

Não é possível falar em voto de protesto quando se encampa nas eleições qualquer tipo de ilusão no sistema político de representação da burguesia. É função dos revolucionários denunciar a farsa das eleições burguesas e apontar para a organização dos trabalhadores nos locais de trabalho e da juventude em seus locais de estudo como a única forma de estabelecer uma luta consequente contra o capital. É preciso avançar organizativamente, fortalecendo nossa própria atuação independente.

Voto útil? – O famoso “voto útil” consiste em votar num candidato que, apesar de seus muitos problemas, teria chance real de vitória. O pressuposto do “voto útil” é que votos de protesto – seja em candidaturas de partidos menores ou mesmo o nulo e os brancos – seriam votos “inúteis”. O voto útil estabelece a lógica do menos pior. O PT usa e abusa dessa lógica, praticando um verdadeiro terrorismo eleitoral, tentando manter debaixo de suas asas o restante da “esquerda”.

As eleições de 2014 e as medidas de Dilma que se seguiram a ela revelaram isso com precisão. Em nome do “voto útil” em Dilma, boa parte da esquerda se comprometeu com esse governo e com suas falsas promessas de que não tomaria as medidas contra os trabalhadores; quando ela traiu suas promessas e a pressão popular contra o governo estourou, nada puderam fazer senão se unir ao coro do PT de que havia um “golpe”. Porém, a população é mais lúcida do que essa “esquerda” que só vê a vida política acontecendo de dois em dois anos. É preciso romper esse ciclo vicioso e abrir caminho para o futuro!