! “DIRETAS JÁ" NÃO É A RESPOSTA PARA DERROTAR TEMER! - Território Livre

“DIRETAS JÁ” NÃO É A RESPOSTA PARA DERROTAR TEMER!

Na semana passada, os setores que defendem saídas eleitorais para a crise política ganharam um aliado inesperado. FHC, procurando pressionar tanto seu partido, o PSDB, quanto o governo do PMDB, foi à imprensa declarar que Temer deveria renunciar em nome de novas eleições gerais. Este novo ponto na crise, o embarque de FHC no coro por novas eleições, evidencia claramente a que serve a palavra de ordem “Diretas Já”. Cabe às organizações de esquerda, que erguem equivocadamente essa palavra de ordem, pararem para refletir. Fica cada vez mais claro que eleições gerais, hoje, apenas reforçam a estabilidade burguesa – hoje aparecem como saída possível à burguesia para a crise política.

Que militantes honestos das diferentes organizações de esquerda aceitassem a defesa dessas saídas eleitorais é até certo ponto compreensível. Afinal, há anos a esquerda no Brasil foi domesticada, bloqueada e influenciada pela enorme máquina material do PT, e contava com muito pouca experiência política na luta real da classe. A própria existência do PT e seus objetivos oportunistas pesam na sobrevalorização das pautas democrático-burguesas. Era então um cenário muito nebuloso para que as bases mais inexperientes compreendessem todos os desdobramentos de saídas eleitorais para a crise.

Porém a crise se acentuou. Dilma caiu, um ano depois Temer balança. Os acirramentos fazem as palavras de ordem passar pelo crivo da realidade. Hoje, a essencialização das pautas democrático-burguesas apenas colocam novas ilusões para a classe trabalhadora e a campanha de “Diretas Já” tem um triste caráter de paródia.

Desde antes do impeachment, a classe burguesa se mostrava completamente dividida. Sua frações batiam cabeça entre si. Ela necessitava de um mínimo de estabilidade para acentuar a exploração da classe trabalhadora num momento de crise econômica. O momento em que Temer balança é o ápice dessa crise até agora.

Seria o momento para explorar todas essas divisões entre a burguesia e impor uma derrota, mandando o governo Temer junto com as reformas por água abaixo. A crise de dominação da burguesia deve ser explorada por nós, buscando organizar a classe trabalhadora para defender seus direitos. Porém, entre a classe e a derrota de Temer, existe a campanha por Diretas.

Não à toa, de alguns estados do país chegam notícias de que a burocracia sindical se articula para substituir a paralisação de setores da classe trabalhadora por um grande showmício da campanha “Diretas Já”. Enquanto a burocracia alojada na Força Sindical e na UGT pode se dar ao luxo de abandonar diretamente a luta, a burocracia petista precisa de subterfúgios mais sutis. A verdade é que os setores ligados ao e dirigidos pelo PT, assim que a queda de Temer se tornou uma possibilidade real, rapidamente substituíram as palavras de ordem de “Fora Temer’ e “Greve Geral” pelas de “Diretas Já”. Fazem isso justamente porque, para o PT é mais interessante utilizar essa conjuntura para erguer Lula à presidência do que mobilizar os trabalhadores. Os revolucionários devem se opor à essa manobra e se dissociar definitivamente do projeto petista.

Por vezes, cabe aos revolucionários defenderem pautas democráticas, articulando-as e submetendo-as ao programa revolucionário. Mas o que define essa necessidade é o grau de acirramento da luta de classes, as ilusões democráticas das massas, a incapacidade de a burguesia cumprir as suas próprias tarefas históricas. Hoje, no Brasil, a realidade impõe uma tarefa muito diferente.

As palavras de ordem de eleições não se chocam contra o regime; pelo contrário, a burguesia aposta nelas como tábua de salvação (PT, PSDB). O número crescente de abstenções, votos nulos e brancos nas últimas eleições indicam que cresce a desconfiança das massas com a democracia burguesa. Essas são as premissas históricas que permitem que hoje o PT, sua burocracia sindical e seus satélites encabecem uma campanha por Diretas e oponham, na prática, essa pauta democrática às pautas que indiquem a necessidade de paralisar setores da força de trabalho no dia 30.

A hora agora não é de defender eleições gerais ou “Diretas Já”. É função dos revolucionários opor às palavras de ordem que indiquem esse tipo de saída, burguesa, as palavras que indiquem a queda de Temer e a derrota das reformas – ou seja, explorar as divisões da burguesia para organizar a classe trabalhadora, a única que de fato pode solucionar a crise.

FORA TEMER!
DERROTAR A REFORMA DA PREVIDÊNCIA!
DERROTAR A REFORMA TRABALHISTA!
DIA 30 DE JULHO: BRAÇOS CRUZADOS!